Bancada petista declara oposição a Bruno
Menos de 24 horas depois da eleição do deputado Bruno Siqueira (PMDB) a prefeito de Juiz de Fora, a bancada do PT na Câmara Municipal declarou oposição ao novo Governo, que começa em 1º de janeiro. O anúncio coube ao atual líder do partido na Casa, vereador Roberto Cupolillo (Betão), que parabenizou a militância petista pelo empenho demonstrado principalmente no segundo turno, no melhor estilo do movimento operário de Juiz de Fora. Aqui na Câmara a gente consegue observar melhor os passos das forças políticas, destacou Betão, referindo-se à certeza, anterior ao primeiro turno, de que Bruno herdaria o apoio das siglas que caminharam com o prefeito Custódio Mattos (PSDB), em função da rivalidade entre PT e PSDB. Quero deixar claro de antemão que, como não vislumbramos nenhuma mudança efetiva de conteúdo programático, já nos colocamos como oposição.
Se a bancada oposicionista terá dois ou três vereadores dependerá da posição do PSB, que, apesar de ter feito parte da chapa de Margarida, pode voltar a se aproximar do PMDB e da nova Administração. Fato é, pelo menos no início, que um trio é o máximo que opositores podem vislumbrar. Isso porque até o vereador Rodrigo Mattos (PSDB), filho de Custódio – e que, por isso mesmo, não se uniu à ala tucana que apoiou Bruno no segundo turno -, declarou ontem em plenário ter votado no peemedebista. Parece que o Brasil inteiro está buscando um perfil para os cargos executivos como o do Bruno, ponderou Rodrigo, aproveitando para mandar um abraço ao ex-companheiro de Legislativo. Gostaria de ter participado da campanha, o que não pude por causa das circunstâncias. Mas torci e votei.
Mesmo com uma oposição escassa, vereadores do PMDB fizeram questão de defender não só o prefeito eleito, mas também o simbolismo da vitória. Vou discordar do vereador Betão. Esta eleição em Juiz de Fora representa uma mudança de paradigma. E mudança de paradigma não é exclusividade do Partido dos Trabalhadores. Quebramos um ciclo de 30 anos, ressaltou o vereador José Sóter Figueirôa (PMDB), que fez parte do ciclo em questão, nas gestões do ex-prefeito Tarcísio Delgado (sem partido), com quem saiu rompido do processo pré-eleitoral por apoiar a candidatura de Bruno em detrimento da aliança que Tarcísio pregava com o PT. O processo de construção da candidatura do Bruno foi muito traumático, com muitas adversidades, mas o Bruno, com muita capacidade de articulação, muita firmeza, muita habilidade, soube superá-las.
O vereador Júlio Gasparette (PMDB) foi ainda mais contundente na crítica ao processo interno do PMDB, inclusive no pleito de 2008, quando Tarcísio foi o candidato. É com muita alegria e satisfação que vejo o PMDB voltar à Prefeitura de Juiz de Fora. Tivemos vários embates, que começaram há cinco anos, declarou, referindo-se às discussões para as eleições passadas. Há quatro anos, o Bruno já era para ter sido candidato, mas nosso partido impediu. Agora ele conseguiu a vitória com 90% de aprovação do partido. As lástimas das pressões internas e das dissidências do PMDB fizeram Rodrigo Mattos, ao cumprimentar os vereadores peemedebistas, dizer que imagina às provas pelas quais passaram, alfinetando Tarcísio. A gente conhece o modo de fazer política do ex-prefeito Tarcísio Delgado.
Autocrítica
Apesar da declaração de oposição, o vereador Wanderson Castelar (PT) desejou felicidade e sucesso a Bruno Siqueira, além de um Governo com a máxima independência. Sou da tese de que eleições não são vencidas, mas perdidas. O Custódio, de tanto errar, acabou derrotado no primeiro turno. Nós, de tanto errarmos, fomos derrotados no segundo. Nosso erro começou há dois anos, quando em vez de lançarmos um candidato para a Assembleia e um para a Câmara Federal, lançamos dois, dividindo votos. Se fizermos isso de novo em 2014, continuaremos sendo derrotados. Entretanto, embora tenha afirmado que a eleição de Bruno é um sinal de mudança, de renovação, sem dúvida, Castelar enfatizou que fica triste ao saber que a cidade perdeu a oportunidade de uma mudança mais profunda. As elites muitas vezes se pintam de novas para continuar mandando como sempre, cutucou. Minas não tem renovação há anos. É provavelmente o estado mais conservador da federação.








