Laura Jannuzzi e Tocarina fazem show que celebra diversidade de Minas Gerais
Evento no Maquinaria marca novo momento artístico de Laura Jannuzzi e estreia do coletivo que mistura referências da Zona da Mata e do Sertão norte-mineiro

O Maquinaria recebe nesta sexta-feira (5) Laura Jannuzzi e a banda Tocarina para uma programação musical que celebra a diversidade de Minas Gerais – além de inaugurar novos momentos artísticos para todos os envolvidos. A artista solo construiu a carreira em Juiz de Fora desde 2004, e apresenta composições inéditas ao público. O show conta com uma formação ao lado de Pedro Brum (guitarra), Max Souza (baixo) e João Cordeiro (bateria), com arranjos que constroem uma atmosfera animada e quente. O grupo musical, por sua vez, tem seu momento de estreia com a formação do encontro entre a Zona da Mata Mineira e o Sertão Norte-Mineiro, formado pelo trio Luisa Gradiva (voz), Max Souza (baixo) e Pedro Dias (guitarra). A casa abre às 20h e os ingressos antecipados estão sendo vendidos a R$15.
Depois de álbuns como “Ondes” (2016) e “Sede da manhã” (2021), que teve participações de Ney Matogrosso, César Lacerda e Clara Castro, Laura Jannuzzi retorna aos palcos para apresentar suas músicas. É um reencontro, como ela define, mas de maneira diferente: a começar pela formação em banda e a adição dos parceiros Renato da Lapa e Luisa Gradiva em algumas músicas. Parte da apresentação será reinventando o que o público já conheceu no último álbum, e a outra parte trará composições completamente novas, que refletem o momento que ela vive agora.
É um show, como explica, que só poderia acontecer em 2025 e no Maquinaria, junto com essas pessoas. “Foi uma construção por meio de processos muito pessoais. Como todas as pessoas, os artistas têm fases na vida, e as fases refletem nos trabalhos que apresentamos. Esse show representa o que estou vivendo agora”, diz. A principal mudança, para ela, é essa roupagem mais “quente” que deu às músicas. Mas foram justamente as suas canções que a guiaram por esse caminho. Como cantautora, são sempre as músicas que a levam a pensar nos shows e até mesmo no ritmo da vida.
A parceria com o Tocarina foi outro grande diferencial para definir o que seria este novo momento: além do show feito na mesma data, ela colabora no momento em que entram no palco, e os membros colaboram na sua parte do show. “Nossas referências conversam e nosso som tem muito a ver. É por isso que estamos tocando juntas”, destaca ela. O gosto por uma música autoral e por experimentações uniu esses caminhos, também ajudando com que os artistas pudessem perceber as perspectivas que a música mineira teve e continua a ter. Para Luisa Gradiva, do Tocarina, é isso que a parceria formada para o show também mostra, como uma história contada em conjunto. “Essas músicas vêm de um mesmo lugar: perpassam um novo momento da Laura e a forma como a Tocarina compõe. As temáticas estão interligadas para além das músicas. Um vai complementar o outro”, diz.
Tocarina inaugura som entre a Zona da Mata e o Sertão Norte

O Tocarina teve início pela descoberta das várias Minas Gerais que existem. O encontro entre Zona da Mata e Sertão Norte do estado ocorreu pela amizade entre Luisa e Pedro Dias, que se conheceram na faculdade. Ele, que é de Montes Claros, a convidou para conhecer sua cidade, e foi durante essa viagem que um embrião para essa criação artística em conjunto começou a se formar. “Eu me encantei pelo Norte de Minas, pela paisagem do Cerrado, por essa diferença que tem dessas paisagens laranjas. Nós começamos a compor juntos nessa viagem e seguimos trabalhando juntos, mas sem pretensão de formar banda”, conta Luisa. Desde que essa se tornou uma ideia real, no entanto, eles já sabiam que iam incorporar os elementos diversos do estado e da música presente aqui como parte da identidade.
É o que esperam fazer no show de estreia, que apresenta a banda para o público, agora com a adição de Max Souza, que também pôde ir acrescentando o seu tom para o coletivo. “Esse show é uma narrativa completa, desse caminhar por Minas e entender como um pluriverso de cenários e culturas. Acho que Minas é um estado quente e acolhedor independente de onde vamos. E nosso show é quente nesse lugar, nesse intimismo”, define ela. A estreia acontece justamente na cidade em que todos vivem, no momento, e que chamam de casa, apesar das referências continuarem diversas (e irem de nomes como Céu e Vanessa Moreno até Amy Winehouse e Luli e Lucina).
O nome Tocarina, como ela conta, foi escolhido em uma dessas situações que resumem bem a mineiridade do grupo. Ela estava passeando por Montes Claros com um violão, quando um senhor a perguntou se ela tocava violino. Um pouco confusa com a situação, ela disse que não. Ele então continuou a perguntando se era “tocarina”, e ela respondeu que sim, que tocava. Ele a benzeu e eles viveram um momento que ela se lembra com carinho, como muito bonito — e que, por um acaso, estava sendo gravado com o celular. “Estávamos precisando de um nome que tivesse um significado maior pra gente. Depois dessa situação, a gente ficou brincando, falando que era ‘Tocarina’, e percebemos que, caramba, esse era o nome que precisávamos”, relembra.









