Sobre as músicas, as palavras e as pessoas

O mineiro Toninho Horta divulga relançamento de sua biografia e lança até o fim do ano o songbook que revisita sua carreira
A melodia e as palavras cantadas e declamadas se encontram nesta terça-feira, no Mamm, durante o projeto “Leituras temáticas”, que vai reunir dois bons mineiros da música e da poesia. O compositor, guitarrista e produtor Toninho Horta vai divulgar o relançamento de sua biografia “Toninho Horta – Harmonia compartilhada”, enquanto o jornalista e escritor Petrônio Souza Gonçalves assina o seu terceiro livro – o segundo de poesias – “Um facho de sol como cachecol”. Antes da sessão de assinaturas, os dois vão conversar sobre o Clube da Esquina, música, literatura mineira e o que mais surgir. Além disso, Toninho vai acompanhar ao violão três poemas que serão lidos por Petrônio, usando como trilha incidental clássicos como “Igreja do Pilar”, “Durango Kid” e “Céu de Brasília”, além de tocar mais duas canções no que ele chama de “mini pocket show”. “Vai ser uma satisfação retornar a Juiz de Fora. Participei de vários festivais na cidade, tenho muitos bons amigos aí e trabalhei há pouco tempo em um CD do Dudu Lima”, diz Toninho Horta.
Como tantos casos que marcam a história da arte mineira, a promoção em conjunto dos livros é fruto daquele bom e velho “feliz acaso”. A biografia de Toninho Horta, de autoria de Maria Tereza de Arruda Campos, havia sido lançada em 2010, estava esgotada e só foi ter uma segunda edição este ano, e uma as pessoas que ajudaram na republicação foi justamente Petrônio. “Ele me convidou, há três meses, para ir até Varginha com ele para fazer a divulgação em dupla dos livros, e a parceria deu certo”, conta Toninho. “Tudo isso surgiu de uma forma espontânea e natural, não tem explicação lógica”, acrescenta Petrônio. “O evento em Varginha transcorreu naturalmente, rolou um bate-papo, um entrevistou o outro, depois assinamos os livros. Ficou tão bacana que decidimos fazer mais vezes”, diz. Entre outras cidades que a dupla esteve, estão Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Nos planos, estão passagens por Ipatinga, Cruzília, Divinópolis, Uberaba e Araxá.
Uma vida encadernada
A condição de ser biografado foi algo que Toninho Horta considerou extremamente positivo. “Uma das coisas que mais me deixaram felizes foi poder revirar o meu baú de experiências, até de coisas inusitadas que estão no livro. E os fãs gostam. É um livro leve de ler”, anima-se Toninho, que aproveita para citar duas histórias pitorescas que estão no livro. “Quando fui a Nashville (Estados Unidos), levei um violão flamenco e experimentei outros numa loja para comparar. Quando saí do estabelecimento eu tranquei a caixa do violão e só percebi que não estava lá quando cheguei ao Brasil. Achei que tinham roubado no aeroporto, e uma semana depois me ligaram lá dos Estados Unidos para avisar que meu instrumento estava lá. E quando fui tocar no Japão, em 1990, em um show com outros artistas, esqueci uma guitarra no camarim, no meio de toda aquela confraternização. Só fui me lembrar dela três meses depois, em um show no Brasil. Liguei para um amigo que morava em Osaka, e ele disse que não estava com minha guitarra. Esse amigo ligou para o clube, e falaram que ela estava no mesmo lugar, mesmo tendo se passado três meses.” Toninho Horta prepara o lançamento, este mês, do songbook “102 partituras de Toninho Horta”, que chega às livrarias na semana do Natal.
O ‘Homem de Minas’
Responsável por promover o encontro desta noite, Petrônio Souza Gonçalves destaca a proximidade entre as duas expressões artísticas, territoriais e sentimentais. “A música do Toninho foi tema da minha geração, da minha vida. Nós, mineiros, fomos criados ouvindo o Clube da Esquina, MPB. A minha métrica é ligada à musica de Milton Nascimento, Toninho, Lô Borges”, argumenta.
O mais novo trabalho do poeta é definido como “uma reflexão mineira sobre o tema do homem encarcerado pelo tempo através das paisagens montanhosas do estado”. Se parece complicado de entender, Petrônio tenta explicar. “A poesia é você olhar pela fresta e ver além. Então, esse homem preso pelo tempo, nas montanhas em que vive, está em busca de respostas. O Toninho faz isso pela música, eu, por meio das poesias. São vazios que tentamos preencher.”
LEITURAS TEMÁTICAS
Com Toninho Horta e Petrônio Souza Gonçalves
Nesta terça-feira, às 19h
Mamm
(Rua Benjamin Constant 790)









