Floyd, cotidiano e duas ou três musas

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Adicionar Tribuna de Minas"Julia foi batizada por causa da canção ‘Julia Dream’, do Pink Floyd". Satisfeita a curiosidade um tanto egocêntrica da repórter, Geraldo Muanis prossegue com a conversa, falando sobre seu livro "Teu corpo é uma estátua nua que gira no centro de minha mente", lançado amanhã, com cem poesias intituladas com nomes de mulheres. "Desde a adolescência, o universo feminino me despertou o pensamento, sobretudo assistindo a filmes de Bergman e Woody Allen. Para mim, a mulher é um enigma provocante, maravilhoso."
Autor de três romances, um livro de contos, uma biografia e uma coletânea poética, Muanis reatou o caso com a poesia neste trabalho pela liberdade criativa que o gênero proporciona. "A poesia não tem limites, cada pessoa que lê tem uma interpretação. O que existe é uma sugestão de imagens, uma musicalidade das palavras, o que isso provoca dentro da cabeça de cada um é imprevisível. É como ter escrito várias obras", observa o escritor.
Os primeiros poemas foram escritos nos idos de 1996, e o projeto foi retomado cerca de dois anos atrás, quando Muanis teve a ideia de fechar a obra com cem fragmentos. "Neste período, a visão de escritor muda, mexi em uma coisa ou outra, mas mantive a essência. A maioria, entretanto, ficou como estava." Apenas três foram publicados anteriormente. Dois, na coletânea "Se você souber, os olhos não mentem", em 1992, ambos concebidos dez anos antes: Eliane (Reflexão III) e Regina (Reflexão VIII). O outro é Amália, inserido no conto "o Cisne de Tuonela", do livro "Domingo frio de outono", de 1993.
Metalinguisticamente, o livro tem o prefácio assinado por Eliane Lobato, diretora da "IstoÉ" do Rio, e a capa foi elaborada pela designer Iêda Lima, e ambas emprestam seus nomes a poemas do livro. Além delas, outras figuras femininas que cruzaram o caminho do autor convertem-se em poesia ao longo das páginas, como Diana Muanis, Beatriz Hollanda, Vó Samoça, Ana Vasco, Deise e Simone. "Há duas ou três musas, essa coisa de louvar a beleza mesmo. Mas alguns poemas são profundamente reflexivos, outros tristes, exploro diversas facetas desse belo mistério que é a mulher."
‘Basta mexer comigo’
Segundo Muanis, a inspiração para cada poema vem de fontes diversas, bem como o nome que batiza as criações: matérias publicadas na imprensa, conversas, referências musicais ("adoro a reflexividade do rock progressivo"), situações vividas no cotidiano. "Qualquer coisa que fica ali, ecoando na cabeça, basta mexer comigo. Os poemas nascem do jardim da vida cotidiana, basta regar e observar as coisas lindas que nascem dali", diz o autor, adiantando que o livro acompanha um marcador com o nome de cada inspiradora.
Alguns dos escritos transitam entre a ficção e a realidade, como acontece no tocante "Alma", que une a dor da personagem fictícia a um fato inusitado ocorrido com o autor. "Há anos, quando ainda usava barba, estava descendo o Calçadão, e uma senhora pediu para acariciar meu rosto, dizendo que eu era uma cópia de seu filho falecido, Antero. Nunca me esqueci disso."
Transitando entre o vivido e o imaginado, Muanis homenageia, por meio de Manoela, Amália, Jéssica, Ingrid, Rosa, Matilde, e tantas outras, cada mulher, em suas belezas e imperfeições, dores e venturas. "Na poesia, a palavra não se esconde, tem um poder maior, desmascarando qualquer dissimulação e abrindo novas visões de mundo."
LANÇAMENTO DE LIVRO
"Teu corpo é uma estátua nua que gira no centro de minha mente", de Geraldo Muanis
Segunda-feira, às 19h30
Mabruk
(Rua Moraes e Castro 503)









