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Canal privilegiado de transmissão de informações, o Facebook conta com guias culturais em Juiz de Fora. Muito mais que registrar fatos da vida pessoal ou integrar fóruns de discussões sobre o que ganhou destaque no noticiário, artistas e interessados em assuntos ligados a música, fotografia, moda, literatura, dança, cinema etc usam a rede social para compartilhar o que conhecem.
Ferramentas capazes de enviar fotos, marcar as pessoas por eventos e enviar mensagens em massa estão reunidas na mesma plataforma. O Facebook, conforme o jornalista e professor João Paulo de Oliveira, ampliou a sensação de rede coletiva que já havia sido criada com o Twitter. Isto porque, no primeiro, a quantidade e a qualidade do conteúdo são muito mais complexas e estruturadas. "Algumas pessoas passaram a me reconhecer fora da web por causa do que posto, e, além disso, sinto que estou mais conectado com gente que pensa e atua como eu. Criei uma rede com meus alunos, e as aulas agora têm sua continuação fora da sala – o que é óbvio em uma sociedade desterritorializada", ressalta o jornalista, que divulga eventos relacionados às artes, lança e cobre iniciativas como blogs de amigos, posta fotos de eventos e disserta sobre diferentes assuntos, sobretudo literatura.
O publicitário José Alexandre Abramo acredita que o infinito que cerca a rede possibilita muito mais que o serviço de "quando" e "onde", na medida em que amplia a discussão para destacar ação de bandas, exposições e performances de um modo geral. "A cidade sabe explorar essa forma de divulgação e ainda estreitar laços com outros centros de cultura, como por exemplo o ECO (Performances Poéticas) que manda convites mensalmente para os parceiros do (coletivo) CEP 20.000, no Rio", completa.
Para ele, transitar como um guia cultural serve ainda de válvula de escape para o estresse do dia a dia. "Redes sociais como essas proporcionam mais que a superficialidade de interação, expandem conhecimento cultural e trazem informações desconhecidas, como os próprios eventos que, às vezes, não circulam na grande mídia." Para João Paulo, a espontaneidade é o mote da informação postada. "É essa a sensação de ser um jornalista de verdade, um agitador cultural, quando coloco questões no ‘face’", diz.
Quem concorda é a jornalista e designer Liliane Turolla. Além de um guia de serviços de moda e novidades do mercado de artigos de decoração, ela seleciona assuntos ligados a cinema e música no Facebook. "Isso é o mais interessante, pois não é preciso abrir vários sites (muitas vezes a gente até se esquece de alguns), atualizações, imagens, vídeos. Eu acabo ligada diretamente à fonte, e ela a mim", destaca. Já o namorado dela e músico Thiago Salomão não é tão otimista. "Tem pessoas postando vídeos, por exemplo, que estão na rede há anos", alega. "Novidade mesmo vejo pouca, mas essa pequena quantidade costuma ser de grande qualidade, desde que você descubra um videoclipe novo do fulano, uma peça de teatro que veio à cidade, um show que está para acontecer, um bar novo que vai abrir", pondera.
Ação e reação
Para a cantora Isabella Ladeira, o modo como os "anônimos" também alimentam este nicho de divulgação é interessante, mas tem suas ressalvas. "Como a rede acaba multiplicando, é preciso ter cuidado com promoções e estrutura logística para aplicá-las, pois as respostas são muito rápidas", observa. "A proximidade (e intimidade) com o público a que a rede nos expõe é enorme e difícil de administrar, tem muita gente inconveniente, sem noção", conclui.
Num tom mais pragmático, Liliane Turolla acredita que a finalidade de quem divulga é muito mais comercial que cultural. "Acredito que as redes sociais são espaços para mostrar quem se é, revelar suas opiniões, visões e trabalho. Um artista famoso tem muito mais visibilidade que um ‘anônimo’ e – devido ao grande número de seguidores que atrai – possui uma chance maior de ser contestado", diz. Em seu perfil, ela compartilha shows, filmes em cartaz, produções audiovisuais locais, exposições, oficinas culturais e blogs, além de notícias ligadas à proteção dos animais. Já Thiago Salomão se liga nas novidades sobre música. "Isso te dá uma sensação de proximidade imensa, acompanhei a visita do Motley Crüe ao Brasil através de recados, imagens e mensagens que eles deixaram em suas páginas".
No Facebook, assim como em outras redes sociais, ainda faltam páginas de referência, pois, na maioria das vezes, quem divulga situações ligadas às artes são pessoas. "Falta mesmo um veículo que levante a cultura da cidade", observa o jornalista João Paulo de Oliveira. A coreógrafa Silvana Marques sugere um curso de rede sociais para artistas que queiram promover seus trabalhos, provando que, embora usuários do Facebook se esforçam para guiar a cultura na cidade, ainda há muito o que aprender diante de tantos caracteres.









