Registros de síndrome respiratória aumentam em Juiz de Fora
Hospitais e Prefeitura admitem crescimento do número de contaminações uma semana após Estado apontar 39 casos de H3N2 na região; saiba como diferenciar a gripe e a Covid-19
Nas últimas semanas, as unidades de saúde de Juiz de Fora têm registrado aumento no número de atendimento a pacientes com síndrome respiratória. A informação foi confirmada à Tribuna pelas assessorias dos hospitais Unimed e Monte Sinai, além da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (SS/PJF). O Município já tem confirmada a circulação do vírus Influenza A, em um momento em que Minas Gerais já reconheceu a transmissão comunitária da variante Ômicron da Covid-19, fatores que são propícios para o crescimento da quantidade de pacientes com sintomas gripais em território juiz-forano.

A diferença nos atendimentos emergenciais nos hospitais da cidade foi observada ao longo das duas últimas semanas. Via assessoria, o Hospital Unimed Dr. Hugo Borges informou que já sente os reflexos do aumento de casos de Influenza no pronto atendimento. “Principalmente na última semana, houve expressivo aumento de pacientes atendidos com sintomas gripais e febre, sendo que, em alguns pacientes, há detecção do vírus Influenza A”, diz a nota enviada pelo hospital. Na unidade, também foram registrados casos de Covid-19, mas a assessoria informa não ser possível quantificar, “porque nem todos os pacientes retornam após diagnóstico positivo ou internam no Hospital Unimed”.
O hospital ainda afirma que tem notado picos de atendimento que não eram detectados desde o arrefecimento da pandemia de Covid-19, além de destacar que a preocupação com a possibilidade de aumento expressivo destes atendimentos após o período de festas de fim de ano: “Muitas pessoas viajam, frequentam festas e se expõem a fatores de risco para estas doenças, e há preocupação de que haja um aumento ainda mais expressivo destes atendimentos”.
Também por assessoria, o Hospital Monte Sinai confirmou que o setor de pronto atendimento também observou aumento no número de pacientes com síndrome respiratória, o que pode ser reflexo de aumento de casos de Influenza ou de Covid-19. “É raro o agravamento e a necessidade de internação, e em geral, os sintomas são tratados clinicamente”, pondera, por nota, a instituição.
PJF admite aumento, mas não informa números
A Tribuna questionou a PJF, ao longo de segunda-feira (27), sobre o número de casos de Influenza registrados pelo Município nas últimas semanas. A Prefeitura, entretanto, afirmou que apenas os casos graves são de notificação compulsória, de modo que apenas um caso de SRAG causado pelo vírus foi registrado pela Secretaria de Saúde.
Porém, a pasta admitiu que “foram registrados alguns casos de Síndrome Gripal (SG), com tendência de aumento quando comparado ao mesmo período do ano anterior”, mas sem quantificar.
A Prefeitura ainda lembrou que os sintomas da Influenza são semelhantes aos da Covid-19 e, muitas vezes, são diferenciados apenas pelos exames laboratoriais. Desta forma, é necessário manter os cuidados de prevenção, como distanciamento, higienização das mãos e uso de máscaras.
H3N2 em Minas
Em todo o estado, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) confirmou, até a última quinta-feira (23), 147 casos de Influenza H3N2 detectados no monitoramento da Fundação Ezequiel Dias (Funed). Até o momento, afirma a pasta, não houve registro de óbitos decorrentes da doença. Na segunda-feira, a Superintendência Regional de Saúde de Juiz de Fora (SRS-JF) informou à reportagem que não há atualização nos dados.
A macrorregião de Saúde Centro é a que mais registra pacientes com síndrome gripal, com 44,9% (66 casos), seguida da Sudeste – que abrange o município de Juiz de Fora e região -, com 26,53% (39). Em seguida vêm os territórios Centro Sul, com 11,56% (17) dos casos; Sul, com 4,08% (6); e Leste, com 3,40% (5). As macrorregiões do Vale do Aço, Oeste, Jequitinhonha, Leste do Sul Norte e Nordeste detectaram a presença do Influenza A/H3N2 em uma ou três amostras cada, enquanto as demais macrorregiões não tiveram a detecção em 2021.
Coronavírus e Influenza: diferenças e diagnósticos
Com a pandemia da Covid-19 ainda atingindo a população, inclusive com o surgimento de novas variantes, o aumento dos casos de gripe também tem preocupado os profissionais da saúde. Essas doenças causam sintomas parecidos, o que pode acabar dificultando o diagnóstico e o tratamento correto.
O infectologista Mário Novaes explica que, de fato, vários sintomas são similares. Tanto a Influenza contra a Covid-19 podem trazer febre, tosse, falta de ar, dor de garganta, dor de cabeça, congestionamento nasal e até náuseas e vômitos. “O que diferencia as duas situações é a perda de paladar e do olfato, que não acontecem na gripe. Mesmo assim, com a variante Ômicron, esses sintomas podem não acontecer e tornar o diagnóstico ainda mais complicado”, ele esclarece.
O médico também ressalta que, na maioria dos casos, a febre costuma ser mais alta na gripe do que na Covid-19. No entanto, no caso da doença causada pelo coronavírus, a febre tende a durar mais tempo. Nas crianças, a Covid-19 “costuma trazer uma sintomatologia mais leve que a da gripe”.
Ainda de acordo com o especialista, há diferenças também na letalidade, mas é preciso se prevenir contra as duas para evitar mortes. “O vírus da Influenza é perigoso, mas por enquanto tem uma letalidade menor que a Covid-19. Por isso é tão importante fazer o diagnóstico e procurar orientação médica assim que os sintomas forem apresentados”. Com esse cenário em vista, ele indica que, nos casos em que há suspeita, é necessário fazer a testagem com o diagnóstico diferencial das doenças, que é identificado através do painel viral.
O médico destaca que os sintomas mais graves tanto da gripe como da Covid-19 são febre alta e falta de ar. Sendo assim, quem estiver manifestando esses problemas deve procurar as unidades de saúde o quanto antes para ser diagnosticado e tratar o quadro corretamente.
Baixa cobertura vacinal e abandono de máscaras podem ser as causas
Devido às medidas de isolamento social que parte da população ainda mantém como forma de prevenção à Covid-19, o médico Mário Novaes acredita que podemos estar vivendo um cenário de subnotificação dos casos de Influenza em Juiz de Fora, principalmente levando em conta que a H3N2, a chamada linhagem Darwin, já se espalhou por várias cidades do país. Para ele, existem dois principais motivos para o aumento dos casos da doença: as baixas taxas de vacinação contra a Influenza e o período de abandono do uso das máscaras.
“A falta de vacinação e a propagação da gripe também causam novas variantes. Ao proteger contra a Covid-19, acabava que a máscara protegia contra a Influenza também. Agora, as pessoas já estão tirando a máscara em diversas situações e se contaminando mais”, explica o infectologista. Ele aponta que um dos riscos dessa situação é justamente a lotação dos hospitais, como visto nos períodos mais críticos da Covid-19, caso haja complicações nos casos.
Para evitar este cenário, o infectologista destaca que “a recomendação é que as pessoas se vacinem urgentemente contra as duas doenças”, e explica que apesar de a vacina de Influenza disponibilizada atualmente não ser específica contra essa nova linhagem do vírus, ela é capaz de trazer uma proteção cruzada. Por esse motivo, ele afirma que para termos um 2022 melhor no contexto epidemiológico, “os cuidados com a prevenção não podem ser abandonados”, de modo que a população deve continuar apostando no uso de máscaras e na vacinação.









