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Religiões celebram ressureição


Por MARINA SAD

31/03/2013 às 07h00

Para muitas crianças – e até mesmo adultos -, hoje é um dos dias mais esperados do ano por causa da tradicional troca de ovos de chocolate. Porém, para os cristãos, o ovo e até o coelho da Páscoa têm outro significado: a vida, a ressurreição de Jesus, ponto central da fé cristã. "Do ovo ‘brota’ a vida. Isso relembra Jesus, que esteve sepultado e ‘saiu’ do sepulcro ressuscitado. Os coelhos fazem tocas e se escondem no inverno. Quando começa a primavera, eles saem. Assim, lembram Jesus que passou ‘escondido’ na terra e ressurge para a vida", explica o doutor em teologia, Volney Berkenbrock, que é professor da pós-graduação em ciências da religião da UFJF.

Ele diz que, além dos cristãos, como católicos, luteranos e metodistas, só os judeus celebram a Páscoa. No entanto, as religiões atribuem significados distintos para a festa. "Enquanto no judaísmo a Pessah (Páscoa em hebreu) lembra a libertação do povo da escravidão do Egito, a Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus".

Segundo o arcebispo de Juiz de Fora, dom Gil Antônio Moreira, essa é a maior comemoração dos católicos, superando, inclusive, o Natal, quando se comemora o nascimento de Jesus. O arcebispo explica que a palavra Páscoa significa passagem. "A verdadeira passagem é a de Cristo, da morte para a vida, que garantiu a todos nós a vida eterna. Para celebrar o momento ápice da fé cristão, as igrejas programaram várias missas (ver quadro). Em Juiz de Fora, a expectativa é de que 36 mil fiéis lotem os templos hoje. Toda a região abrangida pela arquidiocese deve receber 86 mil seguidores.

Como cristãos, os luteranos também dão importância especial à data. "Para nós é a festa da ressurreição. É Jesus Cristo que venceu a morte para que nós também tenhamos vida eterna", explica o pastor José Alencar Lhulhier Júnior. As comemorações luteranas começam às 6h, com a alvorada pascal, um culto especial ao ar livre na capela luterana de São Pedro, na Cidade Alta (Av. Senhor dos Passos 1330). "Iniciamos o dia louvando a Deus pela ressurreição", explica o pastor. Às 10h e às 19h30, acontecem cultos com Cantata de Páscoa, no templo central (Rua Dom Pedro II 46, Mariano Procópio) e no Borboleta, na Cidade Alta (Rua Guilherme Debussy 151). Outro culto festivo acontece ainda, às 19h, na igreja central.

 

Outros significados

Segundo o mestre em teologia e doutorando em Ciências da Religião Júlio Eduardo Simões, a Páscoa judaica, celebrada nos dias 25 e 26 de março, é a memória histórica da libertação do Egito, onde os hebreus eram escravos". Essa história, conforme o teólogo, está no livro sagrado dos judeus, o Tanaka, ou no antigo testamento da Bíblia. "Isso não significa que a Páscoa cristã não faça essa memória. A grande diferença é que cristãos também relembram a ressurreição de Jesus", acrescenta.

Volney lembra que judeus e cristãos celebram a festa de modo diferente. "A tradição judaica é marcada por rituais e comidas." Júlio Eduardo explica que, na ceia judaica de Páscoa, um candelabro com sete velas é aceso, recordando a criação do mundo em sete dias. Em outro momento, uma erva amarga é mergulhada no vinho com maçã e mel, mistura conhecida como charoset. A erva simboliza a escravidão, e o charoset, a esperança da libertação, já que, para os judeus, ainda não existiria um salvador da humanidade, como Jesus Cristo é visto pelos cristãos.

Para os espíritas, que não creem na ressurreição, não há significado especial para a Páscoa. Segundo o seguidor da doutrina Iriê Salomão de Campos, da Casa do Caminho, para o espírita, a festa enaltece o renascimento, possível somente na reencarnação. "A reencarnação é o renascimento em outro corpo, com intuito de retomar o caminho de onde se parou, em um corpo novo, para aprendizado do evangelho." Assim, Jesus seria o maior e mais iluminado espírito que já passou pela terra. "Nunca haverá outro (espírito) igual. Ele é o grande mestre que todos devem seguir", acrescenta.