Polícia suspeita de ação de quadrilha em joalheria

A 1ª Delegacia de Polícia Civil abriu inquérito para investigar um assalto ousado ocorrido numa joalheria no primeiro piso de lojas do Independência Shopping, em plena tarde de domingo (28), quando era intensa a movimentação de pessoas no centro de compras, situado na Avenida Itamar Franco, no Bairro Cascatinha. Segundo a Polícia Militar, o crime foi praticado por dois homens armados, pouco depois das 15h, e a Polícia Civil acredita que os homens contaram com a ajuda de outra dupla, que ficou do lado de fora observando a movimentação. Essa foi a quinta investida de ladrões em joalherias da cidade só este ano. Pelo menos outros quatro casos semelhantes aconteceram nos últimos meses de 2012. As investigações apontam que os delitos podem estar sendo praticados por uma quadrilha.
Imagens do circuito de segurança do shopping, cedidas pela Polícia Civil, mostram que a ação durou menos de dois minutos. Um dos suspeitos entra na loja com uma pasta. Em seguida, o comparsa parece colocar uma arma na cintura e também entra no local. Segundo o boletim de ocorrência, um deles teria se passado por cliente, pedindo a uma funcionária, 18 anos, para ver um anel, quando um dos criminosos sacou um revólver e anunciou o roubo, tirando uma sacola grande de dentro de uma pasta. Em seguida, o bandido abriu armários e colocou na bolsa quatro estojos de couro repletos de anéis, pingentes e cordões.
A dupla foge correndo no meio dos clientes, e um dos homens carrega uma bolsa, onde estariam as joias. Eles saíram do estacionamento em um Kadett branco e ainda danificaram a cancela que controla a entrada e saída de veículos. De acordo com um dos titulares da 1ª Delegacia de Polícia Civil, José Márcio Carneiro, durante a fuga, a dupla teria sido abordada por um vigia do shopping. "Assim que os vigias se aproximaram, eles já mostraram as armas. Como o local estava muito cheio, os funcionários deixaram os suspeitos irem para preservar a vida dos clientes."
Para ele, os assaltantes podem ter praticado o crime em dia de maior circulação de consumidores para passarem despercebidos pelos vigias. "Acredito que o fato de o shopping estar movimentado pode ter facilitado a ação dos criminosos." Uma equipe da 1ª Delegacia esteve no local a fim de obter mais informações sobre o roubo e terem acesso às imagens do circuito de monitoramento. "Pela movimentação, é possível perceber que, além dos dois homens que invadem a loja, outros dois ficaram nas proximidades. As imagens devem ajudar a identifica-los".
Durante as buscas, a PM encontrou o carro, com placa de São Paulo, abandonado com as portas abertas na Rua Professor Inácio Werneck, no Bairro Dom Bosco, na Cidade Alta. Ninguém foi preso. A assessoria de comunicação do shopping informou que o estabelecimento está à disposição das autoridades para auxiliar na resolução do caso e que "mantém programas de treinamentos e capacitação constantes para seus colaboradores, com o objetivo de zelar pelo bem-estar e bom atendimento de clientes e lojistas".
Mesmo modus operandi de outros crimes
Conforme o boletim de ocorrência registrado pela PM, a funcionária rendida na loja acredita que os ladrões possam ser os mesmos que praticaram uma série de roubos a joalherias na cidade, a maioria no Centro. A suspeita foi levantada pela jovem porque o assaltante que levou as joias disse a ela "acharam que iriam escapar?", supostamente se referindo ao fato de vários estabelecimentos do tipo já terem sido assaltados. A vendedora também informou aos militares que os bandidos tinham sotaque diferente da região, provavelmente paulista.
A dupla usava bonés para dificultar a identificação e deixou para trás a pasta preta, de onde foi retirada a sacola para transportar o material roubado. Além da vítima, o crime teria sido presenciado por mais duas pessoas. Peritos realizaram os levantamentos no local, no estacionamento e no veículo apreendido.
O delegado José Márcio Carneiro afirmou que há indícios de que o episódio tenha ligação com outros ocorridos na cidade. Ele também apura o roubo em loja da mesma rede daquela assaltada no shopping. A ação aconteceu no dia 19 de fevereiro no Bairro Cruzeiro do Sul, Zona Sul, e teve o modus operandi semelhante ao caso mais recente. Na ocasião, dois criminosos, que também usavam bonés, entraram no local. Um deles mostrou um revólver na cintura e anunciou o assalto, jogando uma bolsa de viagem sobre o balcão. A funcionária rendida foi obrigada a colocar mostruários de joias na mala. Um comparsa permaneceu do lado de fora dando cobertura ao crime. Na fuga, o trio teria embarcado em um Honda Civic, que estaria parado em via próxima, supostamente com outro envolvido aguardando.
Um caso também semelhante aconteceu no dia 25 de janeiro na Galeria Bruno Barbosa, Centro. Na ocasião, foram levados anéis, pulseiras e brincos do mostruário. Oito dias antes, um trio armado assaltou um comerciante de joias, 77, em diferente galeria da região central, levando cerca de R$ 10 mil em mercadorias. Pelo menos outras quatro joalherias já haviam sido alvo de ladrões nos meses anteriores, revelando a ousadia de bandidos e a crescente violência. Um dos crimes mais recentes com o mesmo modo de ação aconteceu dia 9, quando uma jovem, 20, funcionária de uma joalheria na Rua Mister Moore, Centro, desmaiou após ser abordada por dois assaltantes, um deles com revólver. Um dos ladrões chegou a jogar uma bolsa sobre o balcão e o outro, armado, anunciou o assalto, mostrando um revólver cromado à funcionária. Assustada, a mulher perdeu os sentidos, e a dupla de assaltantes fugiu diante do roubo frustrado.
A titular da 7ª Delegacia de Polícia Civil, Mariana Veiga, investiga os assaltos a joalherias ocorridos no Centro entre o final de 2012 e os primeiros meses deste ano. Ela informou que dois adolescentes foram identificados por participação nos crimes e acautelados no Centro Socioeducativo. A delegada enfatizou que as buscas por outros envolvidos continuam. "A polícia está empenhada na localização e prisão deles."









