Estudante americano é achado morto no Centro


Por Guilherme Arêas e Sandra Zanella (colaborou Kelly Scoralick)

31/03/2012 às 06h00

Bombeiros foram acionados por populares

Bombeiros foram acionados por populares

Um adolescente norte-americano de 16 anos, que estava em Juiz de Fora em intercâmbio estudantil, foi encontrado morto, na manhã de ontem, em cima do telhado da sobreloja do edifício número 1.843 da Avenida Rio Branco, Centro, onde funciona a Cesama. O corpo estava sobre a parte lateral do prédio, na Rua Afonso Pinto da Mota. Pouco depois das 7h, populares acionaram o Corpo de Bombeiros e informaram sobre o caso. O Samu também esteve presente e constatou o óbito do rapaz ainda no local. Ele portava dois celulares, carteira com dinheiro e documentos, cartões de crédito, um cartão de vale-transporte, além do passaporte. O jovem foi identificado como Simon Cristof Miranda, natural do estado de Illinois, localizado na região Centro-Oeste dos Estados Unidos. A ocorrência atraiu a atenção de curiosos e ainda mobilizou policiais militares e federais, estes por se tratar de um cidadão estrangeiro. Peritos da Polícia Civil também estiveram presentes para realizar os levantamentos. Cerca de três horas depois do fato, o corpo foi encaminhado para necropsia no Instituto Médico Legal (IML). As polícias Federal e Civil trabalham com a hipótese de suicídio.

Simon morava há menos de dois meses na casa de uma família brasileira no Bairro São Pedro, Cidade Alta. Abaladas, as pessoas que hospedavam a vítima preferiram não se manifestar sobre o caso. Pelos dados do passaporte do estudante, ele teria dado entrada no país no último dia 4 de fevereiro, com visto para permanecer por um ano, mas já teria visitado o Brasil, por cerca de 20 dias, em agosto do ano passado.

O delegado chefe da Polícia Federal (PF), Cláudio Dornelas, informou que comunicou a morte de Simon ao Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro e à Coordenação Geral de Polícia de Imigração (CGPI), órgão da PF. "Houve esse fato lamentável envolvendo esse jovem registrado como estudante em solo brasileiro. Estamos comunicando aos órgãos competentes, mas a parte legal fica a cargo da Polícia Civil, porque não houve ofensa à União", explicou o delegado. "Um agente da Polícia Federal esteve no local e me relatou que há indícios de suicídio."

A Polícia Militar também confirmou a hipótese e qualificou o caso como autoextermínio (suicídio) no Registro de Evento de Defesa Social (Reds), o antigo boletim de ocorrência, mas só os laudos de necropsia e da perícia poderão apontar a causa e as circunstâncias da morte. Segundo informações da PM, o adolescente teria subido até o décimo andar do edifício e pedido ao recepcionista do balcão de atendimento da Cesama para ir até o 11º e último pavimento do prédio, alegando que queria pegar um documento que teria esquecido no local. Ao ser informado que o acesso ao andar era restrito, o jovem teria pego o próprio celular e começado a falar em outro idioma. Enquanto conversava, ele teria subido nas cadeiras da recepção, que ficam encostadas em uma parede com janela, e passado para o lado externo da construção, quando caiu. Ainda conforme a ocorrência, antes disso, por volta das 6h45, o garoto teria sido deixado por um responsável em frente à escola particular que estaria frequentando.

 

Polícia Civil vai abrir inquérito

O Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro informou que foi comunicado oficialmente da morte do adolescente em Juiz de Fora, mas a Lei de Privacidade daquele país (Privacy Act) impede que o órgão divulgue informações sobre a situação de cidadãos norte-americanos. Pelo mesmo motivo, não há confirmação sobre o traslado do corpo de Simon ao país de origem. No entanto, o consulado confirmou que o procedimento padrão nesses casos é avisar os responsáveis e prestar assistência, caso a família solicite, no sentido de intermediar o contato dos parentes com autoridades brasileiras.

De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Civil, a titular da 7ª Delegacia Distrital, Mariana Veiga, vai abrir inquérito e intimar testemunhas para esclarecer os fatos. A delegada aguarda ainda o laudo de levantamento do local, para saber se houve indício de crime, além do laudo de necropsia, que vai determinar as causas da morte. Com base nos resultados, serão definidos os procedimentos relacionados ao caso.

O representante da empresa de Juiz de Fora responsável pelo intercâmbio do jovem estrangeiro disse que aguarda os trâmites da Polícia Federal e preferiu não se pronunciar.