Festival de Fotografia de Tiradentes reúne trabalhos nacionais e internacionais
Programação na cidade histórica tem acesso gratuito e apresenta trabalhos com temáticas como meio ambiente, memória e identidade

O Festival de Fotografia de Tiradentes movimenta a cidade histórica entre quarta-feira (11) e domingo (15), com exposições gratuitas de artistas nacionais e internacionais. São diferentes espaços culturais da cidade que recebem obras que abordam temas como meio ambiente, memória, identidade, religiosidade, cultura e território. O público poderá conferir trabalhos individuais e coletivos que exploram diferentes abordagens da linguagem fotográfica, da mais documental à experimental, além de 40 títulos de fotolivros. A programação completa está disponível no site do evento.

No Centro Cultural Yves Alves (Rua Direita 168), a exposição “Mundo≡Floresta” parte do romance “Floresta é o nome do mundo” (1972), da escritora Ursula K. Le Guin, para uma tradução por meio da fotografia. São exibidas obras de Cássio Vasconcellos, Claudia Andujar, Daniela Paoliello, Florence Goupil, Frans Krajcberg, Labō Young & Igor Furtado, Lalo de Almeida, Musuk Nolte e Siân Davey, que criam reflexões sobre devastação ambiental, a importância dos sonhos e as conexões entre corpos vegetais e animais. Essa seleção segue até 5 de abril.
Também estará em cartaz no mesmo espaço a mostra “M’kumba”, do artista visual Gui Christ, que coloca em foco mitologias afro-brasileiras. A curadoria teve em vista as imagens que transitam entre documento e as cosmopercepções das tradições de matriz africana — e, assim, também trabalham como tecnologias de memória e resistência.
No Museu de Sant’Ana (Rua Direita 93), o fotógrafo documental João Farkas exibe “Costa Norte”, uma série desenvolvida ao longo de quatro anos e sete expedições. As imagens foram feitas enquanto ele percorria cerca de 2.200 quilômetros do litoral brasileiro, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, e mostram registros impressionantes de paisagens e do impacto causado pela ocupação desordenada.
Já em “Jeito de corpo”, de Luiza Sigulem, que fica até 30 de março, são feitos retratos em espaços públicos de São Paulo para tratar temas como acessibilidade e identidade. Todos os transeuntes fotografados foram convidados a se “adaptar” à altura do fundo infinito (1,4m), para se nivelar à perspectiva da artista na cadeira de rodas.
Projetos em grupo, varal de fotos, livros e mais
No IPHAN (Rua da Câmara 124), um projeto coletivo chamado “Geografias Brasilienses” traz um mergulho no território do Distrito Federal, investigando as contradições entre o espaço planejado de Brasília e a natureza do Cerrado. A atração reúne imagens icônicas do fotógrafo francês Lucien Clergue, que registrou Brasília em 1962 e 1963.
Já na Vila Foto em Pauta (Rua Santíssima Trindade 92), a exposição “[Entre]” funciona em espaço aberto para proporcionar reflexões sobre os intervalos que dão ritmo e profundidade às experiências humanas. Vão ser 18 imagens impressas em tecido e colocadas em varal fotográfico. No espaço montado dessa maneira, o movimento do vento e a transparência dos materiais vão intensificar a experiência de percepção sobre impermanência.
Em outra série instalada ao ar livre, “IT’S RAINING RED PEOPLE (and I feel good)”, a artista Maristela Colucci insere figuras em meio à natureza bruta para criar uma metáfora visual sobre o impacto humano e a interdependência do ecossistema. Essa obra oferece uma experiência imersiva que traz o vermelho como linguagem de ruptura e regeneração, abordando também temáticas contemporâneas no que diz respeito à identidade, ao território e à potência criadora do corpo.
A mostra “Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS” traz 45 títulos selecionados pela Revista ZUM e pela Biblioteca de Fotografia do IMS, apresentando fotolivros, zines e catálogos publicados entre 2024 e 2025. As obras são de todas as regiões do Brasil e também de países da América Latina e Europa
No Espaço Cultural Aimorés, “Querido pai”, projeto de Danilo Zocatelli que nasceu de uma carta ao pai, investiga as complexas relações entre masculinidade, memória e identidade queer. A exposição já foi apresentada em Arles, Londres e Bruxelas, e usa cenas da masculinidade rural para tentar transformar sua história em um gesto de reconciliação. No mesmo espaço, “Madonnas e Fridas” reúne trabalhos de 47 mulheres artistas de todo o Brasil a partir da curadoria de Ana Sabiá, fazendo reflexões sobre vivências subjetivas das maternidades a partir de fotos e objetos..