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Será que o mundo vai compreender?


Por RAPHAELA RAMOS

10/05/2011 às 07h00

As histórias de Katalin Vallo nasceram com ela, em 1924. Há pouco tempo, porém, a escritora húngara assumiu o hábito de registrar no papel o que o destino lhe reservou. Sua segunda incursão pela literatura, Entre a guerra e a paz, será lançada hoje no Forum da Cultura. A publicação, apoiada pela Lei Murilo Mendes, resume a trajetória da artista que passou pela Segunda Guerra Mundial e fugiu para o Brasil aos 25 anos. Será que o mundo vai compreender o que quero mostrar através da minha vivência?, pergunta Katalin na abertura da obra.

Vinte e quatro pequenos contos – escritos para distrair as pessoas, como ela diz – misturam realidade e ficção. As recordações e a imaginação da escritora de 87 anos são visitadas por ela, em um projeto iniciado em 2010. Ofereço uma visão entre a paz e a violência, a tranquilidade e a incerteza, em que os sentimentos se chocam constantemente. Minha intenção é mostrar que existe a luz da esperança no coração humano. A fuga com o marido João Vallo ao lado de dois filhos pequenos, a interrupção do casamento por um bombardeio e mais algumas aventuras estão nas 80 páginas do livro.

No Brasil, a artista passou por Goiânia, Campinas e outras localidades antes de chegar a Juiz de Fora, em 1954. Há muitos anos, Katty – como é chamada pelos amigos – vive em uma pequena chácara no Bairro Teixeiras. Lá, viu crescer cinco filhos, dez netos e sete bisnetos. Todas essas fases estão registradas na memória e em álbuns de fotografia, guardados com carinho. A propósito, Entre a guerra e a paz é estampado por inúmeras fotos. A primeira delas mostra o perfil jovem da escritora, e a segunda, bem mais recente, flagra um de seus momentos ao lado dos companheiros do núcleo da Terceira Idade do Grupo Divulgação, do qual fez parte por cinco anos.

Katalin também se formou pela Universidade da Terceira Idade da UFJF, onde aprimorou seu gosto por poesia, declamação e teatro. Em 2002, ela editou Versos que a vida me ensinou, com revisão da professora Marisa Timponi e patrocínio da Central Elétrica de Furnas.

Embora inicie um de seus contos com a frase sou uma forasteira, a artista afirma não mais ter saudade de sua terra distante. Amo o Brasil. Tanto que faz uma homenagem ao país logo no início do livro.

ENTRE A GUERRA E A PAZ

Lançamento hoje, às 20h30

Forum da Cultura

(Rua Santo Antônio 1.112)

3215-3850