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Prova será feita com 2 examinadores no carro


Por Renata Brum

29/06/2012 às 07h00

Teste de rua também voltará a ser realizado apenas no período diurno. Medidas entram em vigor em julho

A prisão de um instrutor de autoescola, 29 anos, que teria vendido a aprovação de um candidato por R$ 2 mil, leva a Polícia Civil a adotar medidas para tentar combater a corrupção em Juiz de Fora. A partir de julho, durante o exame de direção, haverá dois examinadores por carro. As provas de rua também voltarão a ser realizadas exclusivamente durante o dia, das 7h ao meio-dia. O anúncio foi feito ontem pelo delegado regional, Paulo Sérgio Xavier Virtuoso.

Nossa intenção é combater as irregularidades em qualquer setor. Para isso, estaremos retornando com os exames de rua diurnos. Os examinadores farão as avaliações pela manhã e trabalharão na central de intimação, que está sendo criada, das 13h às 21h. Com certeza, com as provas acontecendo durante o dia, os candidatos terão mais chances de serem aprovados e pensarão duas vezes antes de tentar comprar a aprovação. Outra ação é a colocação de dois examinadores em cada carro. Será muito mais difícil corromper dois avaliadores, explicou o delegado, ressaltando que, casos como o de quarta-feira, serão duramente punidos. Sendo flagrados, instrutores ou examinadores serão presos.

O instrutor preso em flagrante, na quarta-feira, durante exame no Parque Guarani, região Nordeste, foi autuado por tráfico de influências e levado para o Ceresp. Já o aluno, que pagou a quantia de R$ 2 mil para ser aprovado, foi ouvido e liberado, e a ocorrência encaminhada ao Núcleo de Ações Operacionais (Naop). Além do flagrante, outros três inquéritos foram instaurados somente este ano para apuração de conduta semelhante de outros instrutores na cidade.

De acordo com a delegada responsável pelo Setor de Habilitação em Juiz de Fora, Cristiane Maciel, geralmente o instrutor promete ao aluno sua aprovação e lhe cobra propina, alegando que o valor será dividido com o examinador. No dia do exame, se o candidato é aprovado, ele ficaria com o dinheiro.

Repercussão

O assunto também repercute entre proprietários e profissionais dos centros de formação de condutores (CFCs), que aproveitam as denúncias para cobrar a saída do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) das mãos da Polícia Civil. Essa é uma busca constante do sindicato, ter o Detran como órgão independente. O candidato se sente pressionado ao ser avaliado por um policial civil, comentou Sérgio Arantes, representante do Sindicato dos Proprietários de CFCs em Juiz de Fora. O presidente da entidade, em Belo Horizonte, Rodrigo Fabiano da Silva, também cobra a desvinculação e diz que denúncias sobre facilitação para tirar a carteira não se restringem à cidade ou à função. Já tivemos casos em Uberlândia, Montes Claros, Região Metropolitana, envolvendo tanto instrutores como examinadores. Somos contrários a essas atitudes, cobramos lisura e punição severa.

Atualmente o estado é um dos poucos, ao lado de Santa Catarina, em que o Detran ainda está atrelado a órgão de segurança pública. Os dos demais estados são considerados autarquias ou terceirizados. O último a ser desvinculado foi o Detran de São Paulo, no início do ano passado.

No estado, além de o órgão ser alvo de inúmeras investigações por fraude e corrupção, é concentrador de grande parte dos servidores da polícia judiciária. No ano passado, a desvinculação foi discutida em assembleia geral da Polícia Civil e, em nota, o Sindicato dos Policiais Civis de Minas (Sindpol-MG) disse que apoia que o Detran saia da estrutura da PCMG e seja autarquizado, desonerando a instituição dessa atividade administrativa que impacta sobremaneira os recursos humanos, o funcionamento regular das delegacias e as investigações policiais.