Ouça agora

Assaltos violentos assustam a população da cidade


Por Guilherme Arêas*

30/12/2011 às 07h00

Casos de vítimas agredidas por assaltantes durante as ações criminosas têm chamado a atenção no município. São cada vez mais comuns exemplos de pessoas que precisaram de atendimento médico, inclusive sendo internadas, depois de serem roubadas na rua. As agressões são feitas mediante socos, chutes e até facadas. Na última quarta-feira, uma menina de 13 anos foi assaltada e sofreu tentativa de estupro, no Centro. Segundo a PM, a adolescente transitava pela Avenida dos Andradas, quando foi abordada por um homem, que anunciou o assalto. Ele ameaçou a vítima de esfaqueá-la, caso ela gritasse. Em seguida, determinou que ela andasse rápido de mãos dadas com ele. Depois de passar por algumas vias do Mariano Procópio e do Democrata, o criminoso tentou levar a garota para um matagal na Rua Bernardo Mascarenhas, no Fábrica, Zona Norte. Ela teria implorado para deixar que fosse embora, e ele desistiu da violência sexual, seguindo com a vítima pela Avenida Rui Barbosa, no Santa Terezinha. No local, o homem roubou o celular e tentou beijar a adolescente. Ela foi orientada por ele a voltar pelo mesmo caminho e a não falar sobre o ocorrido. O suspeito fugiu e não foi localizado.

Outro caso de assalto com violência ocorrido nesta semana teve como vítima um agente socioeducativo, de 40 anos, que foi espancado durante roubo à mão armada na Vila Ideal, Zona Sudeste. Por volta das 2h30 da última segunda-feira, ele desembarcou de um ônibus na Rua Major Luiz de Barros, quando foi rendido por um ladrão armado com faca. Mesmo depois de entregar carteira e celular, a vítima foi chutada até cair no chão. Temendo mais agressões, o homem correu e se escondeu em um lote para conseguir acionar a PM, mas o assaltante conseguiu escapar.

Ainda em dezembro, um comerciante, 30, chegou a ser baleado em um assalto na Avenida Getúlio Vargas, no Centro. Ele retirou dinheiro de uma de suas lojas e atravessava a via com duas sacolas, quando o carona de uma motocicleta, armado com revólver, atirou na direção da vítima e puxou um dos pertences de sua mão. O criminoso fugiu no veículo, levando a sacola que continha lanches, e a que estava com dinheiro continuou em poder do comerciante. O tiro atingiu o lado direito da virilha da vítima e saiu pelo glúteo esquerdo. O homem foi socorrido até a Santa Casa, onde foi medicado e liberado.

No início do mês, dois adolescentes,15 e 17, foram esfaqueados durante um assalto na Rua Morais e Castro, entre os bairros São Mateus e Alto dos Passos, na Zona Sul. As vítimas saíam de um bar quando foram abordadas por um homem, armado de faca, que exigiu os bonés dos rapazes. Diante da negativa dos adolescentes, o homem passou a desferir as facadas, que atingiram o jovem mais novo no peito e o outro nas costas. Eles foram encaminhados ao HPS, onde foram medicados e liberados.

No final do mês passado, uma idosa, 67, teve a bolsa furtada na Avenida Brasil, altura do Vitorino Braga, região Sudeste. A vítima foi encaminhada ao HPS com um dos dedos da mão machucado. Outra mulher, 48, foi agarrada, levou um tapa no rosto e outros golpes durante um assalto, na Rua Agassis, no Mariano Procópio, região Nordeste. Ela foi abordada por um homem, que lhe deu uma gravata, enquanto outro roubou R$ 200, vindo a agredi-la depois. A mulher precisou ser medicada no HPS.

Comércio também é alvo

Alguns assaltos a estabelecimentos comerciais também são marcados pela violência. No início do mês, um padeiro de 33 anos levou coronhadas na cabeça enquanto três homens assaltavam a padaria em que ele trabalha, na Rua São Bernardo, no bairro de mesmo nome, na Zona Leste. O roubo aconteceu por volta das 5h30, quando a vítima chegava para trabalhar. Os assaltantes levaram R$ 15 mil, e o padeiro precisou ser atendido no HPS.

Mais de cem ocorrências na Rio Branco

De acordo com a Polícia Militar, 1.599 furtos, roubos e extorsões foram registrados em Juiz de Fora entre janeiro e outubro deste ano, contra 1.676 no mesmo período do ano passado. Só na principal via da cidade, a Avenida Rio Branco, foram 101 ocorrências desse tipo nos dez primeiros meses do ano. Em novembro, uma secretária, 28, ficou assustada após ser agredida durante um assalto. Ela seguia pela Rio Branco, quando dois homens a abordaram, à noite, próximo ao cruzamento com a Avenida Brasil. Um deles chegou me dando uma gravata, e o outro roubou meu celular e arrancou minha bolsa. Eu me machuquei, mas fiquei tão assustada com a brutalidade que nem procurei atendimento médico, conta.

Na mesma avenida, um universitário de 23 anos levou um soco durante assalto praticado por dois homens, que o abordaram, próximo ao Bairro São Mateus, Zona Sul. Eles pediram minha carteira e o celular. Quando falei que não tinha o aparelho – na verdade, eu tinha -, eles me deram um soco na barriga, pegaram minha carteira e fugiram. Assustado, o jovem correu para casa e, só depois, registrou um boletim de ocorrência, relatando o roubo dos documentos e de cerca de R$ 40.

Em setembro, uma enfermeira de 54 anos foi jogada no chão por dois homens, após a dupla roubar o celular da vítima. O crime aconteceu por volta das 13h30, quando a mulher passava pela Avenida Rio Branco, na altura do Bom Pastor, na Zona Sul.

Intimidação

Além das agressões, ação comum dos assaltantes tem sido encostar a faca no pescoço das vítimas, como forma de intimidá-las. Um estudante de 18 anos viveu essa situação no final de novembro, durante um assalto praticado por dois homens, na Avenida Rio Branco, no Centro, por volta das 9h. A dupla roubou R$ 20 e um celular, fugindo em direção à Zona Sul. Ação semelhante aconteceu com outro estudante, 18, no mesmo mês. Ele teve uma faca pressionada contra o pescoço ao ser rendido na Rua Batista de Oliveira, no Granbery. Segundo o boletim de ocorrências da PM, o jovem estaria indo em direção ao colégio, quando teria sido abordado por um homem, que levou celular e R$ 20.

Fim de ano

Para a assessora do 2ª Batalhão da Polícia Militar, capitão Kátia Moraes, a violência nos assaltos a pedestres pode ser explicada principalmente pelo período em que foram praticados. No final de ano, o infrator quer cometer o delito, pois acha que precisa arrumar dinheiro de qualquer jeito. Então, ele passa a agredir, justamente para intimidar a vítima.

Entre os casos relatados, em nenhum houve, em princípio, reação violenta da vítima que justificasse a agressão por parte dos bandidos. A assessora recomenda que os pedestres evitem reagir e tentem verificar as características físicas do suspeito, principalmente detalhes, como tatuagens e cicatrizes. Com essas informações, assim que possível, acione a Polícia Militar pelo 190.

* colaborou Sandra Zanella