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Cataguases: A força do audiovisual na Zona da Mata

A mineira concorre ao título da Unesco de Cidade Criativa, ao lado de Belo Horizonte, Fortaleza e Aracaju

Por Fabiane Almeida, estagiária sob supervisão da editora Isabel Pequeno

01/07/2019 às 18h39

Com cerca de 20 anos de tradição e a memória do cineasta mineiro Humberto Mauro, o audiovisual de Cataguases colocou a cidade nos holofotes. Concorrendo ao título de Cidade Criativa da Unesco, Cataguases é única cidade do interior do Brasil entre três capitais também selecionadas: disputam o prêmio a gastronomia de Belo Horizonte, o design de Fortaleza (CE) e a música de Aracaju (SE).

O projeto, que já reúne 180 cidades de 72 países, tem como objetivo estabelecer parcerias para promover o desenvolvimento internacional das indústrias criativas, impulsionando a diversidade cultural e a construção de novos elos a partir da cooperação mundial. O resultado da edição 2019 deve sair até o fim do ano e deve integrar mais duas cidades brasileiras à rede.

Gravação de “O Menino no Espelho” (2012), baseado em livro homônimo de Fernando Sabino. Cataguases foi cenário da trama representando a cidade Belo Horizonte durante a década de 1930 (Foto: Gustavo Baxter/Alicate/Divulgação)

Para César Piva, diretor e presidente da Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona Mata, com sede em Cataguases, a oportunidade de concorrer ao título já é um reconhecimento do trabalho feito ao longo de duas décadas e a vitória pode permitir muitos avanços para a continuação e ampliação do trabalho cinematográfico. “Cataguases já é uma cidade que tem uma história com o cinema brasileiro, a partir do Humberto Mauro no século passado. Agora viemos conquistando passo a passo um reconhecimento nacional como importante centro de produção no cinema brasileiro. Integrar a Rede Mundial da Unesco é um passo a mais para garantir visibilidade no âmbito mundial, garantindo uma consolidação desse trabalho e nos integrando a uma rede de cidades que já atuam com a perspectiva da economia criativa, encontrando novos caminhos para o desenvolvimento local. Isso abre portas para a cooperação internacional, realização de parcerias de coprodução em Cataguases, atraindo filmes da Europa e do mundo todo para serem feitos aqui. Sem contar o intercâmbio de formação e troca de tecnologias. Temos um interesse muito grande em animações e novos formatos, transmídia. Poderíamos fazer convênios com países e escolas para capacitação de recursos técnicos, humanos e artísticos. Além de atrair filmes e séries de televisão e desenvolver programas de formação de mão de obra especializada e captar recursos internacionais”, destaca.

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Entre 2008 e 2018, foram 27 produções, que movimentaram 1.500 trabalhadores e R$ 14 milhões em investimentos, com R$ 29 milhões de impacto na economia local. Já nas projeções de 2019 e 2020, esses números crescem, com 17 produções, 850 pessoas contratadas, R$ 20,5 milhões investidos por meio de isenção fiscal e um retorno de R$ 42,5 milhões, segundo dados do Sebrae. O que viabiliza todo esse trabalho e faz com que Cataguases se destaque como centro de produção cinematográfica são as parcerias que dispõem dos recursos necessários para atrair filmagens para a região. A cidade conta com o apoio das empresas Energisa e Sebrae, além de prefeituras e Governo de Minas, o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), a Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, o Instituto Fábrica do Futuro, o Instituto Cidade de Cataguases, a Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona Mata e pequenas e médias empresas.

Futuro do cinema

As produções têm atraído profissionais de toda a região, inclusive juiz-foranos que estão trabalhando em Cataguases. Um dos participantes é o diretor cinematográfico Marcos Pimentel, documentarista premiado e reconhecido nacional e internacionalmente. “A perspectiva é que, com o edital que estamos lançamento de R$ 10,5 milhões, possamos realizar praticamente o dobro de projeto nos próximos dois ou três anos, e, com isso, o impacto na geração de empregos será muito grande e irá atrair muitas produtoras de Minas Gerais, trabalhadores e artistas do estado”, explica César Piva.

Projeção: de 2019 a 2020, estão previstas 17 produções em Cataguases, envolvendo 850 pessoas contratadas, com investimento de R$ 20,5 milhões via leis de isenção fiscal (Foto: André Cherri)

Existem oito produções em andamento. “Estamos fazendo o primeiro filme épico e histórico, ‘Órfãs da rainha’, que é nossa primeira grande produção dirigida por uma mulher, a Elza Cataldo, nascida na Zona da Mata. Esse é uma filme de época, da história brasileira no século XVII, que retrata três mulheres mandadas ao Brasil fugidas da perseguição na Europa. Destaco também o filme do Helvécio Ratton, ‘Só não posso dizer o nome’, uma história contemporânea que será rodada ano que vem. E o diretor Marcos Pimentel vai gravar no ano que vem ‘O silêncio das ostras’.”

O impacto da produção audiovisual na região vai muito além dos aspectos econômicos, contribuindo também para a formação de novos profissionais, além de desenvolver projetos com a comunidade. “Como já estamos completando quase 20 anos, temos uma geração de novos talentos culturais e criativos que estão se formando nessa usina de cinema. Muitos deles vão fazer universidade em Juiz de Fora, Belo Horizonte e Ouro Preto, mas, na prática, essa juventude vem acompanhando grandes produções e profissionais do mercado”, ressalta César Piva. O Polo Audiovisual mantém o projeto ‘Usina criativa de cinema’, em que novos talentos podem concretizar suas primeiras produções, participando de festivais e iniciando carreira. O Polo também atua junto a escolas públicas, como o projeto ‘Escola animada’ que faz educação audiovisual, com o objetivo de formação do olhar e valorização do cinema brasileiro. São 25 cineclubes, que exibem filmes produzidos na região.



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