Ritmos JF: Os toques do samba afro
O carnaval de 2020 chega com sangue novo. O grupo Muvuka faz sua estreia na rua, trazendo para Juiz de Fora os ritmos afrobaianos – denominação que preferem à mais conhecida, axé.
“Axé é um termo muito midiático, que caracteriza de forma genérica tudo que vem da Bahia. E ligada à axé music, você acaba tendo uma vertente elitista, branca, apesar de ter muitos batuques africanos”, explica Rick Guilhem, regente do Muvuka.
Mais especificamente, eles chegam com o samba afro, prestando suas reverências ao Ilê Ayê, bloco que começou em 1974 revolucionando o cenário musical e o carnaval. “Foi uma época de decadência das escolas de samba de Salvador, que eram ritmicamente muito próximas das escolas do Rio. E com isso, os instrumentos musicais começaram a ficar ociosos”, conta Rick.
O Ilê Ayê soube tirar proveito desse momento. Surgiu dentro do terreiro da Mãe Hilda, na ladeira do Curuzu. E ficou marcado por traçar um caminho entre o que se tocava nas escolas e o Candomblé, trazendo o samba mais “para trás”. Rick explica que o bloco botou uma clave no repinique e, com isso, criou uma cadência mais lenta, swingada. “As acentuações do repique lembram muito o toque de ilú para Iansã.”
“O surgimento do bloco Ilê Ayê foi uma afirmação da estética no negro em Salvador. Era o momento da black e da soul music chegando forte no Brasil. O negro começou a se afirmar realmente como negro. E daí você junta isso com uma música própria, com toques afro.”
Esse foi o primeiro passo para os blocos afro de Salvador, como Olodum, Muzenza, Ara Ketu, Malê Debalê.
O bloco Vem pra Muvuka vai sair na quinta, dia 13, na Praça Antônio Carlos. Já nesta quinta, dia 6, eles fazem um ensaio no Café Muzik.









