Janeiro, juventude e música
Janeiro e juventude costumam se encontrar em praias, montanhas e noitadas. Em Juiz de Fora, a dupla escolhe outro terreno: a sala de aula. Desde ontem, cerca de 150 jovens estão reunidos na cidade para estudar música erudita. Até o próximo dia 12, os participantes também subirão ao palco para mostrar os resultados dessa dedicação durante a programação da 23ª Oficina de Música Cinves, que tem apoio da Prefeitura através da Funalfa. Segundo o regente Ciro Tabet, diretor do evento, a iniciativa se destaca por priorizar a presença dos estudantes nos concertos. "Também procuramos formar turmas que possibilitem o atendimento a todos por parte dos professores", complementa.
A abertura está marcada para esta terça, com o recital de piano comandado por Lícia Lucas, paulista que já se apresentou com mais de 50 orquestras sinfônicas da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina. Em 2003, a pianista atuou na Rússia como solista convidada da Orquestra do Teatro de Ópera e do Balé do Conservatório de São Petersburgo. De acordo com Tabet, Lícia aproveitará a ocasião para lançar por aqui o livro "A genealogia do piano – o desenvolvimento das escolas pianísticas no mundo", além de executar canções de Chopin e Villa-Lobos, entre outros. Todos os concertos, gratuitos, acontecerão na Sociedade Filarmônica, com exceção da noite de encerramento, programada para a Igreja Nossa Senhora do Rosário. O "grand finale" ficará a cargo da Orquestra da 23ª Oficina de Música Cinves, sob a regência de Ernani Aguiar.
Aguiar, como ressalta Ciro, é um dos mais antigos colaboradores da proposta, criada em 1985. De lá para cá, apenas três anos não acolheram edições, por falta de patrocínio. O evento já esteve em outras cidades, como Ouro Preto e São João Del Rei. Em 2012, Ciro resolveu apostar na primeira semana de janeiro, pela ausência de empreitadas culturais concorrentes. "Facilita até para os espectadores", comenta, salientando ainda a mudança no nome, já trazida em 2011 (o antigo era Curso Internacional de Música Scala Cinves).
Para confirmar o perfil jovem da iniciativa, o violoncelista Lucas Barros, de apenas 15 anos, apresenta-se na quarta, ao lado do pianista de Belo Horizonte Hélcio Vaz. Lucas também mora na capital, onde começou a estudar música aos 10 anos. O mineiro precoce foi vencedor do concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais em 2010 e 2011. Atualmente, prepara-se para encarar a Juilliard School, de Nova York, onde conquistou uma bolsa de estudos. "É uma das melhores escolas do mundo", pontua Ciro Tabet.
Os estudantes se dividem em oito oficinas, todas instaladas na Escola Estadual Delfim Moreira. Entre as novidades, estão os cursos de técnica vocal para coralista e co-repetição, que ensina o pianista a acompanhar outros instrumentistas. Violino, viola, violoncelo, orquestra, regência orquestral, regência coral e piano completam as oportunidades. Segundo o diretor, cerca de 40 meninos e meninas do AfroReggae estão inscritos no evento. "Provavelmente, faremos uma orquestra só com eles", adianta Ciro.
Além dos dois professores noruegueses (Ole Böhn e Geir Braaten) que sempre estão no Cinves, chama a atenção a participação de Marcus Ribeiro e Jairo Chaves. O primeiro, violoncelista, frequentou durante três anos a classe do renomado Antonio Menezes na Musik Akademie Basel, na Suíça. Já Chaves, que esteve como aluno na segunda edição do Cinves, é o primeiro violista da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina desde 1995 e da Orquestra de Câmara "Solistas de Londrina" desde sua fundação, em 1998. Entre 2003 e 2004, foi membro da Academia da Filarmônica de Berlim, período em que integrou o naipe de violas da instituição.
Na programação de concertos, está ainda o Trio di Prima (piano, violoncelo e clarineta), formado por músicos que atuam no Theatro Municipal do Rio e na Orquestra Sinfônica Nacional. Os recitais incluem também os professores e os 150 alunos. Esses últimos aparecem em duas noites, com acompanhamento da professora Priscila Bomfim.









