Programa eleitoral leva à troca de acusações na Câmara
O clima de campanha demorou, mas acabou contaminando o ambiente do Palácio Barbosa Lima. A reunião de ontem foi tomada por troca de acusações e insinuações de toda natureza. Por duas vezes, o presidente da Câmara, Carlos Bonifácio (PRB), foi obrigado a intervir para conter os ânimos mais exaltados. Um dos parlamentares com mais tempo na função, Isauro Calais (PMN) chegou a fazer um apelo para os demais evitarem referências mútuas em seus materiais de campanha ou mesmo nos programas de rádio e TV. Primeiro a denunciar o clima nada amistoso na Casa, Júlio Gasparette (PMDB) lamentou o fato de alguns vereadores estarem se valendo de comparações com seus pares como forma de conquistar o eleitor. "Isso nunca aconteceu nesta Casa. Acho isso um erro desnecessário."
Embora ninguém tenha mencionado quem quer que seja, as advertências tinham endereço certo: Wanderson Castelar (PT) e Francisco Canalli (PMDB). O pecado do petista foi ter usado a expressão "se todos fossem iguais a este" na propaganda eleitoral, quando deixou claro ter sido o único vereador que recusou receber 14º e 15º salários. Já o peemedebista ressaltou que foi considerado "duas vezes o vereador mais atuante" pelo Instituto Tiradentes. Como chegaram atrasados ontem, nenhum dos dois tomou conhecimento das insinuações. A questão da pontualidade, aliás, apareceu em alguns discursos. O receio é de que toda a Casa seja exposta por conta daqueles que vêm se ausentando para cuidar da campanha. Além de Castelar e Canalli, João do Joaninho (DEM) também se atrasou. Ninguém apresentou justificativa.
O clima tenso serviu ainda para a polêmica questão das emendas parlamentares ser recolocada em pauta. Para Gasparette, a forma "desrespeitosa" como o Executivo vem tratando as demandas dos vereadores é reflexo das concessões feitas ao longo dos anos. "Fica o aprendizado para aqueles que permanecerem para a próxima legislatura. Se não endurecermos, não seremos respeitados." Aproveitando o mote eleitoral, arrematou: "Se Bruno Siqueira (PMDB) for eleito, não teremos esse problema." Flávio Cheker (PT) também assegurou que com Margarida Salomão (PT) "a história será outra".








