Depois de dois anos, Marighella estreia

Wagner Moura dirige filme sobre a vida de Carlos Marighella, guerrilheiro morto em uma emboscada na ditadura militar


Por Tribuna

07/11/2021 às 07h00

Marighella
Seu Jorge e o diretor Wagner Moura no set de “Marighella” (Foto: Divulgação)

Em fevereiro de 2019, “Marighella” estreou mundialmente no Festival de Berlim sob os aplausos dos espectadores. Depois de uma série de adiamentos, ataques virtuais e atritos com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), o filme chegou às salas de cinema do Brasil nesta quinta-feira (4). Com direção de Wagner Moura, que também assina o roteiro com Felipe Braga, ele foi baseado no livro “Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo”, do jornalista Mário Magalhães.

O filme conta os cinco últimos anos da vida de Carlos Marighella até sua morte em uma emboscada organizada pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Ele era considerado um dos principais inimigos da ditadura e desde o começo sofria perseguição, sendo um dos organizadores da luta armada e fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN). O recorte da trama é conduzido a partir da relação de Marighella com seu filho, na época com 15 anos, que precisou mudar para a Bahia para se proteger.

Imersos nas violências daquele tempo e com receio da banalização, Wagner Moura disse que preferiu gravar apenar uma cena de tortura no filme, que tem 2h35m. A escolhida para demonstrar a violência ditatorial foi baseada na tortura com eletrochoque de Virgílio Gomes da Silva, também da ALN, que, segundo relato de outros presos da época, disse: “Vocês estão matando um brasileiro”. No filme, o personagem repete os dizeres.

Apesar das críticas de parte do público sobre a escolha do ator – foi questionada a etnia de Marighella -, mesmo antes do lançamento, Seu Jorge é quem interpreta o político comunista. No elenco também estão Bruno Gagliasso, Adriana Esteves, Herson Capri e Humberto Carrão. Eles relataram que, durante as gravações, sofreram ataques e o set de filmagens esteve sob risco de ser invadido por militantes de extrema direita. Como medida de proteção, o filme teve que receber um nome fantasia para pedir autorização para gravar nas ruas.

Moura revelou que a ideia de fazer um filme sobre Marighella partiu de Maria Marighella, neta do guerrilheiro. O ator, que já se interessava por sua história pública, quis assumir a direção para restaurar no imaginário brasileiro a vida de Marighella. O roteiro começou a ser escrito em 2013. O filme só começou a ser montado em 2018.

Até agora, cerca de 37 mil pessoas já assistiram a “Marighella”. A projeção é a de que o filme bata a marca de 100 mil espectadores. Em Juiz de Fora, o filme é exibido em apenas uma sala, em dois horários (14h30 e 17h40), no Independência Shopping.