O criador de Izadora e da história de uma traça

Autor indicado pelo Programa Nacional de Bibliotecas Estaduais, do MinC, Mauro Martins lança “Buraco no papel, o livro vai pro beleléu” (Divulgação)

Depois das férias, retorno com um “Sala de leitura” inédito. Meu bate-papo deste sábado, às 10h30, na Rádio CBN Juiz de Fora, é com o escritor Mauro Martins, autor de inúmeros livros, como “Feliz aniversário, Dani” e “Toca de gente, casa de bicho”, integrados ao Programa Nacional de Bibliotecas Estaduais (PNBE), do Ministério da Cultura. Mineiro de Belo Horizonte, ele lança, neste sábado, na cidade, mais uma obra infantil, de uma lista que já ultrapassa a casa dos 20 títulos . “Buraco no papel, o livro vai pro beleléu” (Neutra editora) traz as peripécias de Izadora, uma menina que se depara com dezenas de furos em seus livros. A garota fica intrigada com o achado e chama sua amiga, Clara, para ajudá-la a investigar o assunto.
“No início era só um buraco. Um pequeno e estreito buraco, onde mal passava um palito de fósforo. Um buraco à toa. Um buraquinho. Começou na capa, atravessou a página 1, a 3, invadiu a página 5, avançou pela página 7, continuou na 9, na 11, na 13 e na 15 já não existia mais”, escreve o autor, que delegou as ilustrações em miniesculturas 3D ao artista plástico argentino Santiago Calonga. “Conheci o Santiago em 1994, quando ele fazia uma exposição em Belo Horizonte, de onde sou e moro. Estou temporariamente em Juiz de Fora. Ele pega um palito de fósforo único e, com o estilete, faz peças com, no máximo, um centímetro de altura. O detalhe bacana é que ele não emenda e nem cola nada. A gente fotografou e ampliou depois os trabalhos. A impressão que dá, no livro, é de que as peças são grandes, mas, na verdade, são minúsculas. “O encontro com o escritor, também ganhador do Prêmio Nacional de Brasília 2014, entre outras honrarias, está marcado para as 14h, na Livraria Liberdade.
Tribuna – Como é a protagonista de “Buraco no papel, o livro vai pro beleléu”?
Mauro Martins – Meu avô tinha umas das maiores bibliotecas da América Latina, e eram livros superconservados. Depois que ele morreu, a família doou os títulos e dividiu alguns entre os parentes. Como eram muitos antigos e, na casa do meu pai, não havia tanto cuidado, eu descobri as traças ali e os buracos que elas faziam. Então, resolvi escrever uma história sobre isso. A Izadora é uma garota que adora livros. Ela tem uma biblioteca pequenininha na casa dela e um dia descobre buracos nos livros. Ela não sabia o que era isso, pesquisou, chamou a amiga e foi atrás. Como elas não sabiam como combater traças, procuraram uma bióloga francesa. Mas a bióloga adorava traças e outros bichos, a casa dela era cheia de rato e barata. Então, as meninas desistiram e resolveram fazer uma receita própria para acabar com elas. O legal é que eu fiz, com o livro, um CD que tem a narração da história, as vozes dos personagens e a trilha sonora, com duas músicas criadas em cima do tema. Com isso, acredito que vou atingir crianças não leitoras, de 3 a 6 anos, e deficientes visuais.
– Alguns autores são contra a tal “mensagem” no final do livro. Você se preocupa com essa questão?
– Nunca passei uma mensagem, tipo moral da história. Tenho o maior cuidado de não apresentar uma história maniqueísta, trazendo o que está certo ou está errado. Simplesmente, vou desenvolvendo o texto sem conotação moral, sem conotação educativa. Literatura é uma coisa, livro didático é outra.
– Alguns de seus livros são distribuídos em escolas de todo o país através do Programa Nacional de Bibliotecas Estaduais, do MinC. Qual o caminho das pedras para conquistar essa indicação?
– Depois que você entrega o livro para a editora, ele não é mais seu. Ele é da editora. Depois que a editora imprime e distribui, não é mais dela, é dos leitores. E quem entra nessas licitações é a editora. Ter um livro seu selecionado para um programa desse e ganhar um prêmio é da maior importância e, até certo ponto, até perigoso, porque a gente diz: “poxa, se ganhei o prêmio no ano passado, o próximo livro não pode ser medíocre”. Desconheço os critérios de seleção do programa. O que eu sei é que há uma cobrança muito grande com a grafia. Por exemplo, eu usava, em alguns livros, o “prá” e não pode porque vai para as escolas. E essa é uma briga minha com a editora porque o “para” quebra o ritmo de uma frase.
LANÇAMENTO DE LIVRO
Mauro Martins
5 de dezembro, às 14h
Livraria Liberdade
(Rua Benjamin Constant 805 – Centro)









