UBS de Monte Castelo é fechada após agressão a funcionária
Vítima seria uma enfermeira de 65 anos, atacada por uma usuária de 29 que requisitava atestado
Quem procurou atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Monte Castelo, Zona Norte, na manhã desta terça-feira (30), se deparou com um aviso informando que a unidade estaria fechada. Segundo o comunicado, uma funcionária foi agredida nesta segunda-feira (29) e, por esta razão, os demais servidores não iriam trabalhar hoje, “pois os mesmos estão se sentindo ameaçados e estão tomando as devidas providências legais”. Procurada, a Secretaria de Saúde informou, em nota, que a unidade ficou fechada durante a manhã para apuração do caso, mas foi aberta às 13h. Conforme o texto, a pasta está dando assistência à servidora agredida. Além disso, “uma equipe da Guarda Municipal será deslocada para garantir a segurança dos servidores que atuam na unidade.” A pasta informou ainda que os atendimentos que aconteceriam durante a manhã serão reagendados. Somente este ano, este é o quarto caso de agressão envolvendo profissionais da saúde.
Conforme ocorrência registrada pela Polícia Militar (PM) nesta segunda, a vítima, uma enfermeira de 65 anos, teria sido agredida por uma usuária, 29, após a mesma solicitar um atestado médico, afirmando já ter se consultado com uma profissional da unidade. Após pedir à usuária para aguardar enquanto verificava a informação, a enfermeira foi atingida por socos na cabeça. A vítima tentou escapar para os fundos da unidade, entretanto, a suspeita a perseguiu e arremessou uma escova em sua direção. A suspeita teria continuado as agressões, mas foi contida por outra funcionária. Ainda segundo informações da PM, a vítima apresentou escoriações em ambos os braços e perto do olho direito, sendo encaminhada e atendida na UPA Norte. A autora não foi localizada.
Serviço afetado
Se por um lado os funcionários de unidades de saúde estão sujeitos à insegurança, a população também é impactada ao ficar sem atendimento. Para o aposentado Lúcio Condé, que esteve na UBS na manhã desta terça-feira para ser vacinado, a paralisação de toda a unidade é um “descaso” com as pessoas que precisam de assistência. “O que aconteceria se fosse um hospital? Iria parar por causa de uma agressão? É preciso resolver, mas não parar toda a unidade.”
A cuidadora de idosos Marília Freitas dos Santos, que também esteve na UBS para vacinação, compartilhou a insatisfação com a falta de atendimento. Apesar disso, ela destaca que a unidade assiste muitas pessoas, que muitas vezes já procuram o serviço “nervosas”, e ainda há dificuldade no atendimento. “Já foi muito bom. Quando esse posto começou, era uma beleza, mas depois os médicos sumiram, funcionários também. Hoje tem pouca gente atendendo, e às vezes não tem remédio. Acabou tudo.”
Sindicato repudia ato violento
Procurado, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserpu) repudiou o ato violento praticado contra a funcionária da UBS. À Tribuna, o vice- presidente da entidade, Francisco Carlos da Silva, mais conhecido como Chiquinho, informou que até as 15h30 desta terça o Sinserpu não havia sido oficialmente comunicado sobre o ocorrido. Nestes casos, o próprio servidor ou a chefia da unidade devem levar o episódio ao conhecimento do sindicato, a fim de que se tomem medidas sociais, administrativas e jurídicas, caso necessário. Na ocasião, ele afirmou que, caso o sindicato não fosse acionado ainda nesta terça, integrantes do órgão iriam até a unidade de saúde na próxima quinta (2) para apurar as circunstâncias do ocorrido. “O sindicato não aceita qualquer tipo de violência e nos preocupamos com a segurança do trabalhador, que acaba ficando vulnerável. Nosso papel é prestar todo suporte que o servidor, como tratamento psicológico, acompanhamento jurídico, dentre outras medidas cabíveis”, garantiu.
Chiquinho observou ainda que os setores que fazem atendimento ao público ficam expostos a situações de violência. “Por isso pedimos sempre a presença da Guarda Municipal. Dessa forma, o ambiente fica mais seguro e conseguimos resguardar a integridade física do servidor público”, finalizou.
Outras agressões
Ocorrências de hostilidade contra funcionários em unidades de saúde têm sido noticiadas pela Tribuna recentemente, como no caso de uma servidora municipal, 21, agredida fisicamente por um usuário no PAM-Marechal, em março deste ano. O homem, que fugiu após a agressão, agarrou a jovem pelas costas e desferiu socos e chutes contra a trabalhadora, porque não aceitou que a atendente tinha que sair para o horário de almoço. Em razão do episódio violento, o setor de regulação, que funciona para marcação de exames e consultas, e o setor de coleta de sangue e urina ficaram de portas fechadas durante o período da tarde naquele dia.
Depois da repercussão deste episódio, uma enfermeira, 31, denunciou que também havia sido agredida na UBS do Bairro Nova Era, na Zona Norte. A servidora recebeu xingamentos e gritos por parte de uma mulher que compareceu ao posto a fim de marcar uma consulta para o filho. Todavia, como ela não apresentou o cartão de vacina da criança, foi orientada a buscá-lo. A agressora retornou, mas apresentou um cartão errado e, ao ser questionada pela enfermeira, partiu para a agressão. O episódio ocorreu no setor de recepção, na frente de outros usuários.
Outro episódio violento foi registrado na cidade em fevereiro deste ano, quando um médico, 27, foi agredido com um soco na cabeça durante atendimento a uma paciente na Unidade Regional Leste, no Bairro Costa Carvalho, na região Sudeste. Devido ao grande número de pessoas que esperavam atendimento, a mulher teria ficado insatisfeita com a demora na assistência. Ao entrar no consultório, a usuária começou a gritar e a reclamar do tempo de espera, partindo para cima do profissional.








