Ouça agora

Foliões voltam para casa


Por Tribuna

07/01/2012 às 07h00

Mais um período de Natal chegou ao fim ontem, data em que se comemora o Dia de Reis. Nascido na Europa Medieval, o culto aos reis originários do Oriente – Melquior, Baltazar e Gaspar – ganhou, ao chegar ao Brasil, traços típicos da cultura popular, mesclando características de variadas crenças, e se transformou na folclórica Folia de Reis. O festejo, iniciado na véspera de Natal, 24 de dezembro, levou diversos grupos a remontarem o trajeto dos três reis magos na visita ao recém-nascido Jesus Cristo, em Belém, para presenteá-lo com ouro mirra e incenso, símbolos de riqueza, respeito e imortalidade.

Aliando cores e canções da cultura popular, transmitidas oralmente entre gerações, foliões de grupos de Juiz de Fora também percorreram as cidades da região. Descalços, passaram de casa em casa, entoando melodias em homenagem ao divino, com seus estandartes, tambores, violas e pandeiros. O dia de ontem foi marcado pelo fim do ciclo dos foliões mascarados em seu retorno para casa.

Porém hoje, 11 grupos estarão reunidos na Praça Antônio Carlos, a partir das 17h, para participar do Encontro de Folia de Reis, promovido pela Associação das Folias de Reis e Charolas de Juiz de Fora, em parceria com a Funalfa . O evento, que faz parte do calendário oficial da cidade, será aberto pela tradicional cerimônia da benção das chaves, presidida pelo padre Guiomar. O público poderá, em seguida, assistir às apresentações de músicas e coreografias típicas apresentadas pelos grupos Resposta do Oriente – Jesus Vivo, A Caminho de Belém, Viagem dos Três Reis Magos, Esplendor do Pai Eterno, Estrela de Belém, Estrela D’Alva, Estrela da Guia, A Estrela da Guia, Caminho da Salvação, Sagrado Coração de Jesus e Sinal dos Três Reis Magos do Oriente.

A tradição da Folia de Reis está presente em centenas de cidades mineiras, de acordo com o levantamento que vem sendo realizado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha- MG). Na Zona da Mata, Belmiro Braga e Matias Barbosa já registraram a tradição como patrimônio cultural imaterial dos municípios. Apesar de populares em várias regiões do país, em Minas a tradição assume um forte regionalismo, e, segundo o gerente de Patrimônio Imaterial do Iepha, Luis Gustavo Molinari Mundim, se mostra mais presente a cada ano. Vimos que a grande maioria dos municípios do estado tem ou já teve grupos de Folia de Reis, avalia.

A pesquisa do Iepha leva em conta não somente os bens de fato registrados no instituto, mas ainda contabiliza as cidades que realizaram inventários que documentam as manifestações. O monitoramento contínuo dá base às ações de apoio a tais expressões culturais. O registro de outros bens imateriais do estado tem despertado a consciência da valorização das festas, dos saberes, do artesanato. Futuras iniciativas de resgate das tradições levantadas, a fim de valorizar a identidade cultural mineira, já fazem parte dos planos do Iepha, segundo o gerente. Contudo, é essencial que a iniciativa parta daqueles que vivenciam os saberes populares. O patrimônio imaterial é feito pelas pessoas. Não adianta apenas o Poder Público se mobilizar. Os detentores do saber é que devem reconhecer a manifestação, ressalta.