Regra de três
Se unido à igualdade e à fraternidade, o termo liberdade constitui lema da Revolução Francesa, que norteia até hoje as bases da concepção de democracia, em Livre, álbum de estreia dos paulistanos do Manuche, ele forma outra trilogia, que traduz a essência do trabalho musical: liberdade, sonoridade e identidade. A relação autônoma com preceitos musicais pré-concebidos começa mesmo no nome da banda, que deriva de um termo cigano de origem indiana e significa homem livre. Queríamos expor nossa personalidade sonora, com músicas que traduzem nossas mentes, nossos corações, nossa energia musical, sintetiza Feeu Moucachen, guitarrista do grupo fundado em março de 2012 com o vocalista Tom Gil.
Com um pé no rock’n’roll e outro no blues, o Manuche é um híbrido dos gêneros, fazendo um bluesy rock, com influências que vão de ícones como Stones, AC/DC e Led Zeppelin, com letras em português, notas blueseiras de gaita e até viola caipira. É uma loucura misturar todas estas vertentes e fazer delas uma coisa só com a nossa cara. Hoje em dia a gente quase não ouve gaita no som nacional, ser a banda que resgata isso é sensacional. Quem é familiar com o instrumento reconhece-o na nossa música e quem o desconhecia é apresentado a ele por nós, conta Feeu, que atualmente trabalha na divulgação do CD junto a Tom Gil e dos músicos de base Zé Ruivo (piano, hammonds e wurlitzer), Thiago Big Rebello (bateria) e Fábio Sá (baixo), preparando um show oficial de lançamento.
No site da banda (http://www.manuche.com.br), já está disponível o clipe de uma das faixas do disco, Alice, protagonizado pela atriz Marisol Ribeiro – que já fez Malhação (TV Globo), Rebeldes (Record) e, neste ano, a série Contos de Edgar (Fox). Composição de Feeu, Tom Gil e Fábio Mauro, a música é aberta por um solo de gaita e vai ganhando tonalidades zeppelinianas até explodir em um refrão que fala sobre os sonhos de uma Alice que pouco faz para vê-los realizados.
Já Lutador tem a guitarra de Andreas Kisser, do Sepultura, mostrando uma faceta diferente do heavy metal que o consagrou, mas sem perder a fidelidade às origens. O dedilhado no início da música, os solos e os riffs não remetem ao Sepultura mas são, de certa forma, pesados, marcantes. Ele conseguiu sair da linha heavy do Sepultura e captar nossa essência sem perder a dele, avalia Feeu. Livre, que batiza o disco, é um rock que transita entre o clássico e o indie, com refrão e marcações de guitarra que remetem a Mick Jagger e seus comparsas. O álbum tem, ainda, participações dos guitarristas Tuco Marcondes (que já tocou com Zeca Baleiro, Elba Ramalho, Edson Cordeiro, Belchior e outros renomados artistas), Billy Brandão (da banda de Frejat), além de Walter Villaça (guitarra) e Felipe Cambraia (baixo), dois d’Os Infernais, banda de Nando Reis.
Para Feeu, apesar de ainda haver dificuldades em conquistar um espaço fazendo um disco inteiramente autoral, o mercado brasileiro está ficando mais aberto a novas bandas, mas é preciso ser persistente. O melhor de tudo é ver as pessoas curtindo uma música, cantando junto e saber que isso é resultado de um esforço seu, das horas que você dedicou àquele trabalho, dos estudos de letra, harmonia e riffs. Tudo é muito mais gratificante.
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