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Programa Cultural Murilo Mendes tem recorde de inscritos

Pensado para dar mais capilaridade à lei de incentivo à cultura de Juiz de Fora, o Programa teve três editais lançados, com 615 propostas atéo momento; outros dois ainda serão lançados neste ano


Por Cecília Itaborahy, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

05/10/2021 às 15h31- Atualizada 05/10/2021 às 19h08

O Programa Cultural Murilo Mendes tem 30% a mais de inscritos em relação à última edição, em 2019, que contemplava um edital geral e teve, ao todo, 474 propostas. Neste ano, com três editais já lançados e inscrições encerradas no ultimo domingo, 3, o programa atingiu 615 propostas. A expectativa, com o lançamento dos próximos dois editais que ainda faltam, é a de que a diferença seja ainda maior.

A mudança da lei foi pensada para abranger outras ideias e localidades de Juiz de Fora. Por isso, foi dividida em cinco editais. O primeiro foi o “Cultura da/na Quebrada”, focado nos agentes da periferia, que teve 109 cadastrados. O edital “Fernanda Müller de Cultura Trans” obteve 27. Seu foco é protagonizar a comunidade trans e suas produções em Juiz de Fora. Já o “Murilão”, de ampla concorrência, teve 479.

Em 2021, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) disponibilizou R$ 2,040 milhões do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (Fumic) para distribuir entre os agentes e artistas locais a partir do Programa Cultural. O valor disponível também é recorde desde a criação da lei de incentivo à cultura de Juiz de Fora. Em nota, Giane Elisa Sales de Almeida, diretora-geral da Funalfa, declarou que, além de mais pessoas inscritas, é possível perceber a maior diversidade entre os proponentes. “Temos participação de pessoas que nunca tinham acessado a Funalfa para desenvolver suas produções artísticas e dar asas às suas ideias.”

Lançado em agosto, o edital “Cultura da/na Quebrada” já deve ter o resultado divulgado nesta semana. Nesta terça (5), saiu o resultado da primeira fase do processo de seleção do “Fernanda Müller de Cultura Trans”. Já as inscrições para o “Murilão” foram finalizadas neste domingo (3) e o julgamento das propostas deve ser inciado na próxima semana. Para saber mais, acesse pjf.mg.gov.br/editaismurilomendes.

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Democratizando a cultura

Programa Cultural Murilo Mendes
“A nossa ideia é buscar novas possibilidades de estender os recursos e, com isso, movimentar todos os campos e os fazeres artísticos” (Foto: Fernando Priamo)

Em entrevista à Tribuna, Giane pontua que, o primeiro edital, “Cultura da/na Quebrada”, já mostrava que o Programa estava conseguindo atingir novos públicos, uma vez que, de todos os inscritos, apenas dois já tinham participado dos editais passados. Mesmo antes de iniciar o processo de julgamento das propostas, ela acredita que o perfil que o “Murilão” alcançou também é diferente, por causa do acesso às redes de plantão, com dúvidas que os proponentes tinham.

“A nossa ideia é buscar novas possibilidades de estender os recursos e, com isso, movimentar todos os campos e os fazeres artísticos.” Para que conseguisse atingir novos territórios, a Funalfa idealizou o “Dedo de prosa”, programa que ia fora do circuito para conversar sobre o edital e mostrar que existem várias artes e que elas podem ser fomentadas pelo Programa. “Eu tenho uma experiência com a busca ativa, e a gente fez isso, acabava convencendo essas pessoas que elas são artistas”, comenta.

Próximos editais

Ela também afirma que distribuir o Programa em editais pelo ano foi pensado como forma de aprendizado, não só aos artistas, mas para a própria Administração. Giane acredita que a iniciativa ainda tem um papel educacional, porque mostra novas realidades e ensina. Os nomes, inclusive, dizem um pouco sobre isso. Cada um deles foi pensado de acordo com os temas que seriam abordados e que buscam ser valorizados. O nome “Quilombagens”, por exemplo, ela afirma que foi escolhido porque vai além da carga ancestral que o nome leva, mas pelos quilombos serem um lugar que abraça as pessoas, de certa forma, oprimidas. Esse edital é uma das ações em comemoração ao mês da Consciência Negra e deve ser lançado ainda neste mês.

Com ele, o edital “Pau-Brasil” vai ser lançado em comemoração ao centenário da Semana de Arte Moderna. As propostas serão executadas em 2022 e, de acordo com Giane, pretende fomentar artes que fazem uma releitura do que foi a semana de 1922 mas que, ao mesmo tempo, “anunciem uma nova arte de contracultura e promovam uma ruptura com o que é produzido agora”. Ao fim de tudo, vislumbrando o resultado, pretende-se dinamizar toda as produções, assim como os territórios.

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