Produtores de Juiz de Fora se preparam para feira nacional de audiovisual
Iniciativa voltada para produtoras da região transforma boas ideias em projetos executáveis no Polo JF Cine

Profissionais de Juiz de Fora e região receberam capacitação para apresentar seus projetos audiovisuais para players de todo o país, em uma das maiores feiras audiovisuais do Brasil — a MAX Minas Audiovisual. A oficina, realizada nesta terça-feira (6) em parceria entre Sebrae Minas e o Polo JF Cine, trouxe a jornalista e cineasta Krishna Mahon para ajudar os produtores e criadores da cidade a fazerem o pitching perfeito de suas ideias durante o evento, que irá ocorrer de 10 a 12 de novembro, em Belo Horizonte. Antes de irem para a capital, as 10 produtoras da região que participam da iniciativa vão continuar recebendo apoio para transformarem as boas ideias em bons projetos, aumentando a chance de conseguirem executá-los.
Com vasta experiência na área, Krishna entende que apresentar um bom pitching é etapa essencial de conseguir financiamento. “É muito caro produzir audiovisual, envolve muita gente, então quanto mais segurança dermos, mais chance tem do projeto ser aprovado e ser realizado”, explica ela. Para isso, é possível adotar diferentes estratégias na hora de vender ideias: “Alguns pitchings precisam causar revolta, para que as pessoas entendam o que precisa ser feito para transformar pessoas que transformem a realidade; outros projetos precisam causar felicidade, deixar a pessoa na mesma vibração; se é de comédia, é preciso dar risada e se apaixonar pelos personagens”, exemplifica. Mas o que ela recomenda, sempre, é que o pitching contagie as pessoas com a emoção que se quer causar.
As produtoras da região que aderiram à iniciativa também terão oficina de elaboração de projetos com Júlia Nogueira, e em seguida o Sebrae Minas irá subsidiar essa viagem dos empresários até a feira. Para Leandro Silveira, representante da Mundiça, participar dessa série de capacitações traz uma visão mais assertiva e direcionada para os players que os produtores estão mirando para enviar os projetos. “Trouxe pontos que não tínhamos visto nos projetos ainda, e levanta questionamentos para podermos pressionar os projetos e instigar eles ao máximo, tirando o melhor deles”, ressalta.
O encontro entre trabalhadores da área, reunidos na oficina, também é um dos benefícios percebidos pelos participantes. É o que diz a produtora Juliana Carvalho, da Akaiaka Cultura e Natureza, que trabalhou durante 35 anos com cultura e audiovisual no Rio de Janeiro, mas se mudou para Juiz de Fora recentemente por motivos pessoais. Para ela, essa troca mostra que cinema não se faz sozinho, e que ele é uma atividade coletiva tanto no fazer quanto no desenvolvimento do ambiente que permite a criação cinematográfica. “É fundamental que os produtores se conheçam e os realizadores se relacionem, não só para trocarem ideias, mas também para que, enquanto grupo, possam ter um comportamento político e de classe que possibilite o desenvolvimento da atividade na região”, diz.

Importância para o polo
Essa é a primeira vez que um grupo de profissionais da cidade irá para a MAX. Para o Sebrae e o Polo JF Cine, isso está relacionado a um trabalho continuado de capacitações, consultorias e conversas para entender as necessidades do setor. Foi pensando inclusive nas necessidades dos profissionais que as oficinas foram idealizadas. “Elaboramos uma jornada de preparação para que eles chegassem até a MAX de maneira estratégica, para conhecerem produtoras, canais e distribuidoras bem mais preparados”, diz Daniela Fabri Ferreira, analista de ambientes de negócios do Sebrae Minas.
Para César Piva, assessor especial para desenvolvimento do Polo Audiovisual de Juiz de Fora, são iniciativas como essa que são capazes de fazer com que o polo se fortaleça, pois transformam os projetos da região em produtos efetivos, para que recursos maiores possam posicionar as empresas locais no mercado audiovisual brasileiro. “É uma participação coletiva que posiciona a região no mercado audiovisual brasileiro, principalmente mineiro, de maneira organizada e com alto nível de projetos”, destaca ele.
Nossas histórias
Durante a troca com os participantes da oficina, Krishna disse ter ficado empolgada com a qualidade dos projetos. “Faço essa aula em vários festivais, adapto com os anos, com as questões de mercado. Mas estou impressionada com o quão boas as ideias já eram, já partem de um ponto muito bom e precisam ser pouco lapidadas”, conta. Para ela, dentro do cenário mineiro, é ainda mais importante essa preparação. “Nós, mineiros, somos mestres em contar causos. Nós temos as melhores histórias e um jeito de falar e de ver o mundo que é muito sensacional. Isso virar geração de emprego e renda é juntar a fome com a vontade de comer.”
Além disso, para ela, também é uma oportunidade de deixar as histórias locais e o “nosso molho” vir à tona em produções mais diversas. “Ficamos muito tempo pasteurizados em um eixo Rio-São Paulo, em uma narrativa que era feita por homens, brancos e héteros, e a partir do momento que isso vai se abrindo e pessoas diversas vão contando suas histórias, é como se o horizonte do Brasil crescesse junto”, destaca.









