Edson Leão comemora 60 anos e quatro décadas de música com show em Juiz de Fora
Cantor e compositor reúne Eminência Parda e Androids Noturnos em show que revisita quatro décadas de trajetória na cena musical juiz-forana
O primeiro contato de um artista com a música poderia ser a partir de uma banda estadunidense consagrada ou um cantor eternizado em algum hall da fama no exterior. Só que aí não teria tanta graça e nem tanta influência da música brasileira, que tanto marcou a trajetória de Edson Leão. Ele comemora, nesta sexta-feira (2), 60 anos de vida e 40 de carreira musical com um show ao lado de suas bandas Eminência Parda e Androids Noturnos, no Muzik, a partir das 21h30 — como deve ser.
Edson Leão começou suas apresentações como cantor bem cedo, munido de um cabo de enceradeira (que parecia um microfone no pedestal) e uma guitarra de plástico, performando as canções preferidas de sua mãe, principalmente as de Roberto Carlos. Ao mesmo tempo, seu pai ouvia muitas canções de seresteiros e Nelson Gonçalves, o que resultou em uma criação musical marcada por diferentes influências, sobretudo brasileiras.
“Eu não tive um momento de virada de chave, foi um processo lento, que começou na adolescência”, explica o cantor e compositor sobre seu trabalho com a música. Foi nesse período, porém, que começou a buscar suas próprias referências musicais, por influência da irmã, Valéria Leão, que também é letrista e cantora.

Para celebrar sua sexta década, Edson realiza um show acompanhado de projetos que fazem parte de sua trajetória artística, como o Eminência Parda, que conta com 40 anos de existência, formado por ele, Danniel Goulart, Guiley, Luiz Lima, Marcelo Panisset e Wesley Carvalho.
O Androids Noturnos, outro projeto de Edson, composto também por Bruno Tuler, Giovanni Stroppa e Renè Eberle, também embala a noite. Uiara Leigo, Dudu Costa, Thamires Reina, Edmon Neto e Valéria Leão fazem participação especial no evento, além de discotecagem em vinil de Rosa Martins, Bruno Tuler e Gabriel Monteiro.
As letras sobem ao palco
Edson Leão não desgosta de nenhum gênero musical: é possível encontrá-lo ouvindo os mais diferentes tipos de música, desde que seja ela, em essência, autêntica. E autêntica, em sua definição, é aquela que não é imposta pela lógica mercadológica. E é por isso que ele gostaria de ver músicas de diferentes abordagens e gêneros fazendo sucesso pela estética e pelo valor artístico, assim como era quando ele começou na música.
Quando Edson deu seus primeiros passos na música, a cena musical no Brasil e em Juiz de Fora estava a todo vapor. Era a década de 1980 e o MPB, punk e gêneros que uniam a contracultura dos anos 1970 e 1960 com rock eram comumente apreciados. O contexto de ativismo político e a estética em voga também ajudaram a unir jovens em busca de música e a interagir uns com os outros.
Edson começou pensando em ser letrista. Ainda não sabia tocar nenhum instrumento e não sabia que podia cantar — antes de ser vocalista, ainda passaria por períodos de descoberta em corais de igreja e da Pró-música. Por isso, o meio para entrar na música era pelas letras e começou a compor. Ele ficava olhando os encartes dos discos, tentando entender como aquilo funcionava.

Ainda assim, com o empurrão da irmã, ele se apresentou no festival do Colégio Granbery, em 1986, com uma letra composta por ela mesma. Ele recebeu o primeiro lugar e venceu em melhor letra e melhor intérprete.
Um dia, andando na rua ao lado de um amigo que também se apresentou no festival estudantil, os dois foram parados com a pergunta: “Vocês têm uma banda?” Eles não tinham, mas isso foi resolvido depois.
Leão e Wesley foram convidados para um ensaio e encontraram Luciano Calvário, o baterista da primeira formação da Eminência Parda, que seria formada por eles e Lula Oliveira. O curioso é que, mesmo não tendo se apresentado ainda de forma oficial, a banda já era conhecida em Juiz de Fora e os shows eram cobrados.
Mais tarde, eles se apresentariam nos principais festivais estudantis da cidade e em festas do DCE e diferentes diretórios acadêmicos. Bares como o Efeito Laranja e o Prova Oral faziam parte do cotidiano da banda, que circulava entre o punk, pós-punk e referências do MPB da década de 1970.
Fazendo na marra
O músico conta que a cena alternativa era mais corajosa e mais autêntica do que hoje, e as pessoas engajavam mais com aquilo que não era tão óbvio. Se Edson buscava ampliar suas referências para tentar entender o que os artistas cantavam, seu público fazia o mesmo. Gravações em fita cassete da época contam com comentários de quem assistia às suas apresentações, tentando cruzar referências e entender a mensagem por trás da letra.

Edson recorda desses tempos com apreço, feliz com a trajetória que construiu como um artista local, na cena juiz-forana, porque isso também é necessário. E as bandas que participam do Muzik nesta sexta não contam nem a metade da sua produção autoral e em parcerias, construída ao longo de 40 anos.
Se em algum momento ele teve a chance de sair da Zona da Mata e ter reconhecimento nacional, admite que talvez não tivesse estrutura, como uma banda, para isso. E, sem olhar com ressentimento, ele se orgulha do que fez e segue fazendo ao lado de diversos outros músicos, até porque nada se faz sozinho.
Edson também teve reconhecimento, junto com a Eminência Parda, em diversos momentos, e ele está disposto a ser contrariado sobre a informação de que o primeiro CD da banda também foi o primeiro da Zona da Mata a ser gravado.

Edson fez parte da primeira geração do Paraongolé Valvulado, integrou o projeto Pampas Gerais, que unia música gaúcha e mineira, participou do Música, Poesia e Outras Esquinas e integrou o Fusca Voador. Ainda segue nos projetos Eminência Parda, Androides Noturnos e FBI (a Fantástica Banda Invisível).
Sua carreira também conta com tantas outras parcerias, além de projetos autorais como “Mundos achados & perdidos – Tocando solo” (2021) e “Ingressos esgotados… para o fim do mundo”.
Serviço
Eminência Parda + Androids Noturnos | 60 anos de Edson Leão
Sexta-feira (2), às 21h30
Muzik (Rua Espírito Santo, 1081 – Centro)
Ingressos via Uniticket ou na portaria
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy









