Bruno e Custódio evitam atacar Margarida
Os candidatos de PMDB, Bruno Siqueira, e PSDB, Custódio Mattos, evitaram atacar a líder nas pesquisas Margarida Salomão (PT), que, por sua vez, também evitou endossar críticas dos rivais, durante o debate da TV Alterosa realizado na noite de ontem, em Belo Horizonte. O resultado foi um debate polarizado entre PMDB e PSDB, com a candidata favorita ao segundo turno participando como coadjuvante. Bruno chegou a cobrar "pulso" de Custódio, que rebateu atacando a inexperiência do adversário. Os concorrentes Victória Mello (PSTU), Laerte Braga (PCB) e Marcos Aurélio Paschoalin (PRP) invariavelmente criticaram a atual Administração em suas argumentações, fazendo coro aos ataques de Bruno. Ainda assim, excetuando enfrentamentos pontuais entre Bruno e Custódio, e também entre o tucano e Victória, o clima foi sereno. O formato do debate, com perguntas de eleitores e jornalistas, contribuiu para a sobriedade, embora tenha limitado as questões em discussão.
No primeiro bloco, os candidatos foram convidados a se apresentarem. Laerte, Margarida, Victória, Paschoalin, Bruno e Custódio, nessa ordem, falaram sobre suas biografias e seus propósitos. Bruno aproveitou o início para mencionar a proposta de nota fiscal eletrônica como forma de aumentar a arrecadação e condenou aumentos abusivos do IPTU. Custódio, como vem fazendo em muitos eventos de campanha, começou falando da forma como encontrou a Prefeitura e da atual situação da Administração. Antes dos dois, Margarida iniciou sua participação falando em mudança do modelo de gestão e não apenas em uma "mudança de cara". Embora tenham sido feitas pela petista e pelo peemedebista menções negativas ao atual Governo, o início das discussões foi tratado com naturalidade pelo tucano, que optou por falar de suas realizações.
Convidados a responderem perguntas de eleitores de Juiz de Fora, muitos deles representantes de entidades de classe, os candidatos focaram suas argumentações, no segundo bloco, em propostas pontuais. Foram abordadas questões nas áreas de comércio, indústria, turismo, educação e segurança. Esses mesmos temas voltaram à pauta no terceiro bloco, quando os jornalistas da TV Alterosa fizeram os questionamentos. A novidade foi o ingresso do trânsito nas discussões. Como o formato permitia a um candidato comentar a resposta de outro, Bruno e Custódio acabaram se esbarrando. Ao tratar da questão da segurança, o peemedebista abordou o aumento da criminalidade no município com a consequente sensação de insegurança. Custódio reagiu e, usando a expressão "cidade real", falou das realizações no setor. Na réplica, Bruno se valeu da mesma expressão para dizer que a situação chegou à atual fase por conta da falta de "pulso" do atual chefe do Executivo. Custódio encerrou a peleja com alusão à "inexperiência de Bruno" em uma advertência por conta do que julgou se tratar de "críticas infundadas".
Quando puderam trocar questionamentos entre si, no penúltimo bloco, os candidatos insistiram com alguns temas, mas trouxeram outros para o debate, como a questão ambiental. Mas foi o questionamento de Victória, que é professora e sindicalista, para Custódio em relação ao cumprimento da Lei do Piso do Magistério que roubou a cena. O embate entre os dois com esse tema em mesa já era esperado para algum momento da campanha. Custódio alegou cumprir a parte da legislação que trata da remuneração, mas disse que a questão do período de um terço para atividades extraclasses ainda está em avaliação. No mesmo bloco, Bruno, ao perguntar para Paschoalin, voltou a usar a expressão "cidade real" para criticar a atual Administração.
No último bloco, os candidatos dirigiram-se de forma direta ao eleitor fazendo apelos para a hora do voto. Todos se valeram dos discursos que vêm norteando suas campanhas. Laerte falou da "cidade camarada" e da necessidade de mudança do modelo capitalista em vigor. Em seguida, Margarida propôs um pacto pelo desenvolvimento, citando como exemplo os governos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff. Victória defendeu o reconhecimento do trabalhador com peça fundamental de mudança. Paschoalin, por sua vez, cobrou mais cuidado com o ser humano. Bruno colocou-se como preparado para fazer a mudança que a cidade precisa. Por fim, Custódio pediu consciência ao eleitor na hora do voto e recomendou que se compare o antes e o agora.
"Na cidade real, falta pulso da atual Administração"
Bruno Siqueira
"A falta de prática do candidato (Bruno) leva ele a fazer essas críticas"
Custódio Mattos
"Eu luto dentro de um princípio. Tenho que executar a minha opção partidária.
Laerte Braga
"Eu sou um artista, consigo compor uma música em uma hora"
Marcos Aurélio Paschoalin
"Queremos mudança com substância, não de nomes e rosto, mas da prática política"
Margarida Salomão
"Que nós (professores) não sejamos criminalizados como não ano passado (pela PJF), quando fizemos greve".
Victória Mello








