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Para manter rotina, religiões aderem a práticas virtuais de culto

Entre evangélicos, espíritas e católicos, o meio é diferente, mas a ideia é a mesma: orar e mostrar que não estamos sozinhos


Por Fabiane Almeida, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

06/05/2020 às 07h04- Atualizada 06/05/2020 às 20h58

Busque um ambiente calmo, sem distrações, para que possa manter sua concentração, e faça login na videochamada. Foi essa a alternativa que grupos de Mocidades Espíritas de Juiz de Fora (@mocidadedoide @mocidade_guarani @medc_casaespirita) encontraram para manter a rotina de encontros semanais com jovens de cada centro. No encontro, que dura mais de uma hora através da plataforma Google Meet, o mediador apresenta um tema, e os participantes podem fazer perguntas e comentários através de microfone e vídeo. Em cada chamada, é comum reunir entre 30 e 50 pessoas, de 16 a 30 anos de idade. Até os pais estão sendo convidados a assistir ao lado dos filhos.

Dandara Diniz, mediadora do grupo Mocidade Espírita, faz reflexões com jovens por meio do Google Meet (Foto: Reprodução)

Segundo Dandara Diniz, intérprete de libras e mediadora do grupo, muitos eventos precisaram ser reagendados por conta da pandemia e até trabalhos de assistência social, como a coleta mensal de alimentos, precisaram ser interrompidos. “Outros encontros vieram para a plataforma on-line, como o grupo de leitura que aconteceu no último domingo (5) e foi muito legal. Pedimos para que lessem o texto antes e, durante uma hora e meia, pegamos trechos mais interessantes para comentar “, conta.

Através do compartilhamento de experiências pessoais, essas conversas são uma forma de fortalecer a fé, ao mesmo tempo em que os participantes se sentem mais acolhidos em meio ao isolamento. Em uma de suas mediações temáticas, Dandara chamou a atenção para os relacionamentos, não apenas com amigos e a família, mas também para a importância de voltar nosso olhar para nós mesmos. “Podemos ligar para um amigo, fazer uma videochamada, mas também estamos tendo uma oportunidade de nos relacionar com a gente: como me relaciono com meu corpo, minha saúde, minhas angústias e ansiedades, meus sonhos e planos? É tempo de nos cuidarmos. Outro dia, trabalhamos um tema sobre família e conseguimos repensar nosso lugar enquanto filhos, irmãos e pais. É uma relação de troca, porque às vezes nos sentimos incomodados pelos pais não respeitarem nosso home office, por exemplo. Mas já parou para pensar que o home office pode causar estranhamento para nossos pais? Tentamos colocar os temas diante dessa quarentena, da crise da saúde pública”, explica.

‘Buscamos falar sobre Cristo, a esperança e a vida’

Com mais de 20 anos de atuação no Brasil e seguindo um modelo evangélico estadunidense, a Ilan Church já possuía uma plataforma on-line com conteúdos para crianças e adultos, mas intensificou o trabalho em decorrência da pandemia. Em Juiz de Fora, o Instagram (@ilanchurchjf) da filial produz, duas vezes por semana, lives mediadas pelo casal de pastores Leonardo e Fernanda Parma, que buscam interagir com os fiéis a partir de temas pré-definidos. A transmissão também conta com a presença de um intérprete de libras.

Carina Lino, membro da Ilan Church em JF, participa de cultos evangélicos que alcançam cerca de 200 acessos (Foto: Reprodução)

“Há conversas sobre como vencer o medo, como ter comunhão on-line, o que pode fazer durante a quarentena, como desenvolver um aprendizado, por exemplo. O pastor inicia falando algo sobre o tema e o que a Bíblia fala e, ao decorrer do encontro, ele questiona os fiéis, dando oportunidade para que outras pessoas exponham sua opinião e dúvidas, é algo bem aberto. A live é finalizada com a solução daquele tema, os prós e os contras. Buscamos falar sobre Cristo, esperança, o caminho, a verdade, a vida e a saúde mental e emocional de cada um”, explica Carina Lino, membro do grupo de liderança de Juiz de Fora. Os cultos chegam a alcançar cerca de 200 acessos, com um público de faixa etária diversa.

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Outra alternativa, foi aumentar a frequência de vídeos temáticos postados no feed nas redes sociais, com o nome Devocional “Café e Graça”, além de manter um WhatsApp aberto para conversas e dúvidas. “Entendemos que essa tecnologia é um meio de alcançar mais pessoas, inclusive que nem conhecemos. Mas tem sido um desafio para editar vídeos e manter o contato à distância. Porque o olho no olho é importante, e a tela não transmite o abraço que queríamos ter”, lamenta.

Para manter um projeto voltado a famílias carentes, a igreja adotou também a alternativa de arrecadar alimentos não perecíveis nas casas dos doadores. Para contribuir, basta entrar em contato pelo telefone 32 99110-4442 ou Instagram @ilanchurchjf e @missoesnuvem.

“Não estamos sozinhos”

Coordenadora arquidiocesana do Movimento de Renovação Carismática Católica, Denise de Jesus observa o quanto sua rotina e de toda a igreja foi alterada pela pandemia. “Sentimos muita falta do abraço e de estarmos juntos, que é uma característica nossa”, comenta.

Incentivadas pelo Papa Francisco a buscar uma nova forma de evangelizar, paróquias de Juiz de Fora também têm aderido a missas on-line pelas redes sociais e encontros virtuais. Assim, o grupo coordenado por Denise se encontra toda quinta-feira à noite, para cantar e orar juntos, com uma câmera, um notebook, voz e violão.

O Movimento de Renovação Carismática Católica, coordenado por Denise de Jesus, se encontra toda quinta-feira com uma câmera, um notebook, voz e violão (Foto: Reprodução)

“Falamos ao vivo com as pessoas que estão em suas casas. A equipe não pode ter mais de cinco pessoas, por recomendação do nosso clero. Alguns estão à frente do vídeos, outros estão por trás da câmera. A interação é bem diferente, as pessoas mandam mensagens com pedidos de oração, entram em comunhão conosco e rezam junto. É muito importante para não nos sentirmos sozinhos, e não estamos porque tem gente do outro lado participando”, relata Denise, que contabiliza cerca de 1.200 participantes em cada transmissão pelo Facebook @RCCjuizdefora. Entre jovens e adultos, pessoas mais velhas vêm se adaptando à tecnologia para não ficar de fora.

Além desta iniciativa, o grupo jovem RenaC (Renascendo no Amor de Cristo) também tem feito lives frequentes, e seminaristas da Arquidiocese publicam reflexões nas redes sociais. “Sempre queremos passar uma mensagem de esperança. As pessoas estão assombradas com o coronavírus e como será depois, mas isso é passageiro. Acima da Covid-19, está um nome e uma certeza, que é Jesus, ele vive, é o Senhor, e o que vale é a palavra dele”, reflete a coordenadora.

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