Residência de Raphael Arcuri deverá ser tombada

Veja mais da Tribuna no Google
Adicione a Tribuna de Minas como fonte preferencial para ver mais do nosso conteúdo na Pesquisa Google.
Adicionar Tribuna de MinasAo que tudo indica, mais um projeto de Raphael Arcuri será preservado na cidade. O processo de tombamento de sua residência, localizada no nº 310 da Rua Antônio Dias Tostes, no Centro, está próximo do fim, dependendo, apenas de decreto do prefeito. Como procedimento comum, a Prefeitura publicou no último sábado um edital de notificação para que proprietários, herdeiros e ou sucessores ou quaisquer outras pessoas com vínculo familiar ou não possam propor a impugnação do processo. A publicação confere 15 dias para refutações e, logo em seguida, deverá retornar ao prefeito, que acatará ou não o tombamento. Procurado pela Tribuna, Haroldo Pagy Thees, terceiro proprietário da antiga residência de Raphael Arcuri, diz já ter sido notificado e não contestou. Não me oponho e não deixarei tudo apodrecer, afirma Thees, dizendo que há a necessidade de pequenas obras para que o imóvel se mantenha conservado, mas nenhuma delas configura-se como intervenção.
Segundo o presidente do núcleo juiz-forano do Instituto de Arquitetos do Brasil, Marcos Olender, o casarão foi o segundo projeto de residência própria executado pelo arquiteto Raphael Arcuri. O primeiro, ao lado, foi o casarão conhecido hoje como Castelinho dos Bracher, o qual repassou ao irmão Romeu após construir o imóvel. Essa construção é muito interessante já que foi feita com muito cuidado, para abrigar a própria família dele. Apesar de pertencer ao estilo eclético, a casa guarda referências do art nouveau e de outros elementos que eram contemporâneos ao período, analisa Olender, professor do departamento de história da UFJF e um dos integrantes do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, o Comppac, que aprovou no ano passado o tombamento do imóvel.
Nascido em 1891, na Itália, Raphael é filho de Pantaleone Arcuri, que deu nome à empresa Pantaleone Arcuri & Spinelli, reconhecida por edificações como a Casa d’Itália, na Avenida Rio Branco, e o Cine-Theatro Central. Esse tombamento é imprescindível para referendar a importância e a produção da família na paisagem urbana de Juiz de Fora, defende Olender, cujo doutorado, pela Universidade Federal da Bahia, deu origem ao livro Ornamento, ponto e nó – Da urdidura pantaleônica às tramas arquitetônicas de Raphael Arcuri. De acordo com Olender, a casa foi vendida de Raphael para um médico da cidade, que se dispôs a preservar o imóvel, e o fez, já que a estrutura, em sua maioria, não foi descaracterizada.









