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Imagens dão pistas sobre espancamento


Por Daniela Arbex

31/03/2012 às 06h00

44 segundos depois, imagem revela que não havia mais ninguém no local

44 segundos depois, imagem revela que não havia mais ninguém no local

O silêncio envolvendo o espancamento que resultou na morte de Marcelo Rodrigues, 18 anos, no Bairro Cascatinha, no último domingo, após o assalto a um casal de idosos, começa a ser quebrado. A partir da localização de testemunhas do caso, a Tribuna conseguiu, não só resgatar detalhes do crime, como obter com exclusividade, imagens captadas por circuito de TV que revelam hora e local onde o rapaz teria sido atacado pela primeira vez. O material já está em poder da Polícia Civil. As imagens permitem reconstituir os últimos momentos de vida de Marcelo, que sofria de problemas psiquiátricos e era usuário de drogas. O sistema de segurança privado, que capta imagens através de um sensor de movimento, mostrou Marcelo caído no chão da Rua Antônio Marinho Saraiva, que faz esquina com a Avenida Presidente Itamar Franco, às 13h25, cercado por jovens. Cinco pessoas aparecem nas imagens, mas três homens, um adulto e dois possíveis adolescentes, rondam o rapaz. Um deles, com skate nas mãos, pega algo no chão e faz movimentos, apontando para o rapaz. Às 13h26, o grupo ainda acena para outras pessoas que não aparecem nas imagens. Às 13h28, nem Marcelo, nem os outros rapazes são vistos mais no local. Uma testemunha encontrada pelo jornal contou que, depois daquele momento, Marcelo foi levantado pelo grupo, teve uma das mãos colocadas para trás do corpo e, imobilizado, foi levado em direção à Avenida Paulo Japiassu. A distância do local onde ele teria sido agredido a socos e pontapés até o ponto onde o morador do Bairro Dom Bosco foi encontrado desacordado no chão e com fraturas múltiplas é de apenas 200 passos, cerca de 60 metros.

A delegada da Polícia Civil que investiga o caso, Sheila Oliveira, disse ontem a Tribuna que as imagens do circuito de TV vão contribuir para a identificação dos autores do homicídio pela Polícia Civil. A partir delas, os investigadores esperam garantir o reconhecimento dos suspeitos. Além de um adulto, pode haver pelo menos dois adolescentes envolvidos no caso. Sheila afirmou, ainda, que vai pedir a realização de perícia nas imagens captadas por sistema privado de segurança, bem como do computador em que elas foram arquivadas. O vídeo não mostra nenhuma cena de agressão. O início das investigações foi recebido com certo alívio pela cuidadora de idosos Eliane Rodrigues, mãe de Marcelo. Obrigada a reconhecer o filho morto, Eliane conta que não conseguia reunir forças para lutar por justiça. "A imagem do meu filho desfigurado não me sai da cabeça. Foi muito desesperador vê-lo daquela forma, já que sua morte foi muito brutal. A cena de seu corpo vem em minha lembrança", lamenta Eliane.

 

‘Ele não tinha como reagir’

Uma moradora do Cascatinha presenciou Marcelo em fuga e sua perseguição por cerca de oito pessoas até a Rua Antônio Marinho Saraiva. A rota feita pelo rapaz coincide com o trajeto para sua casa, bem na entrada do Dom Bosco. Talvez por isso ele tenha tentado fugir em direção à via depois de roubar uma bolsa de uma idosa acompanhada do marido na Rua Itamar Soares de Oliveira, também no Cascatinha. A moradora conta que uma pedra teria sido lançada contra ele, já na altura da Antônio Marinho Saraiva, que fica embaixo do viaduto. A primeira testemunha revelou que nenhum dos homens flagrados pelo circuito de TV tentou ajudar Marcelo. "Não tinha ninguém querendo ajudar", respondeu, ainda receoso, ao revelar o que viu. "Foi tudo muito rápido. A gente fica tenso sem saber o que fazer." Em outro trecho da conversa, ela afirma que havia um tumulto grande. "Sabia que estava acontecendo uma coisa muito errada. Logo depois, eles levantaram aquele rapaz e o levaram lá para frente." Questionado sobre uma possível reação de Marcelo, a testemunha foi enfática: "Ele não tinha como reagir". Sobre a retirada de Marcelo do local pelo grupo, a fonte comentou: "o rapaz levantou ele (sic), levou o braço dele para trás, para ele não reagir, e levou ele lá para frente (sic) (em direção à Avenida Paulo Japiassu). Ele foi andando." O que aconteceu nos próximos minutos ainda é uma incógnita. Porém, da retirada de Marcelo da Rua Antônio Marinho Saraiva, às 13h28, até a comunicação do assalto praticado pelo rapaz e de seu espancamento passaram-se apenas três minutos, conforme registro da ocorrência policial número 201228126 feito às 13h31. Segundo o atestado de óbito, Marcelo morreu no HPS, na madrugada do dia 26 de março, de politraumatismo. Por questões de segurança, as testemunhas ouvidas pela Tribuna preferiram ter o nome mantido em sigilo.