Depois de dois anos, Marighella estreia
Wagner Moura dirige filme sobre a vida de Carlos Marighella, guerrilheiro morto em uma emboscada na ditadura militar


Em fevereiro de 2019, “Marighella” estreou mundialmente no Festival de Berlim sob os aplausos dos espectadores. Depois de uma série de adiamentos, ataques virtuais e atritos com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), o filme chegou às salas de cinema do Brasil nesta quinta-feira (4). Com direção de Wagner Moura, que também assina o roteiro com Felipe Braga, ele foi baseado no livro “Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo”, do jornalista Mário Magalhães.
O filme conta os cinco últimos anos da vida de Carlos Marighella até sua morte em uma emboscada organizada pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Ele era considerado um dos principais inimigos da ditadura e desde o começo sofria perseguição, sendo um dos organizadores da luta armada e fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN). O recorte da trama é conduzido a partir da relação de Marighella com seu filho, na época com 15 anos, que precisou mudar para a Bahia para se proteger.
Imersos nas violências daquele tempo e com receio da banalização, Wagner Moura disse que preferiu gravar apenar uma cena de tortura no filme, que tem 2h35m. A escolhida para demonstrar a violência ditatorial foi baseada na tortura com eletrochoque de Virgílio Gomes da Silva, também da ALN, que, segundo relato de outros presos da época, disse: “Vocês estão matando um brasileiro”. No filme, o personagem repete os dizeres.
Apesar das críticas de parte do público sobre a escolha do ator – foi questionada a etnia de Marighella -, mesmo antes do lançamento, Seu Jorge é quem interpreta o político comunista. No elenco também estão Bruno Gagliasso, Adriana Esteves, Herson Capri e Humberto Carrão. Eles relataram que, durante as gravações, sofreram ataques e o set de filmagens esteve sob risco de ser invadido por militantes de extrema direita. Como medida de proteção, o filme teve que receber um nome fantasia para pedir autorização para gravar nas ruas.
Moura revelou que a ideia de fazer um filme sobre Marighella partiu de Maria Marighella, neta do guerrilheiro. O ator, que já se interessava por sua história pública, quis assumir a direção para restaurar no imaginário brasileiro a vida de Marighella. O roteiro começou a ser escrito em 2013. O filme só começou a ser montado em 2018.
Até agora, cerca de 37 mil pessoas já assistiram a “Marighella”. A projeção é a de que o filme bata a marca de 100 mil espectadores. Em Juiz de Fora, o filme é exibido em apenas uma sala, em dois horários (14h30 e 17h40), no Independência Shopping.










