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Da França para o sofá


Por JÚLIO BLACK

09/02/2016 às 07h00- Atualizada 10/02/2016 às 14h14

'Onda de calor', de Raphaël Jacoulot, é um dos dez longas metragens franceses que os brasileiros podem assistir de graça pela Web

‘Onda de calor’, de Raphaël Jacoulot, é um dos dez longas metragens franceses que os brasileiros podem assistir de graça pela Web

'H procura M' é a animação lançada em 2015 por Marina Moshkova; produção concorre a um dos três prêmios oferecidos pelo festival

‘H procura M’ é a animação lançada em 2015 por Marina Moshkova; produção concorre a um dos três prêmios oferecidos pelo festival

Vida de cinéfilo, antigamente, não era fácil, principalmente para quem morasse longe das capitais. Eram poucas e raras as opções de filmes que estivessem fora do circuito comercial, fosse nos cinemas ou locadoras. Com as novas tecnologias e a internet tudo ficou mais fácil, seja por meio dos sites de venda on-line ou serviços de streaming – e até mesmo de graça: este é o caso do MyFrenchFilmFestival, que chega à sua sexta edição e, até o próximo dia 18, oferece a exibição gratuita para nosso país de 20 produções francesas, entre longas e curtas metragens, que podem ser assistidos pela rede mundial de computadores. Basta ter acesso à internet banda larga e fazer o cadastro no site do projeto (www.myfrenchfilmfestival.com) para assistir a produções que vão de clássicos como “Ascensor para o cadafalso” (1957), de Louis Malle, à nova safra de produções como “Onda de calor” (2015), de Raphaël Jacoulot. Além do site, os filmes estão à disposição para exibição gratuita em 37 plataformas digitais, como o iTunes, em 90 países. A cada ano, o festival escolhe uma série de países para ter acesso gratuito às produções selecionadas, e o Brasil foi um dos selecionados em 2016. O público de todo o mundo pode votar nos seus filmes favoritos (no total, são 26 produções concorrentes, devido aos títulos ofertados para cada nação); estes, junto com os mais votados pelo júri formado pelos cineastas Nicolas Winding Refn (Dinamarca), Felix Van Groeningen (Bélgica), Valérie Donzelli (França), David Robert Mitchell (Estados Unidos) e a franco-iraniana Marjane Satrapi, decidirão os vencedores das três categorias do MyFrenchFilmFestival. Os filmes vencedores serão exibidos durante seis meses em aviões da Air France, a partir de julho. Um dos integrantes da organização do festival é Jean-Rémi Ducourtioux. Segundo ele, o projeto foi criado pela Unifrance, organização sem fins lucrativos que promove o cinema francês em todo o mundo, há seis anos. “Nosso objetivo era renovar o público para os filmes franceses, exibir uma nova geração de diretores e atores do país e encontrar um público mais jovem com um novo conceito de festival, alcançando pessoas em locais onde não se costuma encontrar filmes franceses em exibição”, explica. “Com o festival, as pessoas podem assistir a filmes que não poderiam em outro lugar.” Ducourtioux destaca, ainda, que a seleção é representativa da diversidade do cinema francês, com filmes de amor, drama, suspense e ação. Para facilitar o entendimento do usuário, a seleção foi dividida em temas: “Beijo francês”, “Comédias em Paris”, “Na sua cara” e “Cena do crime”. “Nós fizemos o nosso melhor para dar ao público uma boa seleção, com filmes populares e de arte.” O resultado dessa campanha de divulgação da produção francesa vem surtindo resultado, segundo ele, até pelo aumento da audiência quando são comparados os números da primeira edição, em 2011, com a deste ano. “Para a primeira edição, tivemos 70 mil sessões de cinema no total. Nesta edição, tivemos mais de mais de 2,5 milhões de visualizações em 15 dias. É um grande passo para o festival, e uma grande recompensa pelos nossos esforços. Estamos felizes em saber que as pessoas gostam do conceito e dos filmes”, comemora. “O MyFrenchFilmFestival tem de ser acessível. Isso significa gratuidade em países onde o mercado de VOD (Video On Demand) não está totalmente maduro, e a pirataria seja importante. Uma parte do nosso público não conhece filmes franceses. Se forem acessíveis, eles podem ter curiosidade, e assim podemos provar que o cinema francês é bom.”

Transpondo barreiras por meio do cinema

Para Jean-Rémi, essa difusão se torna ainda mais importante ao levar-se em consideração as diferenças culturais existentes entre países como o Brasil e a França, que já enfrentam a dificuldade de terem populações que falam línguas diferentes – mas que podem se aproximar graças à linguagem universal do cinema. “Os aspectos culturais são importantes: ao conhecerem o festival, as pessoas querem uma pequena parte de Paris, cidade das luzes, cidade do amor. Eles querem ver algo diferente, sem grandes efeitos especiais, sem super-heróis. Um cinema sensível, com sentimentos, um cinema com um coração. Mas também é muito importante entender que a linguagem do cinema é universal. Se um filme é bom, as pessoas vão gostar, onde quer que estejam.” Cinema francês em casa Quem está aproveitando para conferir o que rola na produção cinematográfica francesa é a fotógrafa Janaina Morais. Desde que o MyFrenchFilmFestival disponibilizou sua programação, ela já assistiu os longas “Henri Henri”, de Martin Talbot, e “Encontro às cegas”, de Clovis Cornillac, e os curtas “Almoço de domingo”, “H procura M” e “Última porta Sul”. Para isso, bastou apenas ligar o PC na televisão por meio de um cabo HDMI. “E tenho alguns filmes ainda na lista, como ‘Alléluia’ (Fabrice du Welz), ‘Onda de calor’ e o documentário ‘French cinema mon amour” (Damien Cabrespines e Anne-Solen Douguet). Além da facilidade para fazer o cadastro e acessar os filmes da programação, Janaina comemora a possibilidade do acesso a uma produção que não costuma ter muito espaço por aqui. “Eu adoro cinema francês. As produções são excelentes, roteiros, atores, cenários maravilhosos… é sempre uma boa pedida! E, infelizmente, é bem difícil ter acesso a esses filmes nas salas de cinema em Juiz de Fora. O único festival que chega aqui e abre essa possibilidade é o Varillux, que não perco nenhuma edição. Poder ter acesso às produções francesas, de graça, em alta qualidade, no conforto da minha casa, não é nada mau.”