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Histórias que não envelhecem


Por LEONARDO TOLEDO

06/05/2011 às 07h00

Sonhos não envelhecem, nem as boas histórias. A Isto Cia Teatral constata essas duas afirmativas com o espetáculo O casaco encantado, que estreia sábado, às 17h, no Teatro Solar. A montagem representa a realização de um desejo acalentado há 15 anos pelo diretor do grupo, Gustavo Demetrius e revela a perenidade do texto de Lúcia Benedetti, escrito na década de 1940, mas que permanece atual e ainda garante boa diversão para públicos de qualquer idade. É um texto muito divertido e contemporâneo, comenta.

Para o diretor, o contato com o texto é anterior à própria criação da Isto Cia Teatral, remontando à época em que integravam o Teatro de Comédia. A peça estava em estudo quando Sergio Lessa, diretor da companhia, faleceu. Apesar de não ter se concretizado na época, o projeto deixou boas marcas na memória dos artistas. Sempre quis fazer essa montagem, porque é uma história que traz mensagens muito positivas, de perdão e confiança no próximo, afirma Demetrius.

O casaco encantado traz a história de dois alfaiates desastrados que, por acidente, acabam estragando a roupa favorita do rei. Para se retratar do erro, a dupla é encarregada de fabricar outra peça igual em apenas uma noite. A nova vestimenta, entretanto, acaba sendo alvo de um bruxo, que lança um feitiço sobre quem vestir a roupa do monarca. Brincando com o universo tradicional das fábulas, o grupo pretende agradar não só o exigente público infantil, como os adultos, que representam um percentual expressivo da plateia nos espetáculos da Isto. Percebemos que muitos casais sem filhos assistem a nossos espetáculos.

Marco na dramaturgia infantil

Ao escrever O casaco encantado, há 63 anos, Lúcia Benedetti – mãe da carnavalesca Rosa Magalhães – estava imbuída do propósito de profissionalizar o teatro infantil brasileiro. Usualmente encenado por grupos amadores, sob condições bastante precárias, o gênero ganhou a atenção da respeitada Companhia dos Artistas Unidos, do Rio de Janeiro, comandada pela francesa Henriette Morineau. Estavam lançadas as bases de uma dramaturgia específica para as crianças, com premissas que vigoram até hoje.

Com um clássico nas mãos, a Isto optou por uma adaptação bem próxima do original. Conforme Gustavo Demetrius, as mudanças se restringiram à troca de palavras que caíram em desuso nas últimas décadas. Atualizamos alguns termos, mas sempre respeitando o texto. Viabilizado pela Lei Murilo Mendes, o espetáculo coloca em cena sete atores, vestidos com figurinos de Rogério Belo e cenário de Marcelo Mattos de Mello. O diretor, aliás, afirma que a composição de todos esses elementos aconteceu conjuntamente, durante os quatro meses de leituras e ensaios do espetáculo. Tudo foi criado a partir de conversas em grupo, destaca.

A peça de Lúcia Benedetti passa a compor o repertório da companhia, que já conta com outros quatro títulos infantis: Branca de Neve, Dom Chicote, A bela e a fera e Os três porquinhos. Apesar do sucesso no segmento infantil, o grupo planeja um espetáculo adulto para o primeiro semestre de 2012. Queremos montar um texto de Molière. Mas isso tem que ser pensado a longo prazo, pois exigirá um preparo especial, diz Demetrius.

O CASACO ENCANTADO

Sábados e domingos, às 17h. Até 29 de maio

Teatro Solar

(Av. Independência 2.104)