Sergio Neumann fotografa flores e folhas secas

Para “Essentia”, Neumann fotografou flores e folhas secas encontradas em Juiz de Fora e região
De repente, uma folha ou flor seca chamam atenção de quem passa, seja pela beleza, plasticidade ou forma. “Não saio por aí procurando as folhas, acho que elas é que me acham”, diz Sérgio Neumann. Por mais de 25 anos atuando na fotografia, o juiz-forano expõe, pela primeira vez, seu trabalho, na mostra “Essentia”, em cartaz no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, dentro do projeto “Foto 14”. “‘Essentia’, no dicionário, é o que consiste o cerne de um ser. Dentro das flores, está muito mais do que a gente vê no dia a dia. Se paramos para olhar bem, percebemos que ali há sentimento.” Até 14 de setembro, diversos espaços de Juiz de Fora abrigam trabalhos de artistas da cidade e de fora. A edição deste ano homenageia o profissional da Tribuna Antônio Olavo Cerezo, falecido em 2011.
Sérgio comenta que a série de 24 registros em exibição começou a adquirir forma há mais de cinco anos, embora ela tenha ganhado consistência pouco antes de ocupar a galeria. Muitas imagens pertencem à época analógica, outras, porém, nasceram já contando com os recursos da máquina digital. “Em determinado momento, eu fotografava a folha e não via nada. Por isso aguardava para clicá-la em outro dia. Acho que, com o passar dos anos, a gente vai acumulando técnicas até conseguir passar o que realmente está escondido ali. Eu queria trazer essa beleza morta”, explica o fotógrafo, que acondiciona o acervo colhido por suas andanças por Juiz de Fora e região em caixas ou sacos plásticos. Embaúba, agapanto, rosas, sementes de capim, orquídeas e bromélias são apenas algumas das espécies naturais em exposição.
“Após cumprirem seu papel de beleza viva, no ‘pós-morte’, revelam, ainda, um espetáculo de cores, texturas e curvas, encantando nossos olhares e aguçando a imaginação em suas formas. Estes exemplares nos oferecem um mix de arte e técnica, explorando forma, cor, luz e sombra numa sobreposição de imagens, até se chegar a este resultado simplesmente inspirador”, escreve Laura Neumann, esposa de Sérgio, em catálogo do “Foto 14”.
O fundo preto usado em todos os trabalhos parece dar vida ao que já se decompõe. “O branco daria uma suavidade, mas, talvez, não traria a sensação de isolamento que eu queria transmitir. Também é uma questão estética, e cada fotógrafo segue uma tendência”. Além das fotos, o espectador tem a oportunidade de conferir, de perto, parte do que foi preservado ao longo dos anos em um expositor de vidro localizado no centro do local. “Ali estão as que tinham melhores condições de exposição. Algumas folhas já tinham sido dispensadas por mim”, diz o fotógrafo, contando que cada uma de suas “modelos” remetem a uma história.
ESSENTIA
De terça a sexta, das 9h às 21h, sábados e domingos, das 10h às 21h
CCBM
(Av. Getúlio Vargas 200)









