Apreensão de armas de fogo cresce 30% em Juiz de Fora
Aumento é atribuído a maior monitoramento de crimes, troca de informações e uso de serviço de inteligência; resultado reflete queda de 55% nos homicídios consumados em JF no primeiro semestre

A retirada de armas de fogo das ruas de Juiz de Fora aumentou mais de 30% este ano. Dados do Observatório de Segurança Pública Cidadã da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, entre janeiro e maio, 192 artefatos foram apreendidos. No ano passado, durante o mesmo período, o montante foi 147 armamentos. Esse resultado positivo, conforme o próprio Governo mineiro, deve-se ao trabalho de inteligência que vem sendo desenvolvido pelas polícias, que apostam no monitoramento dos crimes e na troca de informações para combater a criminalidade, além do trabalho conjunto entre as forças de segurança.
Para o titular da Delegacia Especializada em Homicídios da cidade, Rodrigo Rolli, a criminalidade está cada vez mais armada e, como a polícia tem investido mais em ações de combate, o resultado é o crescimento das apreensões, que, consequentemente, impacta os registros de homicídios consumados, que caíram 55% em Juiz de Fora na comparação do primeiro semestre deste ano com o mesmo período de 2018, passando de 55 para 25 casos.
“A Polícia Civil está aprimorando seus serviços de inteligência e trabalhando em investigação, fazendo apreensões, em um serviço que vem dando resultado como a maior apreensão de armas e drogas do estado”, destaca Rolli. Ele lembra que, em maio, a Inspetoria Regional de Investigadores e a Delegacia Especializada Antidrogas (DEA) deflagraram a Operação Murum, que culminou na maior apreensão de drogas e armas da história de Juiz de Fora e também de Minas Gerais este ano. Foram três toneladas de maconha, oito fuzis, duas escopetas calibre 12, 23 pistolas 9mm, sendo que seis destas estavam modificadas com kit rajada para funcionarem como submetralhadoras, dois revólveres, uma mira telescópica, uma mira holográfica e uma grande quantidade de munições.
O delegado pontua que o combate à circulação de armas é fundamental para que haja recuo da criminalidade na cidade, já que, segundo ele, os armamentos vêm sendo utilizados em todas as modalidades criminais, mas, principalmente, nas ocorrências de roubos, no tráfico de drogas e nos homicídios. “Cerca de 90% dos assassinatos registrados este ano foram consumados com arma de fogo. No caso do tráfico, a arma é usada como poder para manutenção de ponto de vendas e fazer imperar a lei do silêncio nas comunidades”, afirma.
Além do serviço de inteligência, o delegado considera que a integração entre as forças policiais e entre os estados redunda em um trabalho de qualidade, que culmina na queda de ocorrências. “A troca de informações com policiais de estados vizinhos é importante nesse combate aqui, em Juiz de Fora. Mantemos contato com policiais de São Paulo, Rio e Espírito Santo, para que possamos cada vez mais alcançar nossos resultados”. Rolli também observa que a participação da comunidade é importante por meio dos canais disponíveis, como o Disque 181. “Com uma maior rede de informações, maior é o braço que teremos disponível para fazer o trabalho de proteção da sociedade”, ressalta.
Rota de passagem para armamentos e drogas
Para a Polícia Civil, o grande montante de armas e drogas apreendidos em maio teria procedência no Paraguai e seria distribuído na região, além de outros estados como Rio de Janeiro. Rodrigo Rolli considera que Juiz de Fora não seria o destino final de um carregamento dessa monta, mas a cidade tem funcionado como rota devido à sua localização. “Cortada pela rodovia BR-040, com várias interseções, ligando grandes centros como Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e o Estado do Espírito Santo, esses fatores colocam o município como ponto de passagem para esse armamento com destino a cidades de grande porte, como as capitais da região Sudeste. Juiz de Fora é bem estratégica para essa distribuição”, avalia.
O titular da Especializada em Homicídios afirma que grande parte das armas de fogo que circula no Brasil de forma clandestina tem origem, principalmente, no Paraguai, mas a entrada também pode acontecer via outros países, uma vez que a fronteira brasileira é grande. “É preciso investimento em nível nacional para coibir esses esquemas nas áreas de divisa com outros países, mas não apenas de recursos para as polícias e sim para sistemas aprimorados de troca de informação, com capacidade de monitoramento em parceria com países vizinhos.”
61 armas de fogo apreendidas por dia no estado
Em todo o estado, conforme dados da Polícia Militar, foram 12.262 armas de fogo recolhidas em 2019, levando-se em conta um período um pouco maior, de janeiro a junho. O acumulado equivale a dizer que cerca de 60 artefatos foram retirados das mãos do crime, por dia, em Minas. Já na 4ª Região de Polícia Militar (4ªRPM), que engloba Juiz de Fora e outros 85 municípios, 257 armas foram apreendidas, também entre janeiro e junho. No ano passado, no mesmo período, o número ficou em 239.
De acordo com a assessora de comunicação organizacional da 4ª RPM, major Williana Costa Vieira, o êxito nas apreensões é decorrente de uma série de operações realizadas. “Temos empregado diversas ações como Operação Minas Segura, Operação Batida Policial, Operação Cerco e Bloqueio, incursões em zonas quentes de criminalidade, além de todo o trabalho de inteligência que a Polícia Militar vem desenvolvendo, que é o mapeamento das ocorrências, inclusive dos autores contumazes de cada região da cidade”, destaca a militar.
Ela também enfatiza que a corporação trabalha com a troca de informação com a Polícia Civil. “Fazemos uma união de esforços, que vem resultando nas baixas dos índices de criminalidade”, pontua, acrescentando: “Precisamos e contamos com a comunidade que nos dá um retorno importante e inclusive abastece nosso serviço de inteligência, pois muito de nosso trabalho é realizado com base no que a comunidade denuncia.”
Relatório de monitoramento de registro de crimes realizado pela 4ª RPM mostra que, entre janeiro e junho deste ano, a criminalidade violenta em Juiz de Fora caiu 12,79%. De 594 registros em 2018, o número diminuiu para 518. As baixas também foram percebidas nas ocorrências de roubos consumados, que teve queda de 7,97%. O total retrocedeu de 477 casos, no ano passado, para 439 em 2019. O mesmo aconteceu com o tráfico de drogas que, em 2018, teve 547 registros, e, este ano, foram 504, indicando uma redução de 7,86%.









