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Miss Três Rios Gay transforma concurso em espaço de acolhimento e visibilidade

Evento chega à 22ª edição neste sábado e reúne candidatas de diferentes municípios e estados em Três Rios


Por Beatriz Bath

08/09/2026 às 08h00- Atualizada 08/09/2026 às 14h09

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Bárbara Braga foi vencedora em 2023 do Miss Três Rios Gay (Foto: Arquivo pessoal/Bárbara Braga)

Inspirado no tradicional concurso Miss Brasil Gay de Juiz de Fora, o Miss Três Rios Gay celebra sua vigésima segunda edição neste sábado (12) e recebe candidatas de diferentes municípios e até mesmo de outros estados para desfilar em busca da coroa. O evento acontece no Clube Atlético Entre Rios e conta com shows e participações especiais na programação.

O Miss Três Rios Gay foi criado em 1985 e conta com as mesmas regras do nacional: os concorrentes devem ser do sexo masculino, sem intervenções cirúrgicas estéticas e não podem ser travestis ou transexuais. O evento no município próximo a Juiz de Fora conta com apenas um dia de programação e um desfile, já com o traje de gala.

Bárbara Braga, que é de Juiz de Fora e venceu o concurso em 2023, afirma que o Miss Três Rios Gay foi um divisor de águas em sua carreira, sendo uma experiência incrível. “Foi quando eu realmente comecei a minha carreira enquanto artista.”

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Concurso representa um local de acolhimento e pertencimento para participantes (Foto: Arquivo pessoal/Bárbara Braga)

Bárbara destaca ainda os impactos de seu reinado, em que pôde “viabilizar portas e oportunidades para toda a comunidade hoje se inspirar e ter uma possibilidade de conquistar novos lugares”.

Melrranah Rawash, vencedora de 2024, destaca também a importância do evento para as lutas da população LGBTQIA+ e, por isso, valoriza o seu título. “Vencer o Miss Três Rios Gay foi uma das coisas mais incríveis que já me aconteceu.”

Um evento histórico

O Miss Três Rios Gay foi criado há 41 anos, mas realiza sua vigésima segunda edição em 2026. Léo Clériston, que integra a organização do evento há dez anos, explica que o concurso sofreu diversos hiatos desde a sua criação por falta de verba.

“O Miss é um evento custoso”, explica. Apesar de a organização ser apoiada pela Prefeitura com parte da infraestrutura do evento, não consegue cobrir os custos apenas com os ingressos, que neste ano estão sendo vendidos por R$ 20, e com as mesas, por R$ 150. Por isso, em muitos anos, mesmo com o apoio também de empresas locais, a conta não fecha. Mas, ainda assim, para ele, manter o evento é essencial devido aos seus anos de história e de acolhimento.

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Concurso Miss Três Rios Gay em 2006 (Foto: Arquivo/Miss Três Rios Gay)

Mesmo com as limitações, o organizador defende o valor do evento, justamente por sua capacidade de acolher todas as candidatas e a comunidade. “Aqui, todo mundo é bem recebido.”

Com uma recepção calorosa e um bom camarim, a organização do Miss Três Rios Gay busca criar uma rede de apoio entre vestidos e glitter. Neste ano, a vigésima segunda edição conta com misses como juradas, shows de drag e gogoboys, além de personalidades como Yasmin Gaga, Gabrielly Rodin e Naylla Ravel.

O concurso conta com um corpo de dez jurados, que escolherão a Miss Três Rios Gay. Em casos excepcionais, como empates, o público pode, inclusive, participar. O evento representa uma etapa importante para a carreira artística das candidatas e, para além do aspecto profissional, também se ressignifica como um local de acolhimento.

“É muito bonito ver quantas pessoas vieram antes de nós e quantas ainda participam: é uma oportunidade para manter contato com todos”, finaliza Léo Clériston.

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy