Margarida parte para o ataque
No dia em que a Tribuna e a TV Integração divulgaram o resultado da terceira pesquisa Ibope desta eleição, e que mostra o deputado Bruno Siqueira (PMDB) à frente da professora Margarida Salomão (PT) por dois pontos percentuais, numa configuração de empate técnico, a candidata petista partiu para cima
do prefeito Custódio Mattos (PSDB) na manhã de ontem, durante o confronto entre os concorrentes à PJF na Rádio Solar AM, mediado pelo apresentador do programa Rádio Vivo, Marcelo Juliani. Logo no primeiro bloco, quando os seis postulantes ao Executivo municipal responderam às perguntas formuladas pelos jornalistas da Solar e da Tribuna, ela criticou a gestão tucana ao afirmar que "é necessário rever a terceirização, porque ela deu errado" e que "a cidade está suja". "Serviços públicos devem ser realizados por servidores públicos", ressaltou. "Vamos abrir concursos e reequipar o Demlurb."
Foi apenas um ensaio, no entanto, para o embate direto protagonizado no terceiro bloco do debate, o primeiro em que os concorrentes – depois de responderam às questões de ouvintes e internautas na segunda parte – puderam fazer perguntas uns para os outros, sobre um tema pré-determinado. No caso de Margarida, o tema sorteado foi a educação, que deu a deixa para provocar o atual prefeito quanto ao argumento que o leva a "acreditar" que cumpre a Lei do Piso Nacional para o magistério na rede municipal de ensino. "Não é uma questão de crença, é uma questão de números", rebateu Custódio, enfatizando que o Supremo Tribunal Federal (STF) que o salário mínimo para a classe vale sobre uma jornada de 40 horas, enquanto no município a carga horária é de 20 horas. "O município paga bem acima do piso".
Já sobre a destinação de um terço da jornada para atividades extraclasse, ele afirmou que é prejudicial reduzir a regência dos professores em sala de aula na primeira fase do ensino fundamental e que já propôs aumentar a remuneração para que eles permaneçam as atuais 15 horas dentro de sala, o que não teria sido aceito. Margarida retrucou: "Essa convicção expressa pelo Custódio diverge do entendimento do sindicato e da própria categoria. O patamar mínimo em Juiz de Fora é muito baixo e não atinge os profissionais das creches". Na tréplica, o candidato à reeleição desafiou a adversária: "Num país democrático, quando há divergência sobre uma lei, quem se manifesta é o Judiciário, que já se manifestou. A professora Margarida falou, falou, e não assumiu compromisso nenhum. Eu a desafio a pagar o piso de uma jornada de 40 horas para uma de 20. É meritório, mas é impossível".
Depois de aparecer pela primeira vez na liderança de uma pesquisa, Bruno Siqueira fez um debate quase sem conflitos. A exceção foi na abertura do quarto bloco, quando provocou Margarida, incitando-a a revelar em quem votou no segundo turno do pleito de 2004, se em Custódio ou no ex-prefeito Alberto Bejani (PSL). A alfinetada deveu-se à mesma razão pela qual o peemedebista pediu direito de resposta no último programa de TV do PT: a vinculação de sua imagem à de Custódio, por conta de seu apoio ao atual prefeito nas eleições de 2008. "Muitas propagandas foram veiculadas demonstrando isso, não nego esse fato, porque naquela época acreditava ser a melhor opção e, como muitos, me decepcionei. Então pergunto à candidata sobre o voto dela em 2004. A senhora votou em Bejani ou em Custódio?", cutucou. "Meu partido recomendou que não votássemos em nenhum dos dois, porque nenhuma das duas candidaturas contemplava nossos anseios", revidou Margarida. "Mas, em 2008, em dissidência ao PMDB, o senhor votou sim no Custódio e, por isso, é responsável pelo Governo." O assunto voltou nas considerações finais, quando Bruno destacou aos ouvintes que um eleitor não pode ser responsabilizado pela administração. "vocês não são responsáveis se seu candidato o decepcionou.
Victória coloca PT, PSDB e PMDB no mesmo balaio
Não foi só por Bruno que Margarida foi alvejada. Como aconteceu em debates anteriores e no horário eleitoral, Marcos Aurélio Paschoalin (PRP) mais uma vez trouxe para a discussão suas divergências pessoais com a candidata petista. Por sua vez, usando o mote do julgamento do mensalão – e sendo a única a citar o caso -, Victória Mello (PSTU) se valeu de pergunta dirigida ao próprio Paschoalin para abordar o tema da corrupção e colocar PT, PSDB e PMDB no mesmo balaio. Citando, ao mesmo tempo, os mensalões petista e tucano e a atuação de peemedebistas na Copasa, Vic responsabilizou o financiamento privado de campanha, que beneficia os maiores partidos, pelo crescimento da corrupção.
No mais, em todos os blocos, como vem fazendo desde o início da campanha, a candidata defendeu uma mudança de concepção política em prol dos trabalhadores. "Nossa questão é uma mudança de projeto político. Desculpe discordar, Bruno, mas o Governo federal, do PT e do PMDB, não melhorou a vida dos trabalhadores. Que país é esse que é colocado nos debates e que nós, da classe trabalhadora, não vemos?", indagou, citando uma fala do peemedebista que reforçava que sua sigla faz parte do Governo federal. Nas considerações finais, ela acrescentou: "Você, eleitor, já experimentou esses partidos (PMDB, PSDB e PT) e sabe que nada foi feito para os trabalhadores. Votar na Victória Mello é votar nas lutas."
Tranquilo, Laerte Braga (PCB) aproveitou o debate para reforçar sua defesa da construção de um "poder popular". Entre as questões levantadas pelos jornalistas e pelos concorrentes, o comunista ressaltou sua proposta de implantação gradativa, no período de um ano, de escola em tempo integral, ponderou sobre a necessidade de discutir a obra da BR-440 com a comunidade do Bairro São Pedro – considerando que, como está hoje, "seria uma calamidade para os moradores atingidos" – e frisou que a realização de uma obra de contorno ferroviário, como proposta por Margarida e Bruno, é fundamental para a cidade, mas que só será feita a médio e longo prazos.








