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A ‘carioquice’ continua


Por BRUNO CALIXTO

10/02/2012 às 07h00

Exalta Rei faz cortejo na Halfeld

Exalta Rei faz cortejo na Halfeld

Hoje, às 18h, a banda carioca Exalta Rei é quem comanda o cortejo, que, assim como aconteceu com a Orquestra Voadora na quarta, desce o Calçadão da Halfeld rumo à Rua Paulo de Frontin, sentido Praça Antônio Carlos, onde o Baile do Cordão da Bola Preta volta a lembrar antigos sucessos do carnaval brasileiro a partir das 20h. As atrações são destaque da programação do Corredor da Folia, levado, ontem, para o Alto dos Passos, onde a Banda de Ipanema atraiu centenas de foliões para as proximidades do palco montado na esquina das ruas Dom Viçoso e Severiano Sarmento.

Expectativa é o que não falta aos músicos do grupo carioca Exalta Rei, criado na Urca em 2009 com o intuito de produzir arranjos carnavalescos para as canções de Roberto Carlos, Michael Jackson, Luiz Gonzaga, Elvis Presley e Ray Charles. "Em comum? Todos são reis", ressalta a produtora da trupe, Roberta Coutinho.

Já os músicos do Cordão da Bola Preta, regidos pelo maestro Quintanilha, prometem um repertório que inclui diversas marchinhas carnavalescas e sambas-enredos que marcaram época, além de grandes sucessos do carnaval carioca, onde o bloco, fundado em 1918, é tido como o mais antigo. A programação completa pode ser conferida em www.tribunademinas.com.br.

A Trombeta de ouro

Eram 23h quando o compositor Carlos Fernando abriu o 2º Concurso de Marchinhas Carnavalescas de Juiz de Fora, na última quarta, com "Perambulando", canção vencedora da edição 2011. Este ano, quem levou o primeiro lugar foi a dupla de compositores Adriano e Olímpio Brandão, autores de "A trombeta do Salim". O evento, realizado pela Funalfa e pela Cooperativa da Música de Minas (Comum), ganhou clima de "salão" no Clube Sírio Libanês.

"Eu nunca havia competido", informou Adriano Brandão, entre risos e lágrimas, com o troféu Synval Silva nas mãos. "Nem sabia quem iria interpretar, até que me indicaram o Serjão", arrematou o compositor, cortejado pelo corpo de jurados, formado por Márcio Itaboray (médico e compositor), Fernamda Ca (cantora e compositora), Sérgio Evangelista (produtor cultural), Paulo Luiz Moreira (maestro) e José Carlos de Oliveira (músico).

A escolha por Serjão deu certo. Conhecido pelo grave intenso, o veterano – que havia ainda defendido a composição "Ir pra Mercês" (Olímpio e Theo Brandão) – comemorou a vitória, também, por ser estreante no ramo. "Nunca havia cantado marchinha. Achei ótimo", disparou, antes de parabenizar o amigo e compositor Thiago Miranda, autor de "Dengosa", que ficou com o prêmio especial.

O segundo lugar foi para "A flor esquecida", de Toinho Gomes, defendida por Juliana Stanzani, que se destacou entre os jurados e os cerca de 300 foliões pela presença de palco e voz exuberante. "Enquanto não vem a quarta-feira", de Ricardo Barroso, classificou-se em terceiro lugar, levando a cantora Marli de volta ao centro da festa, que, se tinha o objetivo de manter acesa a chama do bom e velho baile de carnaval, parece ter chegado para ficar no calendário de Momo por aqui.

Sem choro nem vela

Uma noite que rolou solta, sem atropelos. Essa foi a impressão que ficou do 2º Concurso de Marchinhas, novamente sob a direção musical de Roger Resende (violão) e Márcio Gomes (surdo). À frente da banda – completa ainda por Ângelo Goulart (bateria), Fabrício Nogueira (cavaquinho), Lula Ricardo (baixo), Caetano Brasil e Fernando (sopro) -, Roger e Márcio se apresentaram vestindo camisas dos clubes Fluminense e Botafogo, respectivamente, fazendo jus à proximidade com que a iniciativa pretende manter com o Rio, onde eventos similares roubam a cena nas prévias da folia, como acontecera na Fundição Progresso no último domingo.

Homenageado da noite, o compositor juiz-forano Synval Silva foi lembrado no texto lido pela atriz Angelica Joppert e pelo arte-educador Felipe Tavares. A dupla, aliás, foi responsável pelas pausas – rápidas e informativas – entre uma composição e outra, trazendo ao público momentos marcantes da história das marchinhas e sua importância para a maior festa popular do Brasil. Desde os idos de Chiquinha Gonzaga e seu "Oh abre alas" de 1898 à "Turma do funil" – sucesso criado em 1956 por Mirabeau, M. de Oliveira e Urgel de Castro e regravado por ninguém menos que Tom Jobim e Miúcha em 1980 -, algumas canções de destaque entre a crítica especializada vieram à tona.