Pista em ascensão
Cinco nomes do circuito, três pickups e uma só vontade: dominar o mundo através das pistas. Pondo em prática o sonho de materializar a versatilidade que vibra na balada, os DJs Moa, Bernardo Novaes, Marcelinho da Lua e a dupla de espanhóis Nyimo Nijman e Levin Karcher, de Ibiza, estão, hoje, na cidade para discotecar e mostrar trabalhos impressos em projetos fonográficos, comprovando o quanto o mercado do ramo da produção em e-music (música eletrônica) está em plena ascensão. "Há pouco tempo, as vendas digitais das gravadoras eram restritas somente a lojas especializadas, como Beatport, Traxsource ou Juno, tendo como consumidor principal os ‘deejays’", destaca o carioca Bernardo Novaes, sobre o faturamento das vendas para consumidor comum em lojas como o iTunes Store.
Novaes é o convidado para estrear o projeto "O boa é gente Moa", no Privilège, onde o DJ local Moa receberá, mensalmente, uma atração da cena nacional. Aproveitando a deixa, Moa lança "Lado A e lado B", o primeiro CD (disponível no SoundCloud) da carreira, iniciada em 2004, embora prefira não se aventurar na produção.
Produtor de mão cheia, Novaes é o mais novo contratado da DJcom (empresa que realiza turnês de DJs internacionais). Tamanha relevância está em suas obras, que circulam pelo mundo sob a égide de selos como Southern Fried, Soulman Music, Muzik Xpress, Building, Lo Kik, Solid Fabric e EIbiza Digital. "As gravadoras vêm se interessando cada vez mais. Exemplo disso são os hits recentes de rappers estabelecidos no mercado com roupagem da música eletrônica. A Virgin Records também abre portas para o grupo de três DJs Swedish House Mafia", enumera Novaes.
O produtor de música eletrônica é o profissional que cria música através de softwares, samples de áudio e instrumentos virtuais. Enquadrado neste conceito, o DJ e produtor Marcelinho da Lua ocupa mais uma vez a pista do Café Muzik, com o retrato da verve da música brasileira do século XXI, que cruza gêneros e levadas nas muitas fronteiras entre a tecnologia, a inovação e a tradição. "A produção em música eletrônica é um leque muito grande, hoje em dia, aliás, este ritmo é um timbre e não uma música. O cara pode inserir o estilo no maracatu, no choro ou na bossa nova. E o custo é muito barato para tudo neste nicho. Isso tem dado um novo fôlego à produção, apesar de haver ainda o groove, uma situação mais específica para a dança e não tanto comercial", distingue Marcelinho, que optou por ser independente a partir de 2010, após trabalhar com a Deck.
Do outro lado da cidade, a W Ultra Lounge recebe o projeto "Last men standing" (LMS), formado por Nyimo Nijman e Levin Karcher, dupla que, nos últimos anos, disparou rumo à fama em todo o planeta, com o álbum "From zero to hero". "Este trabalho, que sai pela Spun Records, apresenta faixas que são uma fusão entre trance, psy trance, techno e electro", justificam os DJs em sua página no MySpace, engrossando a mistura de gêneros, que, também, tem consolidado a cena no mercado fonográfico mundial.
Novas plataformas
Ao longo da semana, Moa bombardeou sua página no Facebook de posts, convocando seus seguidores para o lançamento do seu disco de estreia, desenvolvido em parceria com a agência Groove, de São Paulo. "O CD será divulgado para grandes contratantes do Brasil, como donos de clubs e festas", promete, adiantando o formato do trabalho. "Os dois sets são seleções de músicas de artistas amigos ou simplesmente artistas que admiro. O lado A é um set mais acelerado, com 128 bpms, para não deixar ninguém parado. Já o lado B é mais calmo, com 122 bpms, e bastante nu disco e deep house", explica. Se hoje a música eletrônica não é consumida apenas em eventos, a internet, como em quase tudo no segmento musical, arrebanha grande parte da produção, disseminando conteúdo e facilitando a vida de quem, um dia, sonhou em ter seu projeto nas mãos.
"Esse mercado para quem produz é cada vez mais acolhedor. Produzir – sabendo o que está fazendo, obviamente – é sempre o melhor caminho, como o fenômeno sueco Tim Bergling, mais conhecido como Avicii, que, com apenas 23 anos, já ganhou o mundo através de suas produções", destaca Bernardo Novaes, elencando também nomes como Nicky Romero, Madeon e Alesso.
Com relação à crise na indústria devido à pirataria e às tecnologias que permitem o acesso aos arquivos de música pela web, Marli Batista Ávila, coordenadora do curso de Produção Musical da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, acredita que o mercado se encontra mais aquecido, sobretudo pelas novas possibilidades de atuação na área. "Cada vez mais em evidência, a figura do DJ encontra oportunidades fora do mercado fonográfico tradicional. Além de produção de trilha sonora para games, toques de celulares e na ambientação sonora de bares, restaurantes e lojas, ele também pode criar trilhas para filmes, animações, desfiles de moda e websites", exemplifica por e-mail. "Outra área que vem crescendo é a de projetos musicais para organizações do terceiro setor", completa.
MOA E NOVAES
Às 23h
Privilège
(Estrada Engenheiro Gentil Forn 1.000)
MARCELINHO DA LUA
Às 23h
Café Muzik
(Rua Espírito Santo 1.081)
NIJMAN E KARCHER
Às 23h
W Ultra Lounge
(Rua W 100)









