Prédios tornam-se risco de dengue em JF
Em época de risco iminente de uma epidemia de dengue, inclusive com decreto de situação de emergência, o estado de alguns prédios públicos abandonados na cidade preocupa, já que podem acabar se tornando criadouros do Aedes aegypti. É o caso da antiga sede da Superintendência Regional de Ensino (SRE), na Rua Mariano Procópio, bairro homônimo. O mesmo problema é encontrado na construção inacabada do Teatro Paschoal Carlos Magno, na Rua Gilberto de Alencar, atrás da Igreja São Sebastião, no Centro.
No primeiro caso, o prédio não é utilizado desde 2009, quando a sede da SRE passou para a Rua Espírito Santo, no Centro. A situação de abandono é bem visível para os moradores do entorno e para pedestres que circulam. A preocupação, em relação à dengue, é principalmente o mato, que pode esconder objetos com água parada. No entanto, além disso, as paredes se encontram sujas, com falta de pintura, e rachadas. Janelas estão quebradas e parte da fachada caiu com as chuvas no final do ano passado, segundo informações de moradores. O problema se estende às calçadas, quebradas e com mato.
A atriz Maria Inocência Viríssimo, de cuja casa pode se ver os fundos do terreno, acrescenta outro problema: a presença constante de pombos no telhado do imóvel. Segundo ela, durante o tempo de abandono, a casa foi se deteriorando pouco a pouco. O estudante Dione Mártir Romanhol, que mora em frente ao prédio, conta que a situação tem piorado com as chuvas. "Acho um desperdício, uma área boa como essa, um prédio antigo parado, enquanto falta escola", completa. O jornalista aposentado Getúlio Vargas Machado, preocupado com a situação, fez registros fotográficos da fachada do prédio.
Já o cenário do Teatro Paschoal Carlos Magno perdura há mais de 30 anos. Hoje o local serve de depósito de material operacional de eventos realizados pela Funalfa. No último andar da construção, há estruturas que visivelmente podem acumular água parada nesta época de chuvas. Além disso, a funcionária de uma casa vizinha, na Rua Marechal Deodoro, conta que já ouviu reclamações sobre a presença de ratos, focos de dengue e morcegos. "Vamos ver quando o Poder Público irá tomar uma providência", acrescenta. Somado a esses problemas, o muro de frente do terreno ainda está todo pichado.
As obras do teatro foram iniciadas em 1980. Já naquela época, percebeu-se que haveria necessidade de construir uma contenção no entorno para garantir a estabilidade, porque a terra era muito argilosa. Entretanto, o valor orçado ultrapassou o previsto pela Prefeitura na época. Desde então, a Funalfa vem tentando conseguir verbas para terminar as obras, sem sucesso.
Proliferação de ratos e insetos
A professora do departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFJF Maria Helena Gomes acredita que o maior problema em relação aos prédios abandonados seja o acúmulo de água parada, podendo provocar a proliferação do vetor da dengue. Além disso, ela ressalta que essas estruturas podem servir de abrigo também para outros animais, como baratas, ratos, cães e, consequentemente, pulgas. Muitos destes são transmissores de doenças, como leptospirose e febre maculosa.
Para a docente, o problema torna-se ainda maior caso esses espaços venham a ser ocupados também por pessoas, como moradores de rua, as quais podem ser infectadas. Ela lembra também que o abandono é responsável ainda por problemas de segurança pública. "É necessário analisar quem são os proprietários e como o município pode utilizar esses espaços de forma mais efetiva: transformar em escola, algo público, fazer uma reforma, uma limpeza, para que não fique parado", sugere.
Busca de recursos
Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Estado de Educação disse que a manutenção do terreno é responsabilidade da Superintendência Regional de Ensino (SRE), juntamente com o Demlurb. A última vez que houve limpeza e capina foi em janeiro, e a superintendência vai enviar uma equipe para avaliar a necessidade de nova capina. A pasta alega ainda que o prédio é tombado pelo patrimônio histórico. Sendo assim, um estudo estaria sendo viabilizado junto ao Departamento de Obras Públicas (DOP) para restauração da construção. No entanto, a assessoria não sabe informar qual vai ser a utilização depois da reforma, já que o projeto ainda está em andamento.
Já o superintendente da Funalfa, Toninho Dutra, garante que a capina do lote do teatro é feita periodicamente e que a construção é limpa. "Pode, porventura, ter aparecido um ou outro rato, mas nada constante. Temos cerca de 12 a 15 funcionários que trabalham e se alimentam lá, mostrando que o local é limpo." Em relação aos focos de dengue, o superintendente afirma que é feito um trabalho junto com a equipe de zoonoses do município, sempre retirando o acúmulo de água, pulverizando e desinfetando o local. Toninho lembra que são necessários aproximadamente R$ 5 milhões para terminar as obras. "Estamos trabalhando para a capitalização de recursos, já que a Prefeitura não tem como disponibilizar esse montante. É uma meta pessoal tentar terminá-lo."









