Henrique Vale, diretor de fotografia da região, atua em documentário da Netflix sobre o caso Eloá

Nascido em São João del-Rei e formado pela UFJF, Henrique Vale assina seu primeiro longa documental na plataforma


Por Maria Luiza Guimarães*

06/01/2026 às 07h00- Atualizada 06/01/2026 às 07h56

Diretor de fotografia da regiao atua em documentario da Netflix sobre o caso Eloa
Foto: Reprodução / Site Henrique Vale

Ainda criança, Henrique Vale descobriu o cinema na casa do avô, Jacir Silva, o Barão, como era conhecido na vizinhança de São João del Rei, no Campo das Vertentes, a cerca de 160 quilômetros de Juiz de Fora. O avô tinha montado uma pequena sala de cinema dentro de casa, 12 lugares que mal comportavam os 18 netos, mas, mesmo espremida, a criançada fazia a festa. As sessões improvisadas, guiadas pela curadoria do avô, viraram rotina e despertaram em Henrique o interesse por aquele universo. Hoje, ele trabalha como diretor de fotografia e realizador audiovisual, aptidão que chegou quase por acaso, mas acabou virando sua profissão. Em novembro de 2025, assinou a direção de fotografia do “Caso Eloá – Refém ao vivo”, seu primeiro longa documental lançado na Netflix, com produção da Paris Entretenimento.

Captura de Tela 9
Foto: Reprodução / Netflix

Início de tudo

Apesar de ter nascido em São João del Rei, a infância de Henrique foi marcada por mudanças, acompanhando as transferências profissionais do pai. A estabilidade veio em Juiz de Fora, onde passou a adolescência e o início da vida adulta. Na cidade, ingressou no curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UFJF e, ainda no período acadêmico, percebeu que queria seguir pelo caminho das produções audiovisuais.

Em 2012, ao lado do amigo Eduardo Yep, dirigiu o curta “Viagem real”, vencedor da Mostra Regional do Festival Primeiro Plano, evento de cinema dedicado a diretores estreantes, com a regional voltada para produções da Zona da Mata Mineira. Realizado em Juiz de Fora entre 26 de novembro e 1º de dezembro daquele ano, o curta recebeu o prêmio de R$ 5 mil destinado ao desenvolvimento do próximo projeto. A produção, que narra a história de dois universitários que adormecem em Ouro Preto e, misteriosamente, acordam em Paraty, foi filmada em cinco dias. Logo depois, Henrique concluiu a pós-graduação em TV, Cinema e Mídias Digitais, também na UFJF, enquanto conciliava trabalhos locais e ajudava o primo em produções culturais na produtora da família.

Mas a virada de chave profissional veio quando surgiu a oportunidade de se mudar para o Rio de Janeiro e ingressar nas oficinas audiovisuais da TV Globo. O programa oferecia formação técnica e prática, com imersões e treinamentos teóricos. Ao fim do processo, havia a possibilidade de contratação, o que se confirmou para Henrique. A partir dali, iniciou uma trajetória que ele descreve como feita de “altos e baixos”, mas que abriu portas para produções cada vez maiores dentro da emissora.

Na Globo e no Globoplay, Henrique acumulou trabalhos em dramaturgia e séries de destaque. Foi diretor de fotografia das três temporadas de “Os outros” e da série “Onde está meu coração” (Gullane/Globo), ambas em parceria com a diretora artística Luisa Lima, uma grande amiga. Assinou também a fotografia de segunda unidade de “Justiça” (Prêmio ABC 2017), “Onde nascem os fortes” e “O rebu”, sob direção artística de José Luiz Villamarim e direção de fotografia de Walter Carvalho. Em 2017, dividiu com Carvalho a fase final de “Os dias eram assim” (Prêmio ABC 2018). Também integrou equipes de fotografia de projetos como “Chapa quente”, “Tá no ar” e “Totalmente demais”. Em 2020, fotografou seu primeiro longa de ficção, “Um casal inseparável”, produção da TvZero com direção de Sergio Goldenberg e roteiro de George Moura. Mais recentemente, dirigiu e fotografou a série “Karanba – Made in Brazil” e realizou trabalhos para GloboNews, SporTV e Multishow.

‘Caso Eloá – Refém ao vivo’

“Caso Eloá – Refém ao vivo” revisita o sequestro da adolescente Eloá Pimentel, em Santo André, episódio que comoveu o país pela cobertura midiática em tempo real. Durante mais de dois dias, o caso ocupou os noticiários com negociações policiais, especulações, tensão constante e até uma entrevista com o sequestrador pela televisão. O documentário traz trechos inéditos do diário de Eloá e depoimentos que nunca haviam sido concedidos publicamente, como os do irmão Douglas e da amiga Grazieli Oliveira. Para Henrique Vale, foi a primeira experiência produzindo para a Netflix e também sua estreia no gênero true crime. Lançado em 12 de novembro, o filme entrou nos destaques da plataforma na semana de estreia, dividindo a atenção com outras produções nacionais, como “Caramelo”, longa brasileiro estrelado por Rafael Vitti e o cãozinho Amendoim, que vinha ganhando força desde sua estreia em 8 de outubro.

Aos 39 anos, Henrique avalia a experiência como uma das mais marcantes da carreira. Ele destaca que a direção geral de Cris Ghattas foi conduzida com ética e respeito, algo essencial diante de um conteúdo tão sensível. Com 85 minutos de duração e classificação indicativa para maiores de 14 anos, “Caso Eloá – Refém ao vivo” está disponível na Netflix.

*Estagiária sob supervisão da editora Cecília Itaborahy