Pombos provocam suspensão de aulas

Funcionários da Funalfa lavam fachada do prédio no Parque Halfeld
A Escola Estadual Duque de Caxias, na Avenida Rio Branco, Bairro Passos, amanheceu hoje de portas fechadas. A suspensão das aulas por dois dias foi motivada por um piolho de pombo encontrado nas dependências da instituição. A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Educação informou que o local está passando por dedetização. Para sanar o problema, engenheiros da Superintendência Regional de Ensino de Juiz de Fora estão estudando intervenções para reprimir a estadia dos pombos. Com o recesso de quinta-feira e o feriado de sexta, as atividades retornam ao normal na segunda-feira. Com isso, os 1.389 alunos que estudam nos três turnos vão ficar sem aulas. A Secretaria adiantou que haverá reposição dos dois dias perdidos.
Além da escola, a Tribuna flagrou pombos em outros imóveis do Centro, como Escola Normal, Funalfa, Pantaleone Arcuri, onde funciona a Casa da Menina Artesã, e o conjunto arquitetônico da Praça da Estação. A presença dessas aves chama a atenção para a proliferação de endemias comuns em centros urbanos de médio e grande porte. O veterinário do Departamento de Zoonoses da Secretaria de Saúde José Geraldo de Castro Júnior destaca que Juiz de Fora não está isenta desse problema. "São questões típicas da urbanização e desequilíbrio ecológico. Pombos, roedores, escorpiões e baratas são pragas urbanas que ficam onde há alimento, proveniente do lixo, e abrigos proporcionados por erros de construção, como vãos de dilatação e espaço entre laje e telhado."
Outro agravante que impede a diminuição dos pombos é a proibição do uso de venenos pela Lei dos Crimes Ambientais. "Por não termos esta autorização, fazemos o trabalho de forma educativa, conscientizando a população a não alimentar essas aves, além de eliminar os abrigos. Ministramos palestras em escolas, mas sabemos que o resultado será a longo prazo. A própria população contribui para a reprodução dos pombos."
Para transmitir doença ao ser humano, o pombo precisa estar infectado por bactérias e fungos. A contaminação acontece quando há partículas de fezes e secreções suspensas no ar ou em contato com a água – por meio de caixas d’água abertas – e alimentos. "As aves doentes podem causar ao homem alterações respiratórios e doenças como ornitose, histoplasmose e até a salmonelose. Podem ser graves e, em casos excepcionais, levar à morte."
Limpeza e manutenção dependem do proprietário
Os flagrantes feitos pela Tribuna mostram que prédios públicos tombados pelo município estão sofrendo com a depredação causada pelo acúmulo de fezes dos pombos. Quanto à limpeza, a Divisão de Patrimônio Cultural (DIPAC) da Funalfa informou que percorre, anualmente, esses imóveis para verificar se existe sujeira. Em caso afirmativo, é feito contato com o proprietário para que ele tome as medidas necessárias. De acordo com a assessoria da PJF, em praças, incluindo monumentos e equipamentos, a manutenção é feita pela Empav, e nas vias públicas, pelo Demlurb. Em prédios ocupados por departamentos da Prefeitura, ela própria é responsável pela limpeza interna e externa.








