Primeiro Plano 2025 destaca produções juiz-foranas e reforça o protagonismo do cinema local

Festival conta com produções de estudantes e profissionais juiz-foranos


Por Mafê Braga*

05/11/2025 às 17h36- Atualizada 05/11/2025 às 19h06

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‘Cosmo’ é a nova produção do diretor Isaac Nobre (Foto: Nina Cristofaro / Divulgação)

Com a presença de diversos diretores juiz-foranos, o Primeiro Plano 2025, Fstival de Finema de Juiz de Fora e Mercocidades, chega a sua 24ª edição. Em atividade desde o ano de 2002, o programa engloba diretores estreantes em diferentes categorias. Ao final do evento, os participantes das Mostras Competitivas Regionais e também de Mercocidades, concorrem a prêmios em segmentos como “Melhor Filme”, “Direção”, “Roteiro”, “Direção de Fotografia”, dentre outros. Com programação extensa, o evento gratuito segue com atividades até este sábado (8), no Teatro Paschoal Carlos Magno. 

O trabalho universitário em destaque

Cosmo” é a nova obra do produtor Isaac Nobre, mestrando em Comunicação na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e bacharel em Cinema e Audiovisual. O cineasta, que participa pela segunda vez do festival como diretor de curta-metragem, aborda que sua nova produção faz parte de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), juntamente com o de Mariana de Souza, responsável pela direção de fotografia do filme. 

Com previsão de exibição para às 16h, desta sexta-feira (7) no Teatro Paschoal Carlos Magno, a obra integra a Mostra Competitiva Regional. Ela conta a história de Marcos, um jovem estudante de jornalismo, que inicia seu dia com uma rotina simples: prepara seu café da manhã e organiza o lixo de sua casa. No entanto, este ato rotineiro desencadeia uma descoberta sobre o seu vizinho, Carlos: eles contém itens de consumo idênticos, como ingredientes usados no preparo do drink cosmopolitan.

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‘Cosmo’ é o TCC de Isaac Nobre, juntamente com Mariana de Souza (Foto: Nina Cristofaro / Divulgação)

Isaac afirma que “Cosmo” é um curta-metragem sobre memória e amor, que surgiu por meio de um roteiro escrito por Clara Estolano. Assim, ele relata que a partir do questionamento do personagem diante das coincidências, a obra propõe traduzir a experiência contemporânea do desejo e da solidão, utilizando recursos audiovisuais que enfatizam o isolamento do protagonista e sua dificuldade em estabelecer conexões reais.

“Tivemos alguns desafios, como obter autorizações para gravações em espaços residenciais e também as limitações de recursos (…) Fui ainda atravessado pela notícia do falecimento de meu pai. Esse fato quase me fez abandonar o projeto, mas, com muita paciência e o carinho dos meus colegas de equipe, conseguimos finalizá-lo em junho deste ano. Como resultado, temos um curta-metragem tão resiliente quanto sua própria execução, uma história potente que só foi possível graças à dedicação e ao apoio de todos que caminharam conosco nessa jornada”, relata. 

 

Já Luiza Lopes Gomez, estudante de Rádio, TV e Internet (RTVI) pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) também exibe sua obra na Mostra Competitiva Regional desta sexta-feira (7). A universitária relata que a obra “Até quando?” foi resultado de um trabalho interdisciplinar do seu curso, construído em conjunto com Juan Pablo dos Santos, Caio Tavares, Tiago Marchiori, Natã Freitas, Gabriel Belli, Cecília Simão, Sara da Costa e Duda Goettnauer.

Responsável pelo roteiro, Luiza conta que o grupo queria colocar um tema atual e de cunho social em foco. Assim, ela desenvolveu um roteiro sobre duas amigas, Bárbara e Alice, que estão num processo de autodescobrimento na adolescência, principalmente quanto a sexualidade e identidade. Segundo ela, esse é um processo repleto de contradições, pois entende que as dificuldades não são permeadas apenas por pensamentos, mas também por influências externas, como a família.

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‘Até quando?’ foi produzido por alunos do curso de Rádio, TV e Internet da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) (Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação)

“Acho que os principais desafios foram principalmente o tempo, porque, como eu falei, foi uma produção feita para um trabalho interdisciplinar da faculdade, então nós tínhamos que decidir tudo em grupo, além de conseguir criar uma identidade para aquele projeto, para que passasse também um pouco do que a gente sentiu quando produziu. Eu acho que todo mundo se conectou muito com o projeto, que foi tão importante pra mim, por ver ele desde o início tomando forma e depois conseguindo entrar num projeto como o Primeiro Plano”, aborda Luiza.

O diretor de Cosmo, Isaac Nobre, ressalta que Juiz de Fora se tornou um verdadeiro polo do audiovisual, com projetos culturais, oficinas e rodas de debate que fortalecem toda uma rede de profissionais e estudantes. Tal cenário é complementado por Luiza, que enfatiza que o festival dá o espaço para pessoas que estão começando na área de cinema e do audiovisual, sendo um espaço para “colocar essa arte para o mundo”. Por fim, ressalta que, independentemente dos prêmios, o essencial é o incentivo para que continuem produzindo.

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A personagem Dakota Moss é a repórter que investiga o sumiço de Tita Tully (Foto: Caio Dezidério / Divulgação)

Participação em dose dupla

Duas produções cinematográficas do filmmaker Johnny Victor estarão presentes no ofestival na área de “Mostra Audiovisual Juiz de Fora”. Nesta sábado (8), às 14h, o público presente no Teatro Paschoal Carlos Magno, assiste os filmes “Drag Killer” e “Who’s this?”, sendo o último vencedor do prêmio José Sette do Primeiro Plano 2024.

Ambas as obras são protagonizadas pela drag queen Tita Tully. A primeira exibição gira entorno do ataque misterioso de um assassino e o sumiço da drag na cidade de Judge From Outside. Já o segundo, é sobre uma ligação misteriosa que a protagonista recebe após um árduo dia de trabalho.

“O ‘Who’s This?’ foi onde tudo começou. Veio da minha vontade de colocar em prática as minhas ideias no audiovisual. Eu estava sem um novo projeto desde a pandemia e queria muito voltar a praticar. O curta teve uma resposta tão legal do público, passou em vários festivais e ganhou prêmio até no Primeiro Plano também. Foi o que motivou o nascimento do ‘Drag Killer’, que é um longa contando a história completa do curta. O roteiro do ‘Drag Killer’ foi escrito por mim e pelo Yago Navarro. Trabalhamos juntos na estruturação da história e de como gostaríamos de contá-la, no que gostaríamos de provocar como discussão no público. E fazer isso juntando nossas principais referências e fazendo de uma forma divertida”, conta Johnny Victor. 

“Pra mim é muito importante exaltar a qualidade do trabalho dos artistas locais e nossa intenção é mostrar que é possível fazer um trabalho de qualidade mesmo sendo independente. É um filme que saiu sem nenhum patrocínio ou apoio de lei. Na marra mesmo, contando com o apoio dos amigos e de um dinheiro guardado. Fazer cinema independente é muito difícil e ter a chance de mostrar nosso trabalho e trazer nossas discussões pro público é muito gratificante. Me sinto muito realizado!”, finaliza o diretor.

* Estagiária sob supervisão da editora Mariana Floriano