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Fiscais do IMA interditam matadouro clandestino


Por Guilherme Arêas

30/11/2012 às 20h08

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*Atualizada às 20h08

Um matadouro clandestino foi fechado na manhã de desta sexta-feira (30) por fiscais do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e policiais da 4ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito (IndMat) da Polícia Militar, em Coronel Pacheco. A suspeita é de que a carne era vendida a vários açougues de Juiz de Fora, incluindo estabelecimentos nas zonas Norte e Nordeste. Por volta das 8h, os técnicos e policiais entraram na propriedade rural, que fica às margens da MG-353, onde flagraram dois bovinos que haviam acabado de ser abatidos e outros dois aguardando o abate. Segundo os fiscais do IMA, o local não apresentava condições de higiene adequadas para esse tipo de procedimento. Enquanto os técnicos interditavam o abatedouro, um cachorro foi visto comendo parte da carne abatida, que estava em contato direto com o chão (ver vídeo).

"Há cerca de um mês, a Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) verificou a presença de carnes clandestinas em alguns açougues. Seguimos as informações e vimos que os animais estariam sendo abatidos em Coronel Pacheco. A 4ª Companhia de Meio Ambiente da PM fez um trabalho de inteligência, e chegamos ao local hoje (sexta)", explica o médico veterinário e fiscal agropecuário do IMA, Luciano Puga. Dois homens que trabalhavam na fazenda disseram ter sido contratados recentemente para executar o abate. Um gerente da fazenda alegou que a carne não era comercializada e que os animais seriam abatidos para um casamento. "Mas constatamos que havia o abate frequente na propriedade", diz Luciano. "Mesmo que para consumo próprio, isso tem que ser informado aos órgãos competentes, e os animais devem ser abatidos em abatedouro legal", completa o assessor de comunicação organizacional da 4ª CiaIndmat, sargento Marcelo Mirandela dos Santos.

O local foi interditado, e os animais já abatidos, pesando 770kg, foram encaminhados ao aterro sanitário de Juiz de Fora. O proprietário da fazenda não foi localizado, mas será multado em R$ 232,94 pelo abate irregular. A PM ainda registrou um boletim de ocorrência, que deverá ser encaminhado à Polícia Civil ou diretamente ao Ministério Público para confirmar se a carne era realmente vendida em açougues de forma ilegal, além de investigar suspeitas de maus tratos aos animais, e se um brejo que fica próximo ao matadouro foi contaminado. "Apesar de o chão ser concretado, os animais estavam sendo abatidos no chão. Não havia tratamento de afluentes; o sangue corria em direção a um brejo, havendo risco de contaminação de manancial", diz Luciano Puga.

Ainda conforme o sargento Mirandela, foi constatado que recursos hídricos eram usados sem documentação que autorizava ou dispensava a outorga de tal prática. "Emitimos uma notificação administrativa para que o proprietário compareça à sede da companhia e apresente esse documento. Caso ele não tenha, será autuado." Por enquanto, não foram constatadas poluição ambiental e intervenção em área de preservação permanente.

Conforme o médico veterinário do Departamento de Vigilância Sanitária da PJF Carlos Alberto Ramos, o consumo de carne clandestina, sem inspeção sanitária oficial dos órgãos municipais, estaduais ou federais, pode causar vários problemas de saúde, como a intoxicação (ver quadro).

 

Fiscalização

De acordo com a SAU, de 2009 a 2012, foram apreendidas mais de 60 toneladas de alimentos impróprios para o consumo nas chamadas barreiras sanitárias, que são pontos de fiscalização nos principais acessos a Juiz de Fora. Desse volume, a maioria dos produtos refere-se a carnes e embutidos, seguidos de produtos lácteos, como queijos e iogurtes, e produtos da roça, como aguardente, mel e doces em geral. Entre os principais problemas estão a ausência do selo de inspeção, o transporte irregular e o mau acondicionamento dos produtos. Essas irregularidades são punidas com multa ou até o fechamento do estabelecimento, de acordo com normas do Código de Posturas do Município.