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Muitos caminhos até o consenso


Por BRUNO CALIXTO

03/02/2012 às 07h00

Uma espécie de quizz antecedeu o discurso na noite da última quarta. Antes de discorrer sobre os caminhos do teatro e da dança em Juiz de Fora, os presentes respondiam a um questionário de história, proferido pelo veterano Natálio Luz. Não demorou muito e, em poucos minutos, a irreverência dava lugar ao debate acerca das possibilidades das artes cênicas por aqui. Primeiro encontro da classe, proposto pela organização da 11ª Campanha de Popularização, a ideia, que reuniu atores, bailarinos, diretores, produtores e interessados no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), durou cerca de duas horas, tempo suficiente para os participantes criticarem a imprensa, pedirem mais recursos e questionarem maior participação da dança e a disponibilidade de espaços. No entanto, o que ficou no ar é que ainda faltam muitos caminhos a serem descobertos.

Ao discorrer sobre os méritos e abordar as dificuldades da campanha, os convidados Toninho Dutra (superintendente da Funalfa), Cintia Brugiolo (representando Sandra Emília, do Concult), Christine Sílmor (diretora da Ekilíbrio Cia. de Dança), Anderson Ferigate (vice-presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas – Apac/JF), Alexandre Guttierrez (diretor do GTMG/Companhia Tralha) e Raphaela Ramos (repórter de cultura da Tribuna de Minas) fizeram apontamentos sobre o que seria preciso para aperfeiçoar ainda mais a mostra.

Apesar de termos os mesmos problemas que outras cidades, evoluímos no sentido de espaços alternativos, em busca de outros públicos, resumiu Alexandre Guttierrez. A campanha acabou se tornando a liga que une os grupos, emendou Toninho Dutra. Ainda falta apoio a quem opta por sobreviver de arte e ainda permanece no teatro de rua ou na performance contemporânea, disparou Christine Sílmor.

Mas foi entre os espectadores que o clima esquentou. Outros temas vieram à tona, como a inversão da preferência do público, tanto quanto a infantil versus adulto como comédia versus outros gêneros. Como criar estratégias para atrair as crianças outra vez?, indagou o presidente da Apac, Cristiano Fernandes, mediador do encontro. Não vivemos mais esse momento de sensibilidade dramática. O menino vem para estudar na universidade sem nunca ter entrado em um teatro, e a referência que ele tem é o ‘Zorra total’ etc, cutucou o dramaturgo José Luiz Ribeiro, da plateia, de onde o ator e diretor Cláudio Ramos lamentou a desvalorização dos artistas locais nos veículos de comunicação e questionou a redução dos recursos destinados ao evento.

Ao encerrar, Toninho Dutra lembrou que, a despeito da aproximação entre os segmentos, houve desorganização da Apac, que não teria apresentado planejamento ao requerer verba na Funalfa, que, mesmo assim, disponibilizou R$ 10 mil como apoio. É preciso destacar que iniciativas como o curso de teatro do CCBM, os festivais de dança, teatro e cenas curtas e o investimento na infraestrutura do CCBM são um somatório de forças para alavancar as artes cênicas, pontuou o superintendente, deixando para o gran finale sua mensagem de apreço para com a polêmica situação do inacabado Paschoal Carlos Magno. Vou lutar até o fim para concluir as obras do teatro.