Escultura em encosta desperta curiosidade
Um rosto esculpido em um barranco na Garganta do Dilermando, na Avenida Rio Branco, desperta a atenção de quem transita pelo local. A obra inusitada rendeu comentários nas redes sociais pela originalidade e suscita discussões a respeito de sua autoria. A Tribuna esteve duas vezes no local, mas não conseguiu encontrar o responsável pelo relevo.
O rosto se projeta na encosta do ponto mais alto da Garganta, sem residências ou estabelecimentos comerciais em seu entorno. Moradores que transitam pelo local dizem ter visto o escultor trabalhando na escultura de cerca de 1,5m de altura ao longo da semana. Em tópicos na rede, afirma-se ainda que não apenas um, mas dois homens foram vistos esculpindo a figura.
O artista plástico Marcelo Aquino intitula a ideia como sensacional. O escultor, que trabalha com aço e sucata há 20 anos, acredita que os traços tribais da obra só podem ter sido feitos por alguém que domina certas técnicas. Quem fez sabia o que queria, deve ter facilidade em trabalhar com madeira, pois sabe esculpir. Vai retirando pedaços para criar os detalhes, o que acaba sendo o contrário do que faço: agregar partes para formar minhas peças, explica.
Para o artista visual e professor do Instituto de Artes e Design da UFJF, Fabrício Carvalho, a proposta se aproxima dos grafismos urbanos, mas, diante da ausência de contexto ou da semelhança com figuras conhecidas, não é possível pensar em postura crítica ou política. No mínimo curioso, este relevo me parece que recupera um fazer artesanal, semelhante a uma carranca, especula.
Arte efêmera ou não, a intervenção urbana pode motivar discussões acerca do direito ao espaço público e do sentimento de apropriação da população. Temos monumentos tidos como oficiais em Juiz de Fora, instituídos como obras de arte e que não são nem um pouco representativos para a sociedade, avalia o professor. A falta de reconhecimento da autoria de monumentos oficiais no município pode, de acordo com especialista, trazer à tona a ideia de que, em determinados casos, as intervenções extra-oficiais – também por vezes anônimas – podem ser mais representativas e aceitas por determinados setores da população.









