Cervejarias da região criam experiências turísticas em rota entre Juiz de Fora e Petrópolis
Buona Cerva, Paraizo e Barbante mostram sabores e apresentam histórias em Rota Caminhos e Cervejas
A Rota Cervejeira Caminhos e Cervejas, que liga Juiz de Fora a Petrópolis, coloca em foco cidades produtoras da bebida. Os turistas que visitarem a região podem conhecer espaços que aliam história e gastronomia, guiados por um trajeto que recupera a tradição imigrante e o período imperial brasileiro, mas também promovendo o desenvolvimento dessas cervejarias.
No total, são 23 produtoras que fazem parte da rota, sendo 12 em Minas Gerais e 11 no Rio de Janeiro. Espaços como a Buona Cerva, Paraizo e Barbante mostram diferentes modos de fazer cerveja e como os sabores contam histórias.
Também fazem parte da rota as cervejarias Odin, Tortuga, Sampler, Brewpoint, Colonus, Duas Torres, Doutor Duranz, Olma, Fred, Regalia, Hofbauer, Dovski, Gavioli, Muller, Mirante, Lba, Mr. Tugas, Antuérpia e Wuff.
A ideia é que os turistas possam conhecer a rota por meio de agências ou montar o percurso por conta própria para vivenciar as experiências lentamente. É possível tanto combinar os passeios quanto fazê-los separadamente, de acordo com a disponibilidade e marcação com as cervejarias no novo projeto.
O café mineiro da Buona Cerva
Na Buona Cerva, o “cafézinho” é gelado e vem do lúpulo. A experiência montada pelo mestre cervejeiro Alexandre Laguardia busca valorizar sabores mineiros associados com as cervejas feitas na casa, que fica no Bairro Grama, em uma experiência que mostra as produções das quatro principais escolas cervejeiras: alemã, americana, belga e inglesa.
A ideia é trazer a bebida alcóolica para o café da manhã, mas sem exageros: mantendo a mesma ideia que já ocorre em outras partes do mundo, com drinks como Mimosa e Irish Coffee, mas fazendo toda a harmonização com a cerveja e seus variados sabores.

Essa combinação parte da amarelinha para outros sabores mineiros: linguiça, pão artesanal, brownie e geleias também feitos na casa, pensados tanto para contrastar os sabores quanto para ressaltar as notas.
Um dos pontos altos da experiência é a cerveja que Alexandre fez encomendada por um amigo, que queria agradar a mulher, apaixonada pelo pão de canela de Ibitipoca. O resultado é uma Stout com essas notas. “Nossa mineiridade merece esse destaque”, afirma Alexandre.
A cervejaria já acumula prêmios, desde o 1º Concurso Mineiro de Cervejas até o Concurso Brasileiro da Cerveja em Blumenau e o Brazilian International Beer Awards (BBA).
A história da cervejaria começou em 2014, quando ele começou a aprender a lógica por trás da cervejaria artesanal junto com um amigo. Com o tempo, Alexandre conta que foi se profissionalizando, até que resolveu registrar a cervejaria e enfrentou a pandemia já com ela aberta. “A Rota Cervejeira é uma grande oportunidade para recebermos as pessoas e fazermos um trabalho educativo de mostrarmos o universo das cervejas artesanais”, afirma.
Experiências completas na Fazenda Paraizo
Um dia na Fazenda Paraizo, em Belmiro Braga, começa com tranquilidade e boas histórias. É isso que conta a gerente de produção Luana Gerhein, que explica que o turismo de experiência no local oferece diferentes opções para os visitantes: desde conhecer cafés plantados no local até almoços preparados pela chef Marina Lopes com esses insumos e o consumo de queijos premiados da La Porta e as bebidas da destilaria do local.
São encontros assim que a fazenda tem como objetivo proporcionar. “O turismo de experiência nos ajuda a criar um laço mais estreito com os nossos consumidores. Como estamos situados em uma área rural, muitas vezes as pessoas não sabem onde nós estamos e o que nós oferecemos, então acredito que a rota catalise esse link entre os produtores e as pessoas que querem consumir as experiências que a gente proporciona”, diz.

O local investe em cervejas, vinhos e até bourbons. O diferencial das cervejas são aquelas mais neutras e leves, que levam ingredientes da fazenda, como a larger, que usa mandioca na elaboração. Isso provoca um perfil mais leve para a cerveja e faz com que seja de baixa caloria. “As pessoas conseguem beber mais sem ter aquela sensação de estufamento”, explica.
Além das cervejas tradicionais de mesa, também são produzidas aquelas em maturação em madeira. “Elas levam até dois anos para serem produzidas e liberadas para o mercado. Nós buscamos unir o melhor dos dois mundos, o mundo da inovação com o mercado tradicional da cerveja. Aqui o consumidor encontra experiências para todos os gostos”, conta Luana.
História e tradição com a Barbante
A cervejaria Barbante ostenta o título de mais antiga de Minas Gerais, com uma produção que começou em 1861 e já foi consumida até por Dom Pedro II. É essa tradição que a casa no São Pedro busca manter: na rota, o diferencial será justamente poder contar uma parte importante da história das cervejarias no Brasil, com a perspectiva até da abertura de um museu no local.
“A ideia não é apenas vender cerveja, mas vender composição de turismo, para contar essa história para quem vier aqui”, conta Marcus Vinícius Rezende, atual proprietário da cervejaria.
O nome Barbante veio justamente porque, quando a cerveja começou a ser feita, a pressão da fermentação natural fazia com que explodisse a tampa da garrafa. Para evitar isso, era usado um barbante para amarrar as rolhas de garrafa, que logo a ajudaram a ser reconhecida na região.
A experiência para o turista trará harmonização com o joelho de porco, em uma receita que também remete à tradição alemã do bairro e da origem da família Kunz, que começou a cervejaria.

A junção entre tradição e sabores é o diferencial que o cervejeiro busca. Este ano, inclusive, também irá lançar uma Amber Larger comemorativa pela vinda de Dom Pedro para provar a iguaria — o que também segue uma tendência mundial de valorizar a história das cervejas artesanais. “Quem gosta de cerveja artesanal viaja o mundo atrás de boas cervejas. Estamos buscando esse movimento”, diz Marcus.
Em Juiz de Fora, além da pilsen, ele observa uma procura forte pela red, o que mostra um público já interessado pelo sabor focado no malte e mais maduro em relação ao amargor da cerveja artesanal. Por isso, a perspectiva é que seja mais uma forma de conectar não só quem vem de fora, mas a própria população com essa história.









