O cafezinho virou café
De complemento do intervalo a motivo para pausa. Se até há alguns anos o cafezinho era visto como o acompanhamento de uma conversa no meio do dia, agora, uma nova tendência vem se mostrando cada vez mais forte. O cafezinho virou café – com direito a certificados, cuidados e técnicas corretas de manuseio.
As pessoas estão não somente procurando produtos de qualidade, mas se preocupando com isso, assim como vem acontecendo com o vinho e a cerveja, afirma o proprietário da Buenavista Café, o barista Ronaldo Muinhos, que neste final de semana ministra um curso de barista no estabelecimento ao lado da também profissional Verônica Belchior.
Verônica, que por sete anos morou em Juiz de Fora e hoje trabalha em Belo Horizonte, observa que o surgimento de novas cafeterias tem contribuído para essa mudança de comportamento. O consumidor passou a frequentar esses espaços e procurar saber mais sobre o café, pontua. Muitos saem do café com leite em busca de detalhes sobre plantio, produção, beneficiamento e modo de fazer e servir a bebida. Ronaldo garante, porém, que nenhuma forma de preparo é melhor ou pior que a outra. É somente uma questão de gosto. Cada método vai dar um perfil de sabor diferente para a bebida, mesmo que usado o mesmo grão.
O brasileiro encontra uma infinidade de marcas e tipos nas prateleiras. Mas como escolher o melhor? Um detalhe ignorado por muitos pode fazer toda a diferença. O consumidor deve prestar atenção na data da torra do café e não apenas na validade do produto. O café vale por seis meses, mas o ideal é que ele seja consumido de uma semana até um mês após a torra. Se não observar este detalhe, você pode estar consumindo um café com cinco meses, por exemplo, explica Ronaldo.
Procurar embalagens com a chamada válvula aromática também é importante. O dispositivo permite que o café libere gás carbônico, mas impede a entrada de gases nocivos ao produto. Verônica orienta que o consumidor busque os selos de gourmet e especial, que certificam a pureza do café. O selo não é algo para deixar o produto mais caro ou torná-lo chique. Ele é a garantia de um produto sem contaminação ou misturas. Observar a procedência do café também pode ser um diferencial. Ronaldo recomenda os produzidos no Sul e no Cerrado mineiro, além daqueles vindos da Zona da Mata mineira e da Mogiana paulista.
No preparo da bebida em casa, um hábito muito comum dos brasileiros, entretanto, deve ser abolido pelos baristas. A água não pode ser fervida, pois, de acordo com Ronaldo, desta forma o líquido queima o café, causando amargor. A temperatura da água não pode passar de 92 ou 93 graus. É neste ponto que começam a surgir as borbulhas antes da fervura, explica.









