Histórias bordadas
O que agora se manifesta em estandartes e outros objetos já foi vestido de festa, lenço de pano ou crochê de avó. Após fazer parte da infância e adolescência de Andréa Gerheim, as referências mineiras permaneceram guardadas por um tempo na alma da artista juiz-forana. Até que entraram em erupção e se transformaram em arte. Muito dessa metamorfose pode ser visto atualmente na galeria do Teatro Oi Casa Grande, no Rio. A exposição "Estandartes gerais", primeira do espaço carioca, segue em cartaz até o dia 15 de março.
Segundo Andrea, no princípio, não foi fácil exibir e vender as obras apinhadas de relíquias. "Era dolorido. Agora, porém, sinto prazer em partilhar." O caminho se abriu com patuás para presentear amigos. Depois, veio um estandarte pequeno e simples. Mas a artista seguiu bordando e rebordando aquele objeto desbravador, acrescentando elementos, criando sobreposições. Para fazer o trabalho, sempre teve às mãos peças que contam sua história e a de sua família. Ao final, ela costuma se surpreender com o resultado. "É um processo muito trabalhoso e demorado." Os pedaços de tecidos retangulares, com imagens de santos ou emblemas, ganham, entre outros, cetim, veludo, passamanarias, sianinhas, contas, canutilhos, prata e ouro.
As 29 obras que integram "Estandartes gerais" foram produzidas ao longo de 2011. "Um desafio reuni-las, já que vendo as peças assim que ficam prontas." Ao conseguir montar essa coleção, Andréa pensou em exibi-las, mas não imaginava onde. Convidada pelo Oi Casa Grande para estrear o espaço expositivo e levar ao Rio algumas das riquezas de Minas, aceitou na hora. De acordo com ela, seu trabalho reflete os colégios católicos e as procissões que frequentou. Também está ali o clima de roça que circundou seu passado. "Vejo que o público do Rio se interessa por essa atmosfera", conta a juiz-forana pelo telefone, de prontidão em sua mostra.
Além dos estandartes, Andréa confecciona palmas, bordadas com folhas e flores. Tudo o que passa diante de seus olhos serve de inspiração. "Frequentemente, vou a brechós escolher raridades, como molduras antigas." Segundo Douglas Fasolato, diretor do Museu Mariano Procópio, a artista parece resumir a mineiridade através dos tempos. "É como um coro em harmonia, aguardando a procissão que traz das Minas para o Rio antigos sentidos, como se desejasse promover o encontro do mar e da montanha", diz ele, no folder de apresentação da mostra.
ESTANDARTES GERAIS
De terça a sexta, das 16 às 19h. Até 15 de março
Galeria do Teatro Oi Casa Grande. (Av. Afrânio Melo Franco 290 – Leblon)
(21) 2511-0800









