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Polo Audiovisual da Zona da Mata exibe o longa “Redemoinho”

Filme de José Luiz Villamarim, baseado em “Inferno provisório”, de Luiz Ruffato, é destaque da plataforma de streaming Polo Audiovisual TV


Por Fabiane Almeida, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

08/05/2020 às 07h06- Atualizada 08/05/2020 às 10h19

O longa-metragem “Redemoinho” (2017) fala sobre retornos e amizade, e nada melhor do que retomá-lo, três anos depois de seu lançamento, dialogando com dois amigos que se encontraram por causa dele. Baseada na obra “Inferno provisório”, do escritor Luiz Ruffato, a adaptação, que ganhou vida nas telas através do diretor de cinema José Luiz Villamarim, chega nesta sexta-feira (8) ao Polo Audiovisual TV (poloaudiovisual.tv), a plataforma de streaming do Polo Audiovisual da Zona da Mata.

Ambientada em Cataguases, terra natal de Ruffato e cenário da maioria de suas histórias, esta trama se desenrola a partir do encontro de dois amigos na véspera do Natal. Um que havia deixado a cidade do interior de Minas para viver em São Paulo, e outro que havia ficado no lugar onde nascera. O elenco contou ainda com grandes atores: Irandhir Santos, Júlio Andrade, Dira Paes e Cássia Kis. A escolha do local, porém, vai muito além de qualquer memória afetiva, mas parte de uma analogia observada pelo autor ao longo de sua vida.

Cena de “Redemoinho” com Cássia Kis e Júlio Andrade (Foto: Walter Carvalho/Divulgação)

“A cidade tem uma questão muito interessante, porque historicamente tem um desenvolvimento econômico que acontece como se fosse um micro Brasil. Ela tem energia elétrica, e a indústria e entra em decadência ao mesmo tempo que o Brasil. Então essa cidade que eu inventei faz uma reflexão muito interessante a respeito do país. O fato de eu ter nascido em Cataguases fez com que eu percebesse essas características, mas se eu tivesse nascido em outro lugar, talvez eu nem fosse escritor”, destaca Ruffato.

Foi essa visão de mundo que atraiu o diretor Villamarim, que, incentivado pela produtora Vânia Catani, buscava uma história para inspirar seu primeiro filme. “O Ruffato é um dos poucos autores brasileiros que trata de uma classe operária, menos privilegiada”, observa. Mas essa busca e o encontro aconteceram há muitos anos, quando “Inferno provisório” ainda sonhava em chegar às livrarias. Isso porque a obra foi construída por Ruffato ao longo de 20 anos, sendo escrita e reescrita diversas vezes. O livro passou a ser um volume único, e todo o empenho rendeu diversos prêmios, entre eles APCA e Jabuti.

“Essa história, que é o plot do longa-metragem, talvez tenha sido uma das primeiras que eu tenha pensado em escrever. Por isso, foi muito engraçado, porque fiquei muito amigo do Villamarim, e quando ele e a produtora Vânia Catani me procuraram há muitos anos, não era isso que ele queria fazer, mas adaptar outro livro meu, o ‘Eles eram muitos cavalos’. Esse livro, inclusive, não chegou a ser adaptado para o cinema, mas foi adaptado cinco vezes para o teatro. No fim da conversa, entreguei o manuscrito de ‘Inferno provisório’, e ele disse ‘Tem razão, aqui tem algo bacana'”, relembra o escritor.

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Para Villamarim, a história ainda lhe trouxe um sentimento a mais: o pertencimento, que o fez se identificar com os personagens e a situação que viviam. “Você sai do seu lugar, vai para outro, mas você estará sempre com aquilo. Eu saí de Belo Horizonte, moro no Rio de Janeiro, mas a capital de Minas não sai de mim”, completa o diretor.

Foto: Walter Carvalho/Divulgação

Livre adaptação

Antes das filmagens, Luiz Ruffato acompanhou José Luiz Villamarim em uma visita a Cataguases, para apresentar sua visão do local. Durante a definição do elenco, o escritor chegou a conversar informalmente com os atores, a pedido do diretor, para contar o que esperava de cada personagem. Em duas ocasiões, chegou até a assistir as gravações, mas sua participação no filme foi mínima. A intenção era que o longa-metragem fosse uma obra à parte.

“Temos que ter liberdade para fazer uma adaptação, romper e avançar com a obra, e o Ruffato foi muito tranquilo com relação a isso. Pediu para ler o roteiro, mas deixou a gente livre”, explica Villamarim, que já tem um histórico de adaptações de outras obras para seriados, como “O canto da sereia” (2013), baseado na obra de Nelson Motta e estrelado por Isis Valverde.

“Redemoinho”, porém, tinha ainda mais um significado pessoal para Villamarim, afinal era seu primeiro filme, um sonho realizado aos 50 anos de idade, depois de desenvolver carreira na Rede Globo, com séries e novelas renomadas. “A televisão para mim foi um acaso, meu desejo sempre foi fazer cinema. Por isso eu digo: não desista do seu sonho, se trabalhar e se dedicar, você acaba realizando”. O filme recebeu os prêmios Especial do Júri e Melhor Ator (Julio Andrade) no Festival do Rio 2016.

Como expectador, Luiz Ruffato diz considerar o filme uma obra-prima e relembra o dia em que o assistiu pela primeira vez, no Rio de Janeiro, junto da equipe. “Foi engraçado, pois, quando terminou o filme e acenderam as luzes, ficamos em silêncio e saímos sem falar, já que ninguém consegue aplaudir o filme, por ser muito pesado. Quando chegamos ao saguão do cinema, me perguntaram: ‘Você gostou? Eu disse que ‘sim’ e ouvi: ‘Que alívio!’.”

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