Detalhes despercebidos pelos ‘Caminhos’
Cercas arrebentadas e casas destelhadas e abandonadas. Ruídos presentes em paisagens bucólicas passam batido aos olhos das pessoas. Entretanto, para a artista visual e fotógrafa, Alice Rodrigues, estes detalhes fizeram toda a diferença durante a construção e seleção de sua primeira mostra, "Caminhos", que entra em cartaz hoje, às 20h, na Galeria Celina Bracher, do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM).
Ao todo, Alice, de 23 anos, expõe 82 fotografias inspiradas em sua rotina durante o período em que cursava a Faculdade de Artes da UFJF, quando se deslocava de Santos Dumont, onde morava, para Juiz de Fora. "Cresci em um ambiente rural e sempre fui muito moleca, dessas que subia em árvores, nadava em rios e andava descalço. Sempre observei as paisagens, mas os defeitos ali inseridos me chamavam a atenção. Quando ganhei uma câmera semiprofissional, no ano passado, comecei a fazer os registros, controlando a entrada de luz e a velocidade do obturador por meio do modo manual", conta.
Estreante na arte fotográfica e sem adotar um estilo – ainda – , Alice ressalta que as imagens, produzidas neste ano na região entre Juiz de Fora, Simão Pereira e Santos Dumont, são cruas, ausentes de tratamento e técnicas de manipulação. "O máximo que fiz foi passar algumas para o preto e branco. Tentei deixá-las o mais natural possível para que as pessoas pudessem reconhecer os locais e perceber aquilo que nunca olharam."
Para a artista, a mostra, baseada em objetos desconstruídos, desperta a reflexão para a beleza, a estética e a plasticidade dos defeitos. "É um pensamento que podemos trazer para a nossa vida. Ao olhar para um arame enferrujado, por exemplo, percebemos que ele é mais bonito que um arame novo. Aquilo que é velho, gasto, tem o seu valor, além de possuir sabedoria e uma história."
Nascida em um berço artístico, em que a mãe Myriam pinta aquarelas e os tios Afonso e Daniel Rodrigues são artistas visuais, Alice enxerga esta dádiva como uma porta positiva para sua carreira, porém, tem consciência de que precisa estar sempre atenta e aprimorar seu trabalho. "Ao mesmo tempo que isto me motiva, me apavora. Quando as pessoas associam meu nome ao da minha família, o mínimo que esperam é que seja algo do mesmo nível. É uma cobrança muito grande, mas um apoio imenso! Estou ansiosa para saber o que as pessoas vão achar."
Sobre o futuro, a jovem artista quer ampliar seus conhecimentos na fotografia, principalmente sobre as técnicas de edição. "Demorei para encontrar minha área, agora, quero dar o meu melhor", ressalta. Com a curadoria de Daniel Rodrigues, "Caminhos" segue até ao dia 30.
CAMINHOS
Abertura hoje, às 20h. Visitação de terça a sábado, das 9h às 21h, domingos, das 10h às 21h. Até 30 de novembro
CCBM
(Avenida Getúlio Vargas 200)









