Alguém está mentindo

Hassum interpreta político que pode “morrer” pela língua em “O candidato honesto”
Dizer que nada se cria e tudo se copia no cinema e televisão brasileiros é tão redundante quanto avisar que vai “subir para cima”, “descer para baixo”. Se é possível encontrar na telinha genéricos de “A sete palmos” e “Sex and the city”, a sétima arte continua no embalo dos filmes oportunistas da linhagem de “Copa de elite”. A bossa do momento é aproveitar as eleições deste domingo para colocar nas salas de cinema, a partir desta quinta-feira, “O candidato honesto”, comédia dirigida por Roberto Santucci e com Leandro Hassum no papel principal.
A trama é simples e direta: Hassum interpreta o candidato à presidência João Ernesto Praxedes, que avança para o segundo turno das eleições com grandes chances de ocupar o Palácio do Planalto. Praxedes é o típico político demagogo, desonesto e oportunista, capaz de mentir para o público e participar das mais escabrosas maracutaias sem o menor peso na consciência. A uma semana do segundo turno, porém, sua avó, à beira da morte, lança no sujeito uma mandinga que o obriga a dizer a verdade em tempo integral, o que obviamente vai resultar numa série de situações constrangedoras ou que tentam ser engraçadas, como pode ser conferido nos trailers.
Se “Copa de elite” tinha como matéria-prima copiar o besteirol de produções americanas do nível de “Espartalhões” e “Todo mundo em pânico” e “Se eu fosse você” (que reciclava a velha história de troca de corpos), “O candidato honesto” reproduz descaradamente a base dramática de “O mentiroso”, aquele filme em que Jim Carrey é um advogado mitômano que se torna um poço de sinceridade após seu filho desejar que ele pare de mentir.
A partir daí, o personagem principal precisa aprender a lidar com as consequências do que fala, seja chamar a mulher de gorda, avisar à amante que vai largá-la após as eleições, confirmar que participa de esquemas de corrupção ou concordar que é ladrão. Até o clichê de se procurar um pai de santo para tirar “a coisa ruim” do corpo entrou na comédia. Só resta saber qual vai ser a carga de lição de moral que haverá até o final da projeção, num filme que promete abusar nas referências a escândalos recentes – afinal, o filme foi rodado no mês de maio.
Ao que parece, o cinema comercial brasileiro vai continuar apostando na reciclagem de ideias e no carisma dos astros globais.
Outra estreia desta semana é a nova produção de David Fincher, diretor que tem no currículo o icônico “Clube da luta”, “Os homens que não amavam as mulheres”, “O quarto do pânico”, “Seven”, “Zodíaco” e “O curioso caso de Benjamin Button”. Ele volta mais uma vez ao suspense em “Garota exemplar”, adaptação do livro “Gone girl” (2012), de Gillian Flynn. A própria escritora foi responsável pelo roteiro do filme, em que Nick (Ben Affleck, o futuro Batman) é o principal suspeito do sequestro ou morte de sua mulher, Amy Dunne (Rosamund Pike), que sumiu do mapa e do Google Earth no dia em que comemorariam o quinto aniversário de casamento. Com o caso em ebulição, a mídia arma um verdadeiro circo em volta do crime.
A promessa de “Garota exemplar” é que Finch, a exemplo do livro, abuse das reviravoltas na trama e mostre como um relacionamento entre duas pessoas pode ir para o vinagre sem que elas percebam, assim como o fato de a própria opinião pública e os meios de comunicação poderem manipular uma investigação e tornar um inferno a vida do personagem de Affleck.
GAROTA EXEMPLAR
UCI 5: 16h, 19h e 22h. Alameda 5: 15h20, 18h40 e 21h30
Classificação:
16 anos
O CANDIDATO HONESTO
UCI 2: 13h30, 15h45, 18h, 22h30 (todos os dias) e 20h15 (exceto quinta-feira). UCI 4: 12h35 (sábado e domingo), 14h50, 17h05, 19h20, 21h35 (todos os dias) e 23h50 (sexta-feira e sábado). Alameda 1: 14h40, 17h, 19h10 e 21h40. Palace 1: 16h, 18h, 20h e 22h. Santa Cruz 1: 16h30, 18h45 e 21h10.
Classificação:
12 anos









